CRIOGENIA

    

 

     Vida após a morte? Bilionário diz que será congelado para reviver no futuro; entenda se técnica faz sentido e o que diz a ciência.

    

     Técnica é conhecida como criogenia e faz o processo de resfriamento de corpos com nitrogênio líquido até atingir os -196ºC. A esperança é de que a ciência, no futuro, seja capaz de trazer corpos preservados de volta à vida. Por Fernanda Berlinck, g1

 

     10/05/2023 15h40  Atualizado há 2 meses

 

     Peter Thiel, bilionário e cofundador do PayPal, disse que será congelado e preservado quando morrer para que tentem revivê-lo no futuro. Apesar de ter se inscrito para o congelamento, Thiel diz não acreditar que a tecnologia vá funcionar.

 

     O método de congelamento após a morte é conhecido como criogenia e já é usado internacionalmente por clínicas de fertilização e hospitais para conservar partes do corpo humano, como esperma, óvulos, células sanguíneas e embriões.

 

     De acordo com o Instituto de Criogenia de Michigan, nos Estados Unidos, a criônica é uma técnica destinada a salvar vidas e prolongar a vida útil. O procedimento resfria pessoas "legalmente mortas" na esperança de que técnicas científicas futuras consigam, em algum momento, reviver e restaurar estes corpos e órgãos.

 

     Uma pessoa mantida em tal estado é considerada um "paciente criopreservado", já que o instituto não entende que a pessoa criopreservada é uma pessoa morta.

 

     Para entender a técnica, o g1 conversou com o professor e doutor Francisco Guimarães, pesquisador do Grupo de Óptica do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP). Veja, abaixo, o que se sabe sobre a criogenia:

 

      Como é feita a criopreservação?

 

     Francisco Guimarães explica que a técnica de criopreservação faz o resfriamento de coisas e, no caso de humanos, tem como objetivo diminuir o movimento do corpo humano, de moléculas e, assim, vai retirando a energia térmica que faz as coisas se movimentarem.

 

     "O nosso corpo é formado 70% por água, e a primeira coisa nesse processo é que a gente congela a água do corpo, tudo vai ficando estático, parando, todo o metabolismo responsável pela vida, aquele calor, aquela energia, aquelas moléculas. Tudo se baseia no movimento dessas moléculas, se você congela isso, você para tudo", comenta o pesquisador.

 

     "É como se você parasse a idade da pessoa, preservando inclusive a degradação", diz. Isto é, quando uma pessoa morre, o processo natural é o de degradação e, com o resfriamento do corpo, até mesmo as bactérias ficam estáticas, ficam imóveis.

 

     O que acontece no processo de criopreservação de corpos é que a pessoa morta passa por um processo de congelamento e o corpo é armazenado dentro de um recipiente hermeticamente fechado, onde a temperatura será reduzida lentamente com nitrogênio líquido até atingir os -196ºC.

 

     A esperança é de que a ciência, no futuro, seja capaz de trazer essas pessoas de volta à vida.

 

     Como a criogenia é aplicada atualmente?

 

     Os processos de congelamento de óvulos, espermatozoides ou embriões são feitos com a técnica criogênica. O pesquisador conta que a aplicação de esfriamento é muito ampla, e que se usa muito para preservar células ou algo que será objeto de estudo no futuro.

 

     "Por exemplo: um vírus da Covid, se eu quero preservar, eu uso a técnica de criogenia para preservá-lo e estudar em qualquer outra época. Existe uma preocupação muito grande com as geleiras na Terra porque muitos vírus podem estar encobertos debaixo daquele gelo, se acontecer o derretimento desse gelo, eles existem há milhares de anos atrás", comenta.

 

     Quais os maiores desafios da ciência no descongelamento de órgãos?

 

     "Geralmente a gente congela a pessoa que já está morta. Até hoje não se desenvolveu um processo em pessoas vivas, e o que se espera é que no futuro a gente consiga reverter isso. A gente não consegue reverter a morte, mas pode ser que no futuro a gente consiga reverter o batimento de um coração, por exemplo", analisa o professor.

 

     E conclui: "Você preserva para que você consiga no futuro reativar tudo".

 

     Existem pessoas que estão congeladas?

     Os números em relação à quantidade de pessoas registradas que estão criopreservadas no mundo variam muito. O que se tem certeza é de que o paciente mais velho ainda mantido em criopreservação é o professor americano James Bedford, nascido em 20 de abril de 1893. Até hoje, ele permanece preservado na Alcor Life Extension Foundation. Seu corpo foi criopreservado em 1967.

 

     Durante muitos anos, acreditou-se que o corpo de Walt Disney estava congelado, mas a verdade é que morreu em 1966, um ano depois da criopreservação de James Bedford, o primeiro caso registrado.

 

     Quanto custa o congelamento após a morte?

 

     O Instituto de Criogenia de Michigan afirma que os preços de criopreservação podem variar muito, dependendo da empresa. O instituto, por exemplo, cobra uma taxa única de $ 28 mil (cerca de R$ 140 mil), que inclui perfusão de vitrificação e armazenamento de longo prazo.

 

     Algumas organizações podem chegar a cobrar US$ 200 mil (aproximadamente R$ 992 mil) ou mais para criopreservação de corpo inteiro e US$ 80 mil (aproximadamente R$ 396 mil) para a opção “neuro” (somente o cérebro).

 

     Comentário:

 

     O que está havendo com o processo de criogenia é uma forma de cientistas se aproveitar da ingenuidade das pessoas e explorar os seus sentimentos para usufruir dinheiro fácil de famílias milionárias. Sabem que todo mundo quer ter uma vida longa e quase eterna neste inferninho.

 

     Os cientistas tiveram essa ideia maluca de criogenia quando conseguiram criopreservar: espermas, óvulos, células sanguíneas e embriões vivos. Só que, as pessoas que são submetidas a criopreservação não estão vivas e sim, mortas, mesmo que estivessem vivas e submetidas a esse método de criogenia, matando pessoas vivas, jamais iriam ressurcitar esses corpos sem alma e sem energia cósmica.

    

     Só acreditava se essa empresa de criogenia ressuscitasse pelo menos uma pessoa que lá estivesse submetida ao congelamento por um ano, aí sim, estava comprovado essa técnica de ressurgir dos mortos. O que esses cientistas prometem é uma ficção científica não comprovada e fraudulenta, explorando os sentimentos dos familiares. Estão enriquecendo as custas da boa fé do público que acredita nessa barbárie, nesse engodo, da pseudo ciência.

    

     Os cientistas fazem a criopreservação em dezenas ou centenas de anos, pois, as vítimas querem no futuro ver como está o mundo. Nesse período talvez não exista mais nenhum cientista atual, e nem familiares das vítimas e muito menos essa empresa de sarcófagos.

 

     As autoridades deveriam intervir nessa empresa que está roubando a boa fé das pessoas que querem viver pós-morte. Obriguem os cientistas a comprovarem a sua tese de criogenia, fazendo com que ressuscitem uma pessoa que esteja morta nessa empresa, caso não seja feita a ressuscitação então essa empresa deve fechar suas portas, entregar os cadáveres aos familiares para serem enterrados e devolver todo dinheiro que por ventura tenha lesado esses familiares dos mortos. Isso se chama crime de lesa consciência.

 

Ernani Serra

 

https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/08/06/criogenia-congelamento-de-corpos-em-busca-da-vida-eterna-funciona-veja-os-avancos-e-desafios-do-tema.ghtml

 

https://saude.abril.com.br/coluna/tunel-do-tempo/existem-350-corpos-congelados-para-serem-ressuscitados-no-futuro

 

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2018/09/15/interna-brasil,706099/familia-briga-por-corpo-congelado-de-brasileiro-desde-2012-nos-eua.shtml


Pensamento: Para quê preocuparmo-nos com a morte? A vida tem tantos problemas que temos de resolver primeiro.

 

Confúcio

 

 


 



 AMACRO

 

     Uma arriscada fronteira do desmatamento na Amazônia.

 

     Desmatamento, violência no campo e fogo andam de mãos dadas rumo ao interior da Amazônia pela fronteira sul do desmatamento

 

     Ampliação de desmatamento na BR 319, em Canutama, Amazonas, em 11 de setembro de 2021.

 

     Até 1975, a Amazônia brasileira havia perdido apenas 1% de sua cobertura florestal. Quase cinquenta anos depois, o Brasil já perdeu quase 20% de sua porção da maior floresta tropical do mundo, segundo dados do MapBiomas. O motor para tanta destruição foi a implementação de uma ideia equivocada de que a floresta seria um empecilho, um “inferno verde” a ser vencido para dar lugar ao “desenvolvimento”. Modelo defendido até hoje e que segue fazendo vítimas, acumulando tragédias e promovendo a miséria para muitos e lucro para poucos. 

 

     O carro chefe deste modelo é a produção agropecuária, que avança sobre a floresta, apoiada no desmatamento e no uso do fogo. Hoje em dia, a ciência já provou que, na verdade, a floresta tem muito mais valor em pé, do que desmatada. Apesar disso, a visão “desenvolvimentista” do século passado ainda é defendida pelas elites econômicas e executada com apoio de políticos e empresas.

 

     O desmatamento para a produção de commodities já está consolidado em áreas onde antes existiam floresta, como o Mato Grosso e parte do Pará. Mas o arco do desmatamento segue avançando, especialmente no sudoeste e oeste do Pará, onde a escala de destruição segue alcançando proporções titânicas, e na região sul do bioma, onde se encontram os estados de Rondônia, Amazonas e Acre, área visitada pelo Greenpeace Brasil na expedição realizada em setembro de 2021, e que vem se destacando nos últimos anos, devido a velocidade e voracidade com que a floresta é consumida.

 

     A porção de floresta que existe nessa região resiste graças à criação, no passado, de Unidades de Conservação estaduais e federais e é a barreira que protege a parte mais preservada da Amazônia. Permitir que a destruição avance por essa região pode ser um caminho sem volta, com consequências desastrosas para o Brasil e para o mundo.

 

 

     Fogo reacende a fronteira adormecida

 

     Como acontece em outras fronteiras de desmatamento na Amazônia, o processo de mudança do uso da terra começa com a retirada da madeira de maior valor, seguida da derrubada das árvores menores e, consequentemente, as queimadas, que são usadas no processo de desmatamento. De 1 de janeiro a 20 de outubro deste ano, os três estados (AM, RO e AC), juntos, responderam por quase metade (49,5%) dos focos de calor identificados na Amazônia, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Amazonas, sozinho, concentrou 21% dos focos de calor (14.356) do período. 

 

     De 1 de janeiro a 7 de outubro, os alertas de desmatamento do Deter-B nesses três estados juntos chegaram a 3.208 km², segundo dados do Inpe. “De 2019 para cá houve um aumento na área de grilagem de terras em Rondônia. Algo que muitas vezes a gente tá chamando de ‘grilagem online’, que são propriedades declaradas, em áreas próximas a unidades de conservação e até mesmo dentro das unidades de conservação”, relata a pesquisadora do Programa de Geografia da Universidade Federal de Rondônia, Amanda Michalski.

 

     A grilagem, aliás, é um grande problema na Amazônia como um todo. No último ano, 31,63% dos alertas de desmatamento foram detectados em florestas públicas não destinadas. Essa situação pode se intensificar ainda mais se projetos de Lei como o 2633/2020, conhecido como PL da Grilagem, aprovado em agosto deste ano pela Câmara dos Deputados, forem aprovados. Na prática, este projeto irá anistiar invasores de terra pública e incentivará novos ciclos de grilagem. O PL aguarda agora a aprovação no Senado e pode ser votado a qualquer momento.

 

 

     Rebanho em fazenda na BR 319, em Porto Velho, Rondônia. (© Nilmar Lage / Greenpeace)

De acordo com Michalski, o gado é usado na região como “um manto, para disfarçar o crime ambiental que vem a partir da grilagem de terra”. De acordo com informações do IBGE, em 2020, Rondônia contava com um rebanho bovino de 14,8 milhões de cabeças de gado, isso equivale a oito bois para cada habitante do estado.

 

     A pecuária extensiva avança pautada na abertura constante de novas áreas. Muitas vezes a pecuária é utilizada no processo da grilagem, onde as áreas, depois de derrubadas e ocupadas com alguns bois, acabam legalizadas por vários meios. Essas terras, posteriormente, podem ser repassadas para a produção de commodities, a exemplo da produção agrícola que utiliza de mecanização e fertilização para produzir grãos, principalmente soja. A soja por sua vez tem se expandido continuamente na Amazônia, em áreas que eram previamente pastagens, deslocando a pecuária para áreas de floresta. Resumindo: o gado abre espaço para a soja entrar.

 

     “Hoje a gente já observa que essa pecuária que tá no norte de Rondônia já avança para o sul do Amazonas e parte do Acre, e a soja avança aqui em Porto Velho”, explica. De acordo com a pesquisadora, a ação dos governos estadual e federal tem sido determinante para a intensificação desse processo na região.

 

     Em maio deste ano, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (sem partido), sancionou a Lei Complementar 1.089, que extinguiu 202 mil hectares de áreas protegidas no estado, retirando a proteção de porções significativas da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e do Parque Estadual de Guajará-Mirim. A Resex Jaci-Paraná perdeu quase 90% de seu território e o Parque Estadual de Guajará-Mirim perdeu 55 mil hectares. Essa lei está sendo questionada na Justiça.

 

     “Rondônia é como um laboratório do crime ambiental. Se deu certo em Rondônia, isso vai se intensificar e a gente vê este processo a partir do que eles estão querendo montar, essa nova regionalização que é a chamada AMACRO”, alerta a pesquisadora.

 

 

     Proposta de regionalização econômica, AMACRO abrange 32 municípios dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia.

 

     AMACRO é um acrônimo formado pelas iniciais de Amazonas, Acre e Rondônia, e trata-se de uma regionalização econômica que visa incentivar a produção agropecuária na região. Apesar de a palavra “sustentabilidade” estampar todas as publicações oficiais a respeito do projeto – o nome atual do plano é Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunâ-Madeira -, sua estrutura está construída em torno da ampliação de infraestrutura e incentivos voltados à produção agropecuária.

 

     “Isso é preocupante, principalmente porque além de incentivar um modelo nada inclusivo e que se nutre de desmatamento, não conversa com a urgência climática e com a crise da biodiversidade, podendo abrir cada vez mais acesso para partes praticamente intactas da Amazônia”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

 

      O exemplo mais próximo desta iniciativa pode ser visto no Cerrado, com o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde o modelo promoveu a concentração de renda, de terras, desmatamento e esgotamento dos recursos naturais, além do acirramento da violência no campo.

 

     Para o Queops Silva de Melo, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) de Lábrea, infelizmente as políticas públicas na região são mais direcionadas para o agronegócio do que para atividades que convivem com a floresta, o que resulta nessa disparidade entre os modelos econômicos. “O que a gente precisa aqui é incentivo à produção extrativista. Essa região do Sul do Amazonas é vista como área de exploração livre, você pega a produção do indígena, do ribeirinho, e leva a preço baratíssimo. Ao mesmo tempo, vão trazendo coisas de fora que não são da nossa cultura, não é da nossa vocação, nosso sistema aqui é um sistema riquíssimo de biodiversidade. Se valorizasse isso com política pública a gente teria recursos suficientes para todo mundo viver bem”.

 

     Violência na floresta

 

     De acordo com o último relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre Violência no Campo, em 2020 foram registrados 69 conflitos no Acre, 68 no Amazonas e 72 conflitos em Rondônia. Em todo o Brasil, foram 2.054 ocorrências de conflitos no campo, o maior número da série histórica do levantamento, que começou em 1985.

 

     “Aqui atualmente o conflito por terra não é tanto pela propriedade da terra, pelo assentamento. O pessoal está brigando para ficar acima da terra. A maior parte dos conflitos é de pessoas que se vêem ameaçadas e expulsas de suas terras. E para isso muitas vezes usam o fogo, o desmatamento e a destruição como forma de expulsar as comunidades tradicionais de seus territórios e da floresta que é sua fonte de recursos e de vida”, conta Josep Iborra Plans, missionário da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Porto Velho.

 

     O missionário relata casos de ameaça, expulsão, trabalho escravo e até assassinatos, onde os culpados dificilmente são identificados ou punidos. O representante da CPT fala de uma justiça desigual, que pune o pequeno colono, enquanto inocenta grandes grileiros. “O Estado, de uma forma assim de propósito, se faz ausente, deixando os pistoleiros agirem e que impere a lei dos mais fortes, dos grandes grileiros”, afirma.

 

     São casos como o do agricultor Antônio da Silva*, que vivia em uma comunidade ribeirinha em Rondônia e foi expulso da terra que habitou por 25 anos. “Um dia chegou uma pessoa lá dizendo que era dona da minha terra e de mais 18 mil hectares. Me chamaram para entrar num acordo que eu acredito que ia custar a minha vida, né? Então eu não aceitei e hoje eu tô pagando esse preço”, relata. Depois da recusa, o agricultor passou a ser ameaçado e perseguido por pistoleiros, teve sua área cercada, seus animais de criação mortos, até que as ameaças se intensificaram de tal maneira, que ele foi forçado a sair de sua terra.

 

     O extrativista Augusto de Souza* traz um relato parecido. Depois de anos vivendo da coleta de castanhas em uma reserva extrativista no Amazonas, viu seu mundo virar de cabeça quando grileiros invadiram seu castanhal e o expulsaram da área. Hoje, as castanheiras centenárias não existem mais e a sensação é de impotência. Ambas identidades foram preservadas nesta reportagem, para segurança dos entrevistados, que seguem sob ameaça.

 

 

     “No Sul de Lábrea foi mais ou menos assim, tinha os extrativistas de castanha, os seringueiros, e aí começou a invasão. O pessoal começou a entrar, os madeireiros tirando madeira, depois vinham os pecuaristas derrubando o resto. Alguns dos extrativistas que resistiam ao preço deles, eles diziam que então custaria R$ 4, que é o preço de uma bala”, conta Adelson Arruda de Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Lábrea, que viu a economia do município, antes baseada na agricultura familiar, avançar rumo à concentração de terra e onde a pecuária responde pela maior parte da produção.

 

     Segundo Adelson, muitos dos “novos donos” da terra vem de outros estados, como o Paraná e Mato Grosso. “O que acontece com o agricultor familiar depois que ele é expulso da terra? Ele deixa a agricultura familiar e vem para a cidade basicamente para passar necessidade, passar fome”, relata.

 

     A flexibilização da legislação ambiental e a falta de fiscalização são as causas apontadas pela missionária Laura Vicunha, do CIMI de Rondônia, para o avanço das invasões e da violência que sofrem os povos indígenas no estado.

 

     “O território Karipuna, por exemplo, é um território que no passado já foi reduzido 40 mil hectares e é um povo pequeno, então fazem de tudo para pressionar esse território. Esse ano a pressão se intensificou ainda mais, sobretudo na parte sul da terra indígena, que foi impactada por aquela lei (1.089) que desafetou a Resex Jaci-Paraná e parte do Parque Estadual Guajará Mirim. Com essa pressão e com essa liberação, a legalização da grilagem, fez com que o desmatamento e os focos de queimada voltassem a subir”, afirma.

 

     Entre 2017 e 2020, foram devastados 3.646 hectares da TI Karipuna, que ocupa a posição de 9ª terra indígena mais desmatada na Amazônia. Os relatos de extração ilegal de madeira, ameaças e até de loteamentos dentro da TI são fartos, mas os problemas continuam, o que levou os Karipuna a entrarem com uma ação judicial contra a União, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo de Rondônia por inação. Na ação, os indígenas pedem que os invasores sejam expulsos, que as obras realizadas dentro da TI sejam destruídas, que as áreas desmatadas ilegalmente sejam recompostas e que a TI seja, de fato, protegida e fiscalizada.

 

     A situação das populações indígenas não é muito melhor no Amazonas, onde o avanço da agropecuária ameaça a vida dos povos de norte a sul do estado. De acordo com Queops, do CIMI, as queimadas e o desmatamento impactam a saúde e a sobrevivência dessas populações. “A fronteira agrícola vem chegando e uma das coisas que preocupa a gente é que todas essas comunidades, essas aldeias, o principal acesso é pelo rio, mas os igarapés estão sendo fortemente ameaçados, eles estão secando e essa população está sendo forçada a migrar de um local para o outro, devido a esse desmatamento nas cabeceiras dos rios vindo do sul do município”, conta.

 

 

     As constantes ameaças vindas de Brasília, como a possibilidade de aprovação do Marco Temporal, adicionam uma camada extra de pressão. A tese, defendida arduamente por ruralistas, dentro e fora do Congresso, e pelo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu “não demarcar um centímetro de terra índigena” em seu governo, argumenta que um povo indígena só pode ter sua terra demarcada se conseguir comprovar que estava sobre ela no dia 5 de outubro de 1988, data em que a Constituição foi promulgada, ignorando todo o processo colonizatório, em que muitos povos foram dizimados, escravizados, proibidos de falar seu idioma e exercer sua identidade cultural, além de expulsos de suas terras.

 

     “Não é assim, nós estamos aqui há muito tempo, nós estamos aqui muito antes de 5 de outubro de 1988. Então, nós entendemos que a demarcação dos nossos territórios precisa ser concluída. Eu tenho o meu território demarcado. Já outros parentes aqui da nossa região não tem. Então precisamos lutar por eles”, defende Antônio Enésio Tenharim, coordenador geral Organização dos povos indígenas do Alto Madeira (Opiam). De acordo com o Antônio, esta não é a única ameaça vinda de Brasília. O sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), o Projeto de Lei 191/2020, que visa permitir a mineração em TIs, também ameaçam a integridade dos povos indígenas não só do Amazonas, mas de todo o Brasil.

 

“Vivemos um momento em que a floresta e seus povos estão seriamente ameaçados pelo enfraquecimento de órgãos públicos de controle, por uma série de propostas no âmbito legislativo, que objetivam entregar as florestas públicas para o desmatamento, e por uma visão de desenvolvimento que já se mostrou equivocada para a Amazônia”, afirma Cristiane Mazzetti. “A região do sul do Amazonas, norte de Rondônia e Acre é mais uma expressão desse modelo que precisa ser revisto imediatamente, dada a emergência climática e a vulnerabilidade social presente no Brasil. É preciso viabilizar uma economia capaz de conviver com a floresta e promover real desenvolvimento na região”, defende.

 

     Faltando poucos dias para a 26ª Cúpula Climática da ONU, também conhecida como COP26, brasileiros e o resto do mundo voltam suas atenções para ouvir o que os governos apresentarão como contribuições para solucionar a crise climática. O Brasil, que poderia ser uma liderança neste debate, infelizmente, segue na direção oposta.

    

     Greenpeace Brasil•7 de julho de 2023•

 

     Comentário:

     Querem acabar com as florestas: da Amazônia, dos Cerrados e da floresta Atlântica.

     Não há interesse político para zerar o desmatamento dessas florestas. O presidente Lula pretende zerar o desmatamento do Amazonas em 2030, mas do jeito que vai, em 2030 não haverá uma árvore em pé. Se houvesse interesse em zerar o desmatamento deveriam começar agora, ou ontem, o tempo está acabando e à Fervura Global está começando e a humanidade estão prestes a ser extintas, tudo por causa da ganância e ignorância de grupos poderosos que querem o lucro não importa a que preço, se amanhã todos estejam mortos.

     Os incêndios em toda parte do mundo são criminosos não tem a ver com o Aquecimento Global, se o aquecimento tocasse fogo não seria em determinados locais e sim em toda a floresta ou mata, nunca houve incêndios espontâneos no passado. O incêndio na floresta do Canadá foi criminoso porque as chamas começaram simultaneamente no Leste e no Oeste do Canadá. Estão querendo áreas para expandir os centros urbanos por causa da explosão demográfica mundial. No Amazonas é para virar pastos para engorda do gado que vai se transformar em commodities para exportar e matar a fome de países estrangeiros, enquanto no Brasil, o povo passa fome e vive na miséria social. O presidente Lula é o presidente do faz de conta que governa, no país do faz de conta.

 

Ernani Serra

 

https://www.google.com.br/search?q=AMACRO&sxsrf=AB5stBh2LhBlLa30NXuAsttE-NzztBQ76w%3A1691290344122&source=hp&ei=6ArPZKefBfSV5OUPyvOIqAk&iflsig=AD69kcEAAAAAZM8Y-CJq3ExCNqNeEtvb4r-YML_NxVSs&ved=0ahUKEwins6_Bg8eAAxX0CrkGHco5ApUQ4dUDCAk&uact=5&oq=AMACRO&gs_lp=Egdnd3Mtd2l6IgZBTUFDUk8yBRAAGIAEMgoQABiABBixAxgKMgcQABiABBgKMgQQABgDMgcQABiABBgKMgcQABiABBgKMgoQABiABBixAxgKMgcQABiABBgKMgoQABiABBixAxgKMgcQABiABBgKSO1YUP81WLZAcAF4AJABAJgBpQGgAfoGqgEDMC42uAEDyAEA-AEBqAIKwgIHECMY6gIYJ8ICBxAjGIoFGCfCAgQQIxgnwgIREC4YgAQYsQMYgwEYxwEY0QPCAgsQABiABBixAxiDAcICDhAuGIAEGLEDGMcBGNEDwgILEC4YigUYsQMYgwHCAgsQLhiABBixAxiDAcICCBAAGIAEGLEDwgIIEC4YgAQYsQPCAgsQABiABBixAxjJA8ICCBAAGIoFGJIDwgINEAAYgAQYsQMYsQMYCg&sclient=gws-wiz

 

Pensamento: Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.

 

Maquiavel

 

 

 

 


DESTRANSIÇÃO DE SEXO

 

     SuperPop 02/08/2023: Destransição de sexo já ouviu falar?

     SuperPop fala sobre destransição;

     O SuperPop desta quarta-feira, 02 de agosto, traz mais uma edição sob o comando de Luciana Gimenez.

 

     No programa desta semana a apresentadora recebe convidados que falam sobre a destransição de sexo, um termo pouco conhecido, mas que chamou atenção do público depois que uma influenciadora digital que havia feito a transição sexual se arrepender do procedimento.

 

     Ela se arrependeu devido a ter mudado de vida e se encontrado em uma igreja evangélica, diante da nova vida, ela passou então a batalhar para voltar a ser ele.

 

     No palco, Luciana Gimenez ainda recebe pessoas que passaram pela transição sexual e estão felizes com o procedimento que lhes deu o corpo que tanto desejavam.

 

     Comentário:

     Estamos num mundo estranho, exótico, surreal, onde algumas pessoas não sabem o que querem sexualmente, e recorrem a Ciência para mudar o seu gênero. Antigamente todo mundo se conformava com o corpo que Deus lhe deu, depois que os médicos descobriram os métodos de transformação do corpo humano, essas pessoas ficaram indecisas, e começaram a mudar o seu corpo original.

     O mundo está de cabeça para baixo, verdadeiro inferno, essas pessoas fazem essas transformações no corpo porque têm dinheiro vadio, se fossem pobres, se conformavam com o seu corpo original. Essas pessoas estão se tornando criaturas disformes, sem personalidade definida, uma aberração social que vai de encontro com os princípios da natureza, uma criatura indefinida que deixou de ser o que a natureza determinou no ventre de sua mãe.

     A sociedade é responsável por essas criaturas disformes porque apoiam e vem dando suporte para a expansão dessas transformações mutantes. Não existem mais críticas só existem aplausos e apologias as transformações disformes do corpo humano.

     A destransição de sexos mostra o caráter dessas pessoas que não sabem o que querem e vivem numa corda bamba. Trocam de sexos como se fossem trocar de vestuário. Esses transgêneros têm alguma deformação psicológica na educação familiar. Deus não coloca um ser humano com gênero errado, o erro vem da sociedade.

 

Ernani Serra

 

https://www.youtube.com/watch?v=EcRBB-sqdzk

 

Pensamento: A vida é como um restaurante, ninguém vai embora sem pagar.

 

Anônimo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


FERVURA GLOBAL

 

 

      O clima está tão quente que saímos da Era do Aquecimento Global e entramos na Era da Fervura Global.

     A informação de que julho foi o mês mais quente já observado na Terra desde o começo dos registros meteorológicos foi divulgada nesta sexta-feira (13) pela NOAA, a agência de clima do governo norte-americano. De acordo com a NOAA, a temperatura média no último mês foi a mais alta para julho e qualquer mês do ano já observada pela ciência.

     O Hemisfério Norte teve a temperatura apenas da superfície terrestre mais alta já anotada em julho com um valor sem precedentes de 1,54ºC acima da média do século 20, superando o recorde anterior estabelecido em 2012. A Ásia teve seu julho de maior temperatura média já registrada, superando o recorde anterior estabelecido em 2010. A Europa teve o seu segundo julho mais quente já registrado, empatando com julho de 2010 e ficando atrás de julho de 2018. A América do Norte, América do Sul, África e Oceania tiveram um mês de julho que ficou entre os dez mais quentes já observados.

     Um comunicado divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta quinta-feira (27) aponta que o atual mês de julho está a caminho de se tornar o mês mais quente de toda a série histórica de medições.

 

A afirmação tem como base os dados do Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), um observatório financiado pela União Europeia.

O Copernicus já verificou que as três primeiras semanas deste mês registraram uma temperatura média global acima de qualquer outro período equivalente já monitorado desde 1940.

No começo deste mês, o Copernicus declarou junho como o mês mais quente a nível global, um pouco mais de 0.5°C acima da média de 1991-2020, o que superou por ampla margem o recorde anterior de 2019.

     Comentário:

     O planeta está caminhando para o fim da espécie humana e de todos os seres vivos.

 

Ernani Serra

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=AQUECIMENTO

 

Pensamento: Não existe plano B porque não há um planeta B.

 

Ban Ki-Moom

 

 

 


A NATUREZA E O HOMO SAPIENS

    

     O homem em seu estado de evolução biológico e em todos os aspectos cívicos e militares conseguiu construir uma sociedade justa, no começo tudo eram flores, Deus foi lhe dando asas e o homem foi voando cada vez mais alto, queria chegar aos céus, mas não passou de uma efêmera ilusão, uma miragem no deserto de sua essência de homo sapiens. Está caindo com sua asa de cera.

     Ficou tão empolgado com sua sabedoria que se esqueceu de fazer os cálculos da procriação, da produção e do espaço físico, e se proliferou como verdadeiros vírus, gafanhotos... na face da Terra.

     Hoje, está sofrendo as consequências da explosão demográfica mundial, esse homo sapiens virou burro sapiens, como um ser monstruoso e aniquilador do meio ambiente vem devastando as florestas, poluindo as águas das hidrografias, o ar, a terra, de maneira criminosa, ostensiva e irresponsável. Transformou os rios e mares num sanitário público e também num lixeiro a céu aberto. O que esse homo sapiens quer? Que a natureza o elogie! A natureza está sofrendo as causas insanas desse homem que só vê as riquezas monetárias e só dá valor ao que não tem valor perante a natureza, o homo sapiens foi tomado pela ambição do ter financeiro e dar valor somente ao que o homem dá valor na sociedade na selva de pedras. O homem está destruindo tudo para se proliferar e tentar viver e sobreviver as custas da miséria da Mãe Natureza.

     A mãe natureza está cansada de tanto sofrimento, está fisicamente ferida e prestes a morrer por causa do homo sapiens. A natureza é justa e sabe se defender das agressões do homem, ela é o juiz do homem, o homem a maltrata e ela está dando o troco, é a lei de causa e efeito. O homem pensa que a natureza é morta, está enganado, tudo na natureza tem vida e em abundância, a vida está em tudo e em todos, só a morte é que é estéril e se torna volátil.

     O homem na sua ganância, vaidade, prepotência... pensa que está evoluindo com suas engenhosidades, criações que parecem ser fantásticas, como: Inteligência Artificial, robotização, viagens cósmicas, 5G....; proliferação da selva de pedra em todas as partes do mundo causando um mundo árido sem águas com uma miríades populacional de famintos. Toda a sua jornada de homo sapiens o homem só criou um cadafalso para o seu enforcamento próximo. O que o homem acha de progresso tecnológico moderno não passa de uma armadilha para si mesmo. Essa epopeia do homo sapiens só criou uma estufa (aquecimento global) que a cada dia fica mais quente. O homem não pode mais reverter o quadro populacional para sobreviver na Terra, mas a natureza pode, estar mostrando ao homem que vai diminuir a população mundial para salvar as vidas no planeta Terra.

     A natureza a cada dia está mais quente, uma verdadeira estufa, e já começa a matar milhares de pessoas pelo aquecimento global, aí é que está a sabedoria da natureza, ela vai diminuir a população mundial para que haja um mundo melhor para o homem e para todas as outras vidas terrestres e marítimas. A maioria do homem vai morrer sufocado sem ar na sua própria câmara de aquecimento global, com essa temperatura super, alta, o ar vai ficar rarefeito e milhões de pessoas vão morrer instantaneamente. A natureza vai usar a revolução e evolução do homo sapiens para eliminar a grande população mundial e salvar o homem.

     O homem está no corredor da morte e não se deu por conta, está num impasse, entre a cruz e a espada, ou continua como está e todos vão morrer ou se sacrifica uma parte para salvar a todos. A natureza que é sábia já está sacrificando uma parte para salvar a todos.

 

Ernani Serra

 

Pensamento: Quem não pensa no futuro morre no presente.

 

Ernani Serra



TELESCÓPIO ESPACIAL JAMES WEBB DA NASA

 

NASA divulga imagem espetacular para celebrar o Telescópio Espacial James Webb

 

Por Joel Achenbach

12 de julho de 2023 às 6h17 EDT

 

A imagem do primeiro aniversário do Telescópio Espacial James Webb da NASA mostra o complexo de nuvens Rho Ophiuchi, a região de formação estelar mais próxima da Terra. (NASA/ESA/CSA/STScI/Klaus Pontoppidan)

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O Telescópio Espacial James Webb foi projetado para escavar um túnel mais profundo no espaço e mais para trás no tempo do que qualquer outro observatório anterior, com o audacioso objetivo de ver as primeiras galáxias que iluminaram o jovem universo. Criar imagens bonitas sempre foi um recurso agradável, mas auxiliar, de ter essa incrível nova peça de hardware no espaço.

 

Hoje, 365 dias depois que a NASA revelou o primeiro lote de dados e imagens da missão, está claro que o JWST pode produzir fotos científicas e de beleza com igual desenvoltura. A NASA está marcando o primeiro aniversário da estreia científica do JWST com o lançamento de uma nova imagem, demonstrando a capacidade do telescópio de re-visualizar o universo . A imagem dramática, um tanto alucinatória, captura o dinamismo do complexo de nuvens Rho Ophiuchi, a região de formação de estrelas mais próxima da Terra, onde sistemas planetários como o nosso podem estar nos estágios iniciais de formação.

 

“O telescópio está funcionando melhor do que esperávamos”, disse a astrofísica da NASA Jane Rigby, que no início deste mês se tornou a cientista sênior do projeto JWST.

 

 

A comunidade científica foi um pouco conservadora ao planejar sua agenda para o primeiro ano de observações, mas este próximo ano de ciência aproveitará ao máximo o que o telescópio pode fazer, disse Rigby. “Estamos ficando mais ousados ​​no segundo ano.”

 

A jornada do JWST ao redor do sol não foi sem lombadas. O primeiro ano de operações científicas incluiu uma breve pausa na coleta de dados por motivos de segurança e uma colisão de parar o coração com a poeira espacial que forçou os gerentes de projeto a voar o observatório mais ou menos para trás a partir de agora.

 

 

Parte do primeiro lote de imagens divulgado em julho passado, o JWST capturou esta visão do Quinteto de Stephan, um grupo de cinco galáxias localizadas a cerca de 290 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Pegasus. (NASA/ESA/CSA/STScI).

Mas os cientistas que trabalham com os dados baixados do telescópio estão entusiasmados com seu desempenho ao observar a porção infravermelha do espectro, reunindo luz que não pode ser coletada por seu antecessor, o Telescópio Espacial Hubble.

 

A grande manchete até agora é que o JWST viu muitas galáxias surpreendentemente brilhantes no início do universo. Isso provou ser um pouco confuso.

 

Faça um tour cósmico dentro das imagens capturadas pelo telescópio Webb da NASA

 

Não, o JWST não refutou a teoria do big bang. A cosmologia não seguiu o caminho da frenologia. Mas as observações de tanta luz vinda do período inicial da formação galáctica causaram muita confusão. Observação e teoria não foram perfeitamente alinhadas.

 

 

“Acho que há uma tensão”, disse o físico Massimo Stiavelli, chefe da missão JWST no Space Telescope Science Institute em Baltimore. “Isso é inegável, porque as coisas são diferentes do que pensávamos que seriam.”

 

Principais descobertas do JWST

 

O JWST voltou seu olho infravermelho para Saturno em junho para conduzir uma busca profunda por uma nova estrutura de anel e luas fracas. (Escritório de divulgação pública do Space Telescope Science Institute/NASA)

O JWST foi concebido no final da década de 1980 como o sucessor do Hubble ainda a ser lançado, mas sofreu muitos anos de atrasos e encontros de quase morte com legisladores preocupados com o orçamento. É um investimento de US$ 10 bilhões. Ele não foi projetado com o tipo de recursos modulares que permitiriam a substituição de peças se algo desse errado.

 

Também está no espaço profundo, em uma órbita gravitacionalmente estável ao redor do sol chamada L2 que o mantém a cerca de um milhão de milhas da Terra. Atualmente, a NASA não possui naves espaciais para transportar astronautas para L2 e vice-versa.

 

Tudo isso reforça a alegria dos cientistas de que o telescópio funcione conforme planejado.

 

 

Para um telescópio deste tipo, um ano é muito. Os espelhos do telescópio devem permanecer extremamente frios e não podem ser apontados para qualquer lugar perto do sol, então não espere ver nenhuma imagem bonita do JWST de Vênus. Mas uma órbita completa dá ao telescópio a chance de cobrir a maior parte do universo.

 

O JWST, lançado na manhã de Natal de 2021, na verdade fez uma órbita e meia, mas os primeiros seis meses foram dedicados à implantação de sua enorme variedade de espelhos hexagonais revestidos de ouro e um amplo guarda-sol para mantê-los frescos, como bem como afinar os seus instrumentos.

 

A luz coletada por esses espelhos carrega informações sobre múltiplas camadas do universo, desde as galáxias mais distantes, mais escuras e quase imperceptíveis até galáxias mais extravagantes em primeiro plano e nuvens de poeira e gás formadoras de estrelas dentro de nossa própria Via Láctea. E olhou para nossa vizinhança imediata, o sistema solar, retornando fotos dignas de pôsteres de Júpiter e Saturno que estão repletas de dados científicos.

 

 

Este mosaico de cerca de 20 imagens do JWST revela uma visão gloriosa de cerca de 100.000 galáxias. (Escritório de Divulgação Pública do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial)

O universo inicial é onde o JWST fez suas investigações mais interessantes e, às vezes, intrigantes. O objetivo é entender como o universo primitivo evoluiu, como as galáxias se formaram e como chegamos onde estamos – em um planeta orbitando uma estrela em um dos braços espirais de uma grande galáxia.

 

 

“Nossa casa é a Via Láctea”, disse Brant Robertson, astrofísico teórico da Universidade da Califórnia em Santa Cruz. “Isso é uma galáxia. É uma bela galáxia. Podemos tirar fotos de dentro. Mas isso levanta a questão: como ele chegou aqui? Como se formou?”

 

Esta arqueologia cósmica é o motivo pelo qual o JWST foi construído em primeiro lugar. Uma característica estranha do universo é que a luz é eterna. Fica mais fraco, mas ainda está lá, incluindo a luz mais antiga, fortemente deslocada para a porção infravermelha do espectro pela expansão do espaço que vem acontecendo desde o big bang. Os astrofísicos podem usar o JWST para escanear galáxias com redshift extremamente alto, cavando cada vez mais fundo no passado.

 

Robertson co-escreveu um dos dois artigos recentes que descrevem a galáxia mais distante já detectada e confirmada pelo JWST, chamada JADES-GS-Z13-0. Foi encontrado no redshift 13.2, que corresponde a cerca de 320 milhões de anos após o big bang. Existem alegações de possíveis galáxias com desvios para o vermelho mais altos, mas elas aguardam confirmação, disse ele.

 

 

Questionado sobre como é a galáxia, ele disse: “É uma mancha”.

 

Mas e se você pudesse de alguma forma entrar em uma espaçonave e se transportar através de vários buracos de minhoca para o passado distante e pairar bem próximo a essa galáxia? Então, como seria?

 

“Se você pudesse estar ao lado dela, a própria galáxia seria muito azul aos seus olhos, porque está formando estrelas”, disse Robertson. “Seria um diamante muito azul no início do universo.”

 

Um quebra-cabeça sobre as primeiras galáxias

 

A câmera infravermelha do JWST capturou esta imagem de Júpiter. Como a luz infravermelha é invisível ao olho humano, a luz foi mapeada no espectro visível. (Equipe NASA/ESA/CSA/Jupiter ERS)

Imediatamente, os astrônomos que analisaram os dados do JWST no início do universo detectaram algo que desafiou as expectativas: muitas galáxias estranhamente brilhantes.

 

O brilho é uma aproximação da massa. Galáxias muito brilhantes, portanto, normalmente seriam consideradas muito massivas. Mas as galáxias precisam de tempo para crescer. Os teóricos já haviam elaborado uma linha do tempo geral para a evolução das primeiras galáxias, e as detectadas pelo JWST parecem à primeira vista notavelmente maduras para sua idade.

 

 

O JWST pode estar dizendo aos cientistas que a formação de galáxias no início do universo foi de alguma forma mais eficiente do que se sabia anteriormente.

 

“Há alguns ajustes que precisamos fazer em nossas teorias sobre como essas galáxias iniciais se formaram e desenvolveram suas estrelas”, disse Jeyhan Kartaltepe, astrofísico do Instituto de Tecnologia de Rochester.

 

“Nada do que vimos me faz pensar que quebramos a cosmologia”, disse Rigby. “O que isso está nos dizendo é que as galáxias começaram a agir antes do que acreditávamos.”

 

Contra-intuitivamente para aqueles de nós que não são astrofísicos, os buracos negros podem ser outro fator na luminosidade dessas primeiras galáxias. Embora, por definição, um buraco negro seja uma estrutura com um campo de gravidade tão intenso que nem mesmo a luz consegue escapar, a região ao redor de um buraco negro pode brilhar à medida que o gás e a poeira ficam superaquecidos caindo em direção ao horizonte de eventos.

 

 

Uma multidão de galáxias e estrelas individuais brilhantes se aglomeram nesta imagem do Telescópio Espacial James Webb. (ESA/Webb, NASA & CSA, A. Martel)

No ano passado, Rebecca Larson, na época ainda candidata a doutorado na Universidade do Texas em Austin, viu algo peculiar ao examinar dados de uma galáxia extremamente distante chamada CEERS 1019. Ela emitiu essa luz há mais de 13 bilhões de anos - quando o o universo estava apenas começando a rolar, e as galáxias eram pequenos grupos malformados de estrelas quentes, jovens e azuis brilhantes.

 

 

Larson ficou intrigado com a luz excepcionalmente brilhante que vinha do núcleo do CEERS 1019. “Que diabos é isso?” ela pensou.

 

O que ela imaginou ser – corretamente – é um buraco negro supermassivo. A galáxia, embora jovem, já havia conseguido criar um buraco negro que os cientistas estimam ter uma massa igual a 10 milhões de sóis. Um relatório de Larson e seus colegas descrevem isso como o primeiro buraco negro supermassivo ativo já detectado.

 

Emoção sobre exoplanetas

 

Netuno e seus anéis brilham em uma imagem infravermelha capturada pelo JWST. Os anéis do planeta não eram vistos com tanta clareza desde que a espaçonave Voyager 2 passou por Netuno em 1989. (Joseph DePasquale/STScl/NASA/ESA/CSA)

O que o ano passado também começou a mostrar é que o JWST é, nas palavras do astrofísico Garth Illingworth, uma “potência espectroscópica”. Ele provou ser espetacular ao captar os espectros da luz que coleta, que carregam informações sobre o objeto observado.

 

Essa habilidade rendeu uma das primeiras grandes descobertas do telescópio: dióxido de carbono na atmosfera de um planeta gigante, WASP 39b, orbitando uma estrela distante. O próprio planeta não é visível com a tecnologia atual. Mas conforme ele passa na frente ou atrás de sua estrela-mãe, as mudanças na luz estelar codificam informações sobre a atmosfera do planeta.

 

 

Até o JWST, ninguém havia feito uma detecção definitiva de dióxido de carbono na atmosfera de um exoplaneta, disse Knicole Colon, astrofísico da NASA.

 

“A primeira vez que vimos a assinatura espectral desse recurso, foi simplesmente lindo”, disse ela. “Isso nos atingiu na cara. Aqui está este sinal enorme, que foi fantástico.”

 

 

O instrumento de infravermelho médio no JWST revelou os detalhes finos desta nebulosa em torno de um objeto incomum chamado estrela Wolf-Rayet, uma das estrelas mais luminosas, massivas e rapidamente detectáveis ​​conhecidas. (Espaço Telescope Science Institute Office of Public Outreach/NASA/ESA/CSA/ERO Production Team)

Para ser claro, os cientistas que olham para os espectros estão olhando para apresentações gráficas de dados, não para imagens reais. Larson, que encontrou o buraco negro supermassivo, ficou tão paralisada pela assinatura espectral de uma região brilhante central naquela galáxia que, como ela disse, “nunca pensei em olhar as imagens reais do JWST”.

 

Foi quando Kartaltepe mostrou a ela a imagem da galáxia obtida pelo telescópio. Surpreendentemente, a galáxia tinha três pontos brilhantes, com um ponto particularmente brilhante bem no meio. Aquele era o buraco negro supermassivo de Larson.

 

Ernani Serra

 

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https://www.washingtonpost.com/science/2023/07/12/jwst-new-picture-first-year/?utm_campaign=wp_main&utm_medium=social&utm_source=twitter

 

 

Pensamento:   Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição.

 

Maquiavel

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