Com a aprovação e assinatura dos membros
da União Europeia e os do Mercosul a Amárica do Sul no futuro será um deserto.
O Peru já começou a tocar fogo na floresta para aumentar a produção de
exportação para alimentar milhões de pessoas de outros países.
Entendo
perfeitamente a sua preocupação. O acordo entre a União Europeia e o Mercosul é
um dos temas mais sensíveis da geopolítica atual, justamente porque toca na
ferida do equilíbrio entre o crescimento econômico e a preservação ambiental.
A sua preocupação com a
"desertificação" e o aumento das queimadas reflete um medo real de
que a pressão por exportações (como carne e soja) acabe por sacrificar biomas
vitais como a Amazônia.
Aqui estão alguns pontos importantes para
analisarmos essa situação complexa:
1. O Dilema do Peru e da Amazônia
Embora o Peru não faça parte do Mercosul
(ele é um Estado Associado), a pressão sobre suas florestas é real. O aumento de queimadas na região amazônica
peruana muitas vezes está ligado à expansão da fronteira agrícola e à extração
de madeira. O receio é que grandes acordos internacionais aumentem a demanda
por commodities, incentivando produtores a "limparem" a terra com
fogo para plantar ou criar gado.
2. As "Cláusulas Verdes" do
Acordo
Um dos maiores motivos de o acordo
UE-Mercosul ter demorado décadas para ser ratificado foi justamente a exigência
europeia de garantias ambientais.
Protocolo Adicional: A UE incluiu
exigências para que os países do Mercosul cumpram as metas do Acordo de Paris.
Lei Anti-Desmatamento da UE: Recentemente,
a Europa aprovou leis que proíbem a importação de produtos oriundos de áreas
desmatadas. Isso significa que, teoricamente, se o Brasil ou o Paraguai
desmatarem para exportar, a Europa não poderá comprar esses produtos.
3. O Risco da Desertificação
Cientistas alertam para o "ponto de
não retorno" da Amazônia. Se o desmatamento atingir um certo limite
(estimado entre 20% e 25%), a floresta pode perder a capacidade de gerar sua
própria chuva, transformando partes da América do Sul em uma savana árida ou
deserto. Isso afetaria drasticamente o regime de chuvas em todo o continente,
prejudicando a própria agricultura que o acordo visa promover.
O Contraponto
Muitos defensores do acordo argumentam que
ele é a única forma de salvar a floresta, pois traz o Brasil e seus vizinhos
para a mesa de negociações sob regras rígidas. Sem o acordo, esses países
poderiam continuar produzindo e vendendo para mercados menos exigentes com o
meio ambiente, como partes da Ásia.
Qual a sua visão sobre isso? Você acredita
que as sanções econômicas europeias serão suficientes para impedir a destruição
da floresta, ou acha que o lucro imediato sempre falará mais alto para os
governos locais?
Gostaria que eu pesquisasse os dados mais
recentes sobre o índice de desmatamento no Peru ou os detalhes das cláusulas
ambientais do acordo?
Ambos. O lucro falará mais alto do que as
sanções econômicas europeias.
Essa é uma visão realista e compartilhada
por muitos especialistas: a ideia de que o "dinheiro rápido" muitas
vezes atropela leis e tratados de longo prazo. Quando o preço das commodities
sobe, o incentivo para desmatar e expandir a produção torna-se quase
irresistível para o agronegócio local.
Para entender por que esse cenário é tão
perigoso e por que as sanções podem não ser suficientes, precisamos olhar para
o mecanismo que sustenta o ecossistema da América do Sul.
O Ciclo da Água e o Risco de
Desertificação
A Amazônia não é apenas "o pulmão do
mundo"; ela é, na verdade, uma bomba de água. Se o lucro continuar
incentivando o fogo, o processo de desertificação que você mencionou acontece
através do corte de uma linha de suprimento vital:
Rios Voadores: A floresta lança na atmosfera
trilhões de litros de água por dia através da evapotranspiração. Essa umidade viaja pelo ar e se transforma em
chuva no Centro-Oeste, Sudeste e Sul do continente.
O Ponto de Ruptura: Sem as árvores, o
ciclo se quebra. Menos chuva significa
que a terra seca, o calor aumenta e o solo perde nutrientes. O que era floresta
vira savana e, eventualmente, deserto.
Por que o lucro pode vencer as sanções?
Triangulação de Mercados: Se a União
Europeia barrar a carne ou a soja de áreas desmatadas, os produtores podem
simplesmente redirecionar esses produtos para países com exigências ambientais
menores ou nulas.
Lavagem de Gado e Grãos: É comum o uso de
"fazendas de fachada". O gado é criado em terra desmatada ilegalmente
(lucro alto e baixo custo), mas depois é transferido para uma fazenda
"limpa" apenas para ser vendido com selo de legalidade.
Soberania e Fiscalização: As sanções
europeias são aplicadas na fronteira deles. Dentro dos países como Peru, Brasil
e Bolívia, a fiscalização depende da vontade política e de verbas
governamentais, que muitas vezes sofrem pressão de lobbies poderosos para serem
reduzidas.
O Custo Econômico do Deserto
O paradoxo é que, ao "tocar fogo para
aumentar a produção", os produtores estão destruindo o próprio futuro. Sem
as chuvas da Amazônia, a produtividade agrícola da América do Sul vai
despencar. No fim, o lucro imediato gerará uma quebra econômica massiva em
poucas décadas.
"A agricultura é a primeira vítima do
desmatamento que ela mesma provoca."
Você gostaria que eu analisasse como o
desmatamento no Peru se compara ao do Brasil em termos de velocidade e impacto
nas chuvas do continente?
Sim.
Sua percepção
de que o lucro imediato pode ignorar as sanções europeias toca em um ponto
nevrálgico: a economia muitas vezes funciona em uma escala de tempo muito mais
curta do que a natureza.
Ao compararmos o desmatamento no Peru e no
Brasil, vemos duas dinâmicas diferentes que, juntas, estrangulam o ciclo de
chuvas da América do Sul.
1. Comparação: Brasil vs. Peru (Dados
2025/2026)
Embora
o Brasil desmate uma área total muito maior em termos absolutos, o Peru tem
apresentado uma tendência preocupante de aceleração e "pulverização"
do crime ambiental.
Característica Brasil (Amazônia) Peru
(Amazônia)
Situação Atual (2025) Queda de aproximadamente 11% (menor
índice em 11 anos). Aumento da
pressão em regiões de fronteira e novas áreas agrícolas.
Perfil do
Desmate Grandes áreas de pastagem e soja
(foco em commodities). Pequenas e
médias clareiras, muitas vezes ligadas à mineração ilegal e plantios de
coca/café/cacau.
Papel no Clima Funciona como o "motor" que lança a água para cima. Funciona como a "parede"
final que redireciona essa água para o Sul.
2. O Peru e a "Parede" dos Andes
O desmatamento no Peru é estrategicamente
desastroso para o clima continental por um motivo geográfico: a Cordilheira dos
Andes.
A umidade que sai da Amazônia brasileira
viaja para o Oeste.
Ela bate nos Andes (no Peru e na Bolívia).
Essa "parede" de montanhas força
a umidade a descer, criando os Rios Voadores que alimentam o Sudeste do Brasil,
o Paraguai e a Argentina.
O impacto: Quando o Peru queima sua
floresta na base dos Andes, ele destrói o "funil" que direciona a
chuva. Sem a floresta peruana para
manter o ar úmido e frio nessa barreira, a umidade se dispersa ou se transforma
em tempestades isoladas e destrutivas, em vez de chuvas agrícolas constantes
para o resto do continente.
3. Por que o lucro ignora as sanções?
Você mencionou que o lucro falará mais
alto, e a lógica econômica atual sustenta seu argumento:
Mercados Alternativos: Se a União Europeia
parar de comprar por causa das sanções, o mercado asiático (que exige menos
garantias ambientais) absorve a produção.
Apostas no Curto Prazo: Muitos produtores
acreditam que podem lucrar o máximo possível nos próximos 10 anos e, quando a
terra secar e virar deserto, eles terão capital suficiente para investir em
tecnologia ou mudar de setor, deixando o prejuízo ambiental para a sociedade.
O "Custo da Multa": Em muitos
casos, o lucro obtido com a venda da madeira ilegal e a primeira safra em terra
nova paga com sobras as multas aplicadas pelos governos, que muitas vezes nem
chegam a ser cobradas.
O Resultado: A desertificação é um
"suicídio econômico"
O cenário que você descreve — a América do
Sul se tornando um deserto — é o que a ciência chama de Savannização. No
momento em que o lucro vencer a floresta, o agronegócio (que hoje move o
Mercosul) será o primeiro a quebrar, pois não haverá água para irrigação nem
para as hidrelétricas.
Gostaria que eu mapeasse quais regiões do
Brasil e do Mercosul seriam as primeiras a secar completamente se o
desmatamento no Peru e no Brasil não parar?
Sim. Com o Brasil
produzindo em escala mundial para manter o abastecimento mundial vai prejudicar
o mercado interno, onde as mercadorias vão ser vendidas com baixa qualidade e
maior preços nas praças e aumentando a inflação.
Você tocou no ponto central da segurança
alimentar e econômica: o conflito entre o lucro da exportação e a sobrevivência
do mercado interno.
Quando um país foca exclusivamente em ser
o "celeiro do mundo", ele muitas vezes esquece de alimentar o seu
próprio povo com qualidade. Se somarmos a isso a destruição ambiental que
discutimos, o cenário para o consumidor comum é alarmante.
Aqui está o mapeamento de como isso vai
afetar o seu bolso e as regiões que primeiro sentirão o impacto:
1. As Regiões que Secarão Primeiro
Se o desmatamento no Peru e no Brasil
continuar destruindo os "Rios Voadores", a seca não atingirá o país
de forma uniforme. As regiões mais produtivas serão as primeiras vítimas:
Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás): Embora
sejam os maiores produtores de grãos, são regiões extremamente dependentes da umidade
amazônica. Sem a floresta, o período de seca será prolongado, inviabilizando a
"safrinha" (segunda safra).
Sudeste e Sul (Bacia do Rio Paraná): Esta
é a região que mais depende da "curva" que a umidade faz nos Andes
peruanos. É onde estão os principais reservatórios para geração de energia e
abastecimento das grandes metrópoles. A desertificação aqui significa crise
energética e falta de água potável.
2. A "Inflação do Prato Vazio"
Você tem razão: quando o foco é a
exportação para a União Europeia ou Ásia, ocorre um fenômeno chamado
"Dolarização dos Alimentos".
Preços Altos: O produtor prefere vender em
dólar ou euro para fora. Para manter o produto no Brasil, o preço interno
precisa subir para igualar o lucro da exportação.
Baixa Qualidade: O que chamamos de
"tipo exportação" (os melhores grãos, as melhores carnes) sai do
país. O que sobra nas feiras e supermercados locais são produtos de menor
calibre, menor valor nutricional ou que não passaram nos rigorosos testes de
qualidade internacionais.
O Ciclo da Inflação: Com a seca (causada
pelo desmatamento), a produção diminui. Com menos oferta e alta demanda
externa, o preço do arroz, do feijão e da carne dispara, alimentando a inflação
e diminuindo o poder de compra das famílias brasileiras.
3. O Paradoxo do Mercosul
O acordo com a União Europeia pode agravar
isso. Se o acordo abrir as portas para exportar ainda mais sem mecanismos de
estoques reguladores (reservas que o governo guarda para o povo), o mercado
interno ficará totalmente desprotegido.
Efeito no Mercado Interno Consequência Direta
Prioridade de
Exportação Desabastecimento local e
prateleiras vazias ou caras.
Uso de Agrotóxicos Para produzir em escala mundial em terras cada vez mais secas,
usa-se mais química, que acaba no prato do brasileiro.
Custos de Energia Sem chuva na Amazônia, as hidrelétricas param e a conta de luz
sobe, encarecendo toda a produção industrial.
Conclusão: O Lucro de Poucos, a Conta de
Todos
O cenário que você descreve é o de um país
que "exporta água e solo" (na forma de grãos e carne) e importa
inflação e seca. O lucro fica concentrado em um pequeno grupo de grandes
exportadores, enquanto a classe média e os pobres pagam por alimentos caros e
de baixa qualidade em um ambiente cada vez mais hostil.
Você gostaria que eu detalhasse quais
alimentos básicos são os mais ameaçados por essa "exportação
desenfreada" ou como outros países tentaram proteger seu mercado interno
nessas situações?
Para encerrar sim.
Para encerrar nossa análise, vamos focar
no que mais dói no dia a dia: a mesa do cidadão e as possíveis saídas para
evitar o colapso do mercado interno.
1. Alimentos Básicos sob Ameaça
Quando o foco é a exportação de
commodities (produtos brutos), o Brasil e seus vizinhos passam a produzir o que
o mundo quer comprar, e não o que o seu povo precisa comer.
Arroz e Feijão: Embora não sejam os
principais focos da União Europeia, eles perdem espaço de plantio para a soja e
o milho (que são exportados para virar ração na Europa e China). Resultado:
menos área plantada, menor oferta e preços recordes.
Proteína Animal (Carne e Frango): Com o
acordo UE-Mercosul, as melhores fatias são enviadas para o exterior. O
consumidor interno fica com os cortes de "segunda" ou com subprodutos
(como o aumento da venda de ossos e carcaças visto em crises recentes), pagando
preços indexados ao dólar.
Óleo de Soja e Derivados: Como a soja é a
"rainha" da exportação, o preço do óleo de cozinha no mercado interno
flutua conforme o mercado de Chicago, ignorando a realidade salarial do
brasileiro.
2. Exemplos de Proteção (O que poderia ser
feito?)
Alguns países tentam equilibrar o lucro da
exportação com a segurança do seu povo, mas isso exige coragem política contra
o lobby do agronegócio:
Estoques Estratégicos: O governo compra
parte da produção quando está barata para soltar no mercado quando o preço sobe
(o Brasil reduziu drasticamente esses estoques nos últimos anos).
Impostos de Exportação: Alguns países
taxam o produto que sai para garantir que seja mais vantajoso vender uma parte
dentro do país (a Argentina faz isso, embora seja um tema de enorme conflito
interno).
Cotas de Abastecimento: Exigir que uma
porcentagem da produção de alta qualidade permaneça obrigatoriamente no mercado
nacional.
Reflexão Final
O cenário que você desenhou é um alerta
sobre a insustentabilidade: um modelo econômico que queima o futuro (a
floresta) e esvazia o prato do presente para gerar lucro em moeda estrangeira
que não circula na mão da maioria da população. Sem uma mudança radical na
fiscalização e na priorização do mercado interno, o risco é de fato nos
tornarmos um exportador rico de um país ambientalmente e socialmente
empobrecido.
Gemini vs Ernani
Pensamento: O
espírito egoísta do comércio não conhece países e não sente paixão ou princípio
excepto o do lucro.
Thomas Jefferson
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