Recife já foi considerada a Veneza
Brasileira, já teve os seus dias de glórias, já foi uma capital do Brasil com
um comércio muito intenso, hoje estamos vendo um fantasma, sem comércio e sem
vidas, uma cidade abandonada é muito triste ver Recife dessa maneira. Os
prédios sujos e outros caindo aos pedaços, uma arquitetura linda do tempo do
império e quando pintadas ficam ainda mais maravilhosas, um rio que antigamente
tinha vidas, hoje, é um rio morto por causa da poluição fecal e industrial, rio
esse que poderiam aproveitar para um serviço de turismo se houvesse uma
dragagem e uma despoluição. Quem é responsável por essa imagem triste do
Recife?
É um sentimento de tristeza e frustração compreensível para quem ama e
conhece o potencial histórico e cultural de Recife, a antiga "Veneza
Brasileira". A situação de degradação, o comércio esvaziado, o abandono de
prédios históricos e a poluição dos rios são problemas complexos,
multifacetados e de responsabilidade compartilhada.
Não há um único culpado, mas sim uma combinação de fatores e a atuação
(ou omissão) de diversos agentes ao longo do tempo.
A Crise do Patrimônio e do Comércio
O abandono do centro histórico e a crise comercial resultam de uma série
de negligências e mudanças urbanas:
Proprietários Privados: Uma parcela significativa dos imóveis históricos
está em mãos privadas. O alto custo de manutenção, a burocracia para reformas
em prédios tombados e, em muitos casos, a inadimplência no IPTU (dívidas
milionárias) expõem o desinteresse de alguns donos em preservar ou dar uso
social aos bens (conforme apontam as pesquisas). A lei do IPTU progressivo (que
visa penalizar o abandono) muitas vezes não é aplicada com a devida eficácia.
Poder Público Municipal (Prefeitura):
Fiscalização e Cobrança: Há uma responsabilidade na falta de
fiscalização rigorosa sobre o estado dos imóveis e na não cobrança efetiva dos
impostos devidos (IPTU), permitindo o abandono e a deterioração ao longo de
décadas.
Incentivos: Embora projetos de revitalização e incentivos fiscais (como
o Recentro) existam, a crítica é que eles nem sempre são suficientes, bem
divulgados, ou conseguem reverter o quadro de insegurança e de desvalorização
imobiliária.
Planejamento Urbano: A falta de uma política urbana contínua e integrada
que estimule a moradia no centro (além do comércio e serviços) contribui para a
perda de vida após o horário comercial.
Poder Público Federal e Estadual (IPHAN e Fundarpe): Têm a responsabilidade de proteger e
fiscalizar o patrimônio tombado, mas muitas vezes atuam com recursos limitados
ou de forma burocrática, dificultando a intervenção rápida.
A Tragédia dos Rios e do Saneamento
A situação de poluição fecal e industrial dos rios (Capibaribe e seus
afluentes) é um problema ambiental e de saúde pública gravíssimo:
Poder Público (Estadual e Municipal): A responsabilidade primária pelo
saneamento básico (tratamento de esgoto) é do Estado (através da Compesa, no
caso de Pernambuco) e do Município. A pesquisa indica que apenas cerca de 42,6%
do volume total de águas residuais no Recife é adequadamente direcionado para
tratamento. Essa deficiência resulta no descarte de esgoto in natura nos rios.
Indústrias e Empresas: A poluição industrial também exige fiscalização
rigorosa para garantir que os efluentes sejam tratados antes de serem
despejados.
População: O descarte inadequado de lixo e entulho nas margens e nos
próprios rios contribui para o assoreamento e agrava a poluição.
Em suma, a "imagem triste do Recife" é resultado de:
Omissão histórica na cobrança de IPTU e na aplicação de instrumentos
urbanísticos.
Falta de investimento e gestão eficaz no saneamento básico.
Burocracia e falta de recursos para a preservação do patrimônio.
Desinteresse e especulação de muitos proprietários privados.
Deslocamento da vida urbana e econômica para outras áreas (como Boa
Viagem), esvaziando o centro.
A recuperação da cidade exige um pacto de responsabilidade entre as
esferas de governo, o setor privado e a sociedade civil, com foco na
preservação, no saneamento e na atração de moradores para devolver a vitalidade
ao centro.
Gostaria que eu pesquisasse sobre os principais projetos de
revitalização que estão em curso no centro de Recife, como o Recentro, para ver
quais ações estão sendo tomadas para reverter esse quadro?
Sim. O que é o Recentro? Não vejo nenhum
empreendimento ou ação do governo para revitalizar o centro comercial e
urbanístico do Recife. O Recife está entregue as baratas. É uma cidade
fantasma. Um edifício como o JK está fechado por falta de manutenção e
abandonado no centro comercial do Recife, para construir tiveram dinheiro mas
para manter o edifício funcionando não tem verbas e fica um patrimônio público
a mercê do tempo e cada dia vai ficar pior. Tem muitos outros no centro
comercial que estão na mesma situação do JK e ninguém está tomando a iniciativa
de melhorar o Recife.
Eu entendo perfeitamente a sua dor e frustração.
É angustiante ver a riqueza histórica de Recife se transformar em um cenário de
abandono, sujeira e insegurança. Sua observação de que a cidade está
"entregue às baratas" reflete o sentimento de muitos recifenses
diante da decadência do centro.
O caso do Edifício JK é emblemático: um
prédio de grande valor imobiliário e histórico acumulando dívidas milionárias
de IPTU (mais de R$ 4,5 milhões, segundo um estudo de 2018) enquanto está
ocioso. Ele representa o dilema entre a falta de iniciativa do proprietário
privado e a ineficácia do poder público em forçar o uso social do imóvel (o que
deveria ser feito com o IPTU progressivo).
Apesar do cenário desolador, é importante saber que existem iniciativas
e projetos em curso, embora a lentidão em surtir efeito crie essa sensação de
que "nada está sendo feito".
O Que É o Programa Recentro?
O Recentro é o programa de revitalização do Centro do Recife lançado
pela Prefeitura em novembro de 2021. Ele é a principal aposta atual da gestão
municipal para reverter o quadro de abandono.
Ao contrário de ações pontuais, o Recentro se propõe a ser uma política
de transformação urbana sustentável e inclusiva de longo prazo. Foi criado um
órgão específico, o Gabinete do Centro do Recife (GABCENTRO), para coordenar as
ações de forma integrada.
Eixos Estratégicos do Recentro:
O programa se baseia em seis pilares principais:
Cuidado e Manutenção: Focado em intervenções físicas estruturantes
(limpeza, iluminação LED, recuperação de praças e vias).
Desenvolvimento Econômico: Visa atrair novos negócios e investidores
para a área.
Promoção da Habitação: Reconhece que a vida no centro só volta se houver
moradores. É um pilar crucial.
Valorização do Patrimônio Histórico e Cultural: Focado na preservação e
recuperação dos prédios.
Cultura e Bem-Estar: Uso do espaço público para eventos e atividades
culturais.
Inclusão Socioprodutiva: Busca incluir a população em situação de
vulnerabilidade e rua na dinâmica da revitalização.
Ações Concretas (Foco nos Incentivos):
A grande ferramenta do Recentro são os incentivos fiscais (Lei Recentro
n.º 18.869/2021) para quem investir ou morar no centro. Eles incluem:
Redução de Impostos: Descontos e isenções de IPTU, ITBI (Imposto sobre a
Transmissão de Bens Imóveis) e ISS (Imposto sobre Serviços) para obras de
requalificação, construção de novas unidades habitacionais e instalação de
negócios.
Facilitação de Licenças: Processos mais simplificados e menos
burocráticos para aprovação de projetos na área central.
PPP Morar no Centro: Um dos projetos mais aguardados, que visa, através
de Parceria Público-Privada, gerar mais de 1.100 novas unidades habitacionais
para diversas faixas de renda, utilizando e reabilitando prédios vazios.
Requalificações Entregues: A Prefeitura
tem divulgado a entrega de obras como a reforma da Praça do Arsenal (projetada
por Burle Marx), além de projetos para a Avenida Dantas Barreto, Iluminação em
LED para todo o centro, e recuperação do Mercado de São José e Pátio de São
Pedro.
Por Que Não Vemos Resultados Imediatos?
Apesar dos projetos e da existência do Recentro (que já tem cerca de 3
anos), a transformação urbana em áreas centrais históricas é lenta e enfrenta
grandes barreiras:
O Tempo dos Projetos Estruturantes: Reformas de prédios históricos e
obras de infraestrutura (como embutimento de fiação e saneamento) são caras,
complexas e levam anos.
O Desafio da Moradia: A revitalização só se consolida quando há pessoas
morando, garantindo vida 24h. O Recentro tem projetos de habitação, mas a
concretização dessas unidades (seja por aluguel social ou venda incentivada) é
o gargalo que, quando resolvido, trará mais segurança e comércio de apoio.
O Poder dos Proprietários: Muitos dos "esqueletos" e edifícios
abandonados, como o JK, têm problemas de dívida ativa ou disputas
judiciais/hereditárias, tornando a intervenção (como a aplicação do IPTU
progressivo ou a desapropriação) um processo lento e de alto risco jurídico.
Percepção de Segurança: Enquanto a sensação de insegurança e abandono
persistir, o comércio e os investidores hesitarão em retornar, criando um ciclo
vicioso de esvaziamento.
A comunidade e os urbanistas concordam que o Recentro é um passo
positivo e uma instância de governança necessária, mas pedem mais celeridade na
concretização dos projetos, especialmente no eixo de habitação, para que o
centro deixe de ser apenas um lugar de passagem e volte a ser um lugar para
viver.
Gostaria que eu pesquisasse especificamente sobre o status atual do
Edifício JK ou de outro prédio abandonado de grande repercussão para vermos se
há alguma novidade em relação à sua desapropriação ou uso?
Sim. Não tem nada haver com moradores, para que
a vida volte ao Recife, para que haja vidas é preciso que haja um comércio
intenso, infelizmente o comércio está morto. Se o problema é os IPTUs porque a
prefeitura não perdoa todos os IPTUs anteriores e baixa os valores para que o
comérciante volte ao seu centro. Começaram a pintar os prédios mas logo abandonaram
e continuam os prédios abandonados e sujos. O histórico do Recentro é muito
bonito no papel mas nas ações é um fracasso e o Recife está cada dia mais
abandonado e em ruínas. É triste ver um arquipélago unidos por pontes
belíssimas totalmente entregue ao tempo, antigamente as autoridades eram mais
ativas e nunca deixou o Recife nessas condições de cidade fantasma.
Você levanta pontos muito válidos e que
refletem o ceticismo justificado de quem acompanha a situação do Recife de
perto. É frustrante ver a lentidão em campo, mesmo com planos ambiciosos no
papel.
A Relação Entre Comércio e Moradia
Sobre a sua afirmação de que "não tem nada a ver com
moradores" e que a volta da vida depende apenas do comércio, é crucial
entender a dinâmica urbana moderna:
O Comércio Acompanha a Vida: Em centros históricos, o comércio intenso
(exceto grandes malls) é geralmente um resultado e não apenas a causa da vida
urbana. Se o centro é apenas um polo de trabalho que se esvazia às 18h, o
comércio de apoio (cafés, mercearias, serviços noturnos, restaurantes, lazer)
não se sustenta.
Segurança e Vitalidade 24h: Quem mora no centro gera "olhos na
rua" (o conceito de Jane Jacobs), garantindo segurança passiva. A moradia
mantém a vida e a demanda por serviços básica (padarias, farmácias, etc.) ativa
por 24 horas, o que incentiva o pequeno e médio comércio a se estabelecer e
resistir.
Revitalizações bem-sucedidas em outras cidades (como o Bairro de Santa
Tereza no Rio, ou o Puerto Madero em Buenos Aires) sempre passaram por um forte
eixo habitacional para sustentar o comércio e o lazer. Sem morador, a vida
noturna e o comércio de final de semana morrem.
A Questão dos Impostos (IPTU)
Sua proposta de perdoar o IPTU e baixar os valores é uma medida de
política fiscal que, à primeira vista, parece ideal para incentivar o retorno,
mas enfrenta barreiras e contradições:
Perdão de Dívidas (Anistia Fiscal): O perdão total de dívidas
milionárias (como o caso do JK) é politicamente difícil e legalmente
questionável para o poder público. É visto como premiação ao abandono e à
especulação, pois o proprietário (que deixou o prédio em ruínas por anos) seria
recompensado, enquanto o cidadão que pagou seus impostos em dia não receberia
nada.
Incentivo à Especulação: Perdoar dívidas poderia incentivar outros
proprietários a abandonarem seus imóveis, esperando uma futura anistia.
A Ferramenta Legal Existe: O programa Recentro já oferece isenções e
descontos temporários (de até 100%) para quem reabilitar e ocupar os imóveis. O
foco é: perdoar o imposto em troca de investimento na reabilitação.
O problema não é a falta de incentivo, mas a inércia dos proprietários
que preferem manter o imóvel ocioso esperando uma supervalorização futura ou
que estão presos em burocracias judiciais e de herança. É aí que a prefeitura
deveria aplicar o IPTU Progressivo no Tempo com rigor: aumentar a alíquota
anualmente até forçar a venda ou desapropriação.
O Fracasso de Ações do Recentro em Campo
Você está correto ao dizer que as ações em campo são lentas e
insuficientes.
As ações de pintura e limpeza são cosméticas e não se sustentam sem os
eixos estruturais (Habitação, Saneamento
e Segurança). A crítica ao Recentro é que ele ainda não conseguiu:
Vencer a Burocracia: O processo de licitação, aprovação de projetos de
reabilitação e execução das obras (tanto públicas quanto privadas incentivadas)
é lento.
Superar a Insegurança: A falta de policiamento efetivo e o aumento da
população de rua (uma questão social que exige políticas intersetoriais, não só
urbanísticas) afastam tanto os comerciantes quanto os clientes.
Forçar a Mão dos Inertes: O poder público ainda não usou as ferramentas
mais drásticas, como a desapropriação por abandono ou a aplicação severa do IPTU
Progressivo, contra os grandes devedores, mantendo o status quo de "cidade
fantasma".
Status Atual do Edifício JK
Como você citou o Edifício JK como um símbolo desse abandono, pesquisei
sobre o seu status atual.
Status Legal: O Edifício JK (ou Edifício José Koury) foi alvo de uma
ação de cobrança judicial movida pela Prefeitura devido às suas dívidas
gigantescas de IPTU.
Situação: Em 2023, o imóvel estava em fase de leilão judicial para que o
valor arrecadado pudesse cobrir as dívidas com o município.
Desenvolvimento: A Prefeitura, através do GABCENTRO, demonstrou
interesse em que o prédio fosse arrematado e reabilitado por um investidor que
o destinasse a usos previstos pelo Recentro (como moradia ou um grande mix de
serviços). No entanto, até as últimas notícias públicas, o leilão não havia se
concretizado ou sido bem-sucedido, e a situação do prédio continua em disputa e
abandono.
O desafio do JK ilustra perfeitamente o problema: mesmo com uma dívida
ativa e interesse na reabilitação, o mecanismo judicial para forçar a mudança
de posse e o uso do imóvel é lento, ineficaz e arrastado por anos, enquanto o
patrimônio se deteriora.
Gostaria que eu pesquisasse se há algum outro projeto emblemático do
Recentro que já tenha sido inaugurado ou que esteja em fase final de obra para
dar um exemplo de ação concluída (como a requalificação de alguma praça ou
mercado)?
Sim. Também a prefeitura vive a explorar
os proprietários das casas e edifícios com altas taxas de IPTUs que deixam
todos na inadimplência. Antigamente a prefeitura existia mas nunca deixou os
proprietários na inadimplência como vem acontecendo nos últimos anos. Parece
que a prefeitura quer tomar os imóveis dos proprietários que não podem pagar
esse famigerado imposto predial tão caro e absurdo. A prefeitura de antigamente
nunca deixou o comércio ficar extinto e sem movimento comercial. A prefeitura
não só acabou com o comércio como matou a vida no Recife. O movimento no
comércio no Recife não era através dos moradores locais mas sim, dos moradores
dos subúrbios que se deslocavam para fazer as compras no centro da cidade.
Houve quem quisesse urbanizar os prédios e edifícios com favelados, para
transformar os prédios e edifícios num futuro próximo em pocilgas, as pessos de
posse já tem dificuldades de manter um apartamento limpo quanto mais pessoas de
baixas rendas.
Compreendo que você sinta que as altas
taxas de IPTU são uma das razões centrais para a inadimplência e o abandono, e
que a história de Recife mostrava uma dinâmica comercial diferente no passado.
Vamos analisar esses pontos de vista, confrontando a memória histórica
com as realidades e desafios urbanos atuais:
1. IPTU Alto, Inadimplência e Desapropriação
É um fato que o IPTU em Recife gera grandes debates, e o sentimento de
que o imposto é usado como um "instrumento para tomar imóveis" é
comum entre proprietários.
A Função do IPTU: Legalmente, o IPTU é a principal fonte de receita
municipal para financiar serviços públicos (limpeza, iluminação, segurança,
saúde, etc.). O valor é calculado com base no valor venal do imóvel. A
inadimplência crônica de grandes imóveis no centro é um problema de justiça
fiscal.
O IPTU Progressivo: A ideia de usar o IPTU para forçar a desapropriação
(IPTU Progressivo no Tempo) é uma ferramenta constitucional, prevista no
Estatuto da Cidade. Ela visa coibir a especulação imobiliária e o abandono,
obrigando o proprietário a dar uma função social à sua propriedade.
Realidade: Na maioria dos casos de abandono no centro, o problema não é
o valor atual do IPTU, mas sim a acumulação de dívidas antigas e impagáveis,
que tornam o imóvel inviável para o proprietário atual.
A "Prefeitura de Antigamente": As
gestões passadas operavam em um contexto econômico diferente, sem a
concorrência de grandes shopping centers nos bairros e sem a grande explosão
demográfica e as consequentes crises de saneamento e mobilidade que o Recife
enfrenta hoje. O centro era, de fato, o único e principal polo comercial.
2. O Esvaziamento do Comércio e a Mudança da Dinâmica Urbana
Você está certo em lembrar que o comércio de Recife era movido pelas
pessoas que vinham dos subúrbios e cidades vizinhas. Essa dinâmica mudou
dramaticamente:
Fator Antes (Anos 70/80) Agora (Século XXI)
Locais de Compra Centro do Recife era o único grande polo. Dezenas de shopping centers e centros
comerciais espalhados pela Região Metropolitana.
Acesso/Mobilidade Transporte público convergente para o centro, carros mais fáceis
de estacionar.
Trânsito caótico e dificuldade extrema de acesso e estacionamento no
centro.
Segurança Maior sensação de
segurança, com vida no entorno. Alta
insegurança, especialmente após o horário comercial.
A prefeitura de hoje não "matou" o comércio intencionalmente,
mas falhou em se adaptar a essas mudanças urbanas, não oferecendo o que os
novos centros comerciais oferecem (conforto, segurança, estacionamento e
lazer). O Recentro é uma tentativa de corrigir isso, atraindo lazer e serviços
que sustentem o comércio.
3. Urbanização e Uso Social (O Desafio da Habitação Social)
A questão da habitação social em prédios históricos abandonados é um dos
pontos mais sensíveis da revitalização:
O Conceito: A ideia de urbanizar prédios ociosos com famílias de baixa
renda (programas como o Minha Casa, Minha Vida - Entidades) é uma forma de
garantir o uso social do imóvel (conforme prevê a Constituição) e, ao mesmo
tempo, trazer a vida 24h de volta ao centro.
A Crítica do Abandono: O seu receio de que esses prédios se transformem
em "pocilgas" reflete a preocupação legítima com a manutenção e a
sustentabilidade do projeto. O sucesso da habitação social nesses locais
depende fundamentalmente de:
Gestão Condominial: Criar modelos eficientes de gestão do condomínio e
das áreas comuns, muitas vezes subsidiadas ou assistidas pelo poder público no
início.
Assistência Técnica Social (ATS): Programas de acompanhamento social,
que auxiliam as famílias na organização e manutenção do novo lar e do prédio
histórico.
Qualidade da Obra: Garantir que a reforma seja de alta qualidade para
não gerar problemas estruturais e de infraestrutura em prédios antigos.
Transformar prédios abandonados em moradia social é um desafio, mas é
visto por urbanistas como uma das únicas formas de evitar que a especulação
imobiliária apenas crie bairros caros e vazios (gentrificação) ou que o centro
continue a ser um deserto após o expediente.
Exemplo de Ação Concluída do Recentro: A Praça do Arsenal
Para dar um exemplo de que algumas ações do Recentro foram concluídas,
embora insuficientes para mudar o panorama geral, podemos citar a Praça do
Arsenal:
Ação: Requalificação completa da Praça do Arsenal, um dos pontos mais
importantes do Bairro do Recife Antigo, que faz parte do centro expandido.
Entrega: A obra foi entregue, com melhorias na iluminação, drenagem,
paisagismo (projeto de Burle Marx) e pavimentação.
Objetivo: Criar um espaço público de qualidade para a realização de
grandes eventos (como o Carnaval e o Réveillon) e feiras, atraindo lazer e
estimulando o comércio da região.
Conclusão: A Praça do Arsenal é um ponto de luz, mas a revitalização do
coração do centro (Santo Antônio, São José e Bairro Novo) ainda patina. O
Recentro tem a visão correta de que é preciso moradia, mas a execução ainda é
lenta, justificando a sua percepção de fracasso.
Gostaria de saber mais detalhes sobre os projetos de habitação social em
imóveis do centro que o Recentro planeja executar?
Sim. Por enquanto só há projetos e poucas obras
realizadas pelo Recentro. Gostaria de ver o Recife com um comércio ativo e não
como um comércio morto, as falências fecharam quase todas as lojas do centro do
Recife. Como fazer voltar e abrir todas as lojas que estão fechadas?
É um desejo que ecoa no coração de todos que veem o potencial de Recife.
A visão de um centro vibrante, cheio de gente, com as portas do comércio
abertas e repletas de produtos e serviços, é o objetivo final de qualquer plano
de revitalização.
Você está correto ao afirmar que o Recentro é forte em projetos, mas
fraco em entregas de grande impacto até agora. E, infelizmente, não existe uma
solução mágica ou única para reverter a falência comercial em massa de forma
instantânea.
Fazer as lojas voltarem a abrir em um centro que se tornou sinônimo de
insegurança, sujeira e dificuldade de acesso exige uma estratégia de choque que
atue em três frentes simultaneamente: Incentivo Financeiro, Segurança/Infraestrutura e Criação de
Demanda.
1. Ações para Reduzir o Risco Comercial (Incentivo Financeiro)
A principal barreira para um comerciante abrir uma loja hoje no centro é
o alto risco de fracasso. É preciso reduzir esse risco financeiro:
A. Aluguel Social Comercial e Ocupação Temporária
O Que é: A Prefeitura ou um órgão parceiro (como o Porto
Social/Recentro) poderia intermediar a negociação com os proprietários dos
imóveis abandonados e fechados para oferecer aluguéis subsidiados ou a preços
simbólicos por um período inicial (ex: 2 a 3 anos).
Objetivo: Atrair pequenos empreendedores e startups de varejo que
precisam de um custo fixo baixo para testar o mercado. Isso garantiria que as
portas estivessem abertas, mesmo que o movimento fosse baixo inicialmente.
B. Linhas de Crédito e Desburocratização
Recife/PE Investe: Criar ou potencializar linhas de crédito com juros
subsidiados (ou zero) para o pequeno e médio empreendedor que se comprometer a
abrir ou reformar uma loja em áreas específicas do centro.
Licenciamento Rápido: Implementar um guichê único e ultrarrápido de
licenciamento para o comércio do centro, acabando com a burocracia que desanima
o pequeno investidor antes mesmo de ele começar.
C. IPTU de Ocupação (Complemento ao Recentro)
Reforçar o mecanismo de incentivo do Recentro, oferecendo isenção total
de IPTU e taxa de lixo por 5 anos para novos negócios ou para aqueles que
reabrirem em prédios fechados por mais de 2 anos.
2. Ações de Choque na Infraestrutura e Segurança
O incentivo financeiro só funciona se a infraestrutura básica for
resolvida. O comerciante não volta se o cliente não se sentir seguro:
A. Segurança Absoluta (Choque de Ordem)
Policiamento 24h Fixo: Aumentar drasticamente e de forma visível o
policiamento (Municipal e Estadual) no Centro, em um modelo de patrulhamento
fixo em cada quarteirão, especialmente nas áreas mais esvaziadas após as 18h.
Iluminação LED Total: Concluir
rapidamente a troca de toda a iluminação pública para LED (o Recentro prometeu
isso), o que tem um impacto imediato na sensação de segurança noturna.
B. Manutenção e Limpeza Contínua
Instituir um Serviço de Manutenção
Expresso para o centro, garantindo que buracos nas ruas, lixo acumulado,
calçadas quebradas e fachadas pichadas sejam corrigidos em, no máximo, 48
horas. A sujeira é um desestímulo visual direto ao consumo.
3. Ações para Criar Demanda e Fluxo de Pessoas
O centro precisa voltar a ser um destino, não apenas um local de
passagem:
A. Atrair a Vida 24h (O Eixo Moradia)
Você discorda, mas a moradia é fundamental para o comércio, pois ela é a
demanda constante que sustenta os serviços básicos.
Se o Recentro focar em entregar 500 a 1000 unidades habitacionais no
centro nos próximos 3 anos (transformando prédios ociosos), esse novo volume de
moradores traria demanda imediata para padarias, mercados de bairro, farmácias,
pequenos restaurantes, etc., que, por sua vez, reabririam lojas fechadas.
B. Eventos e Lazer Fixos
Usar os belos espaços públicos (Pátio de São Pedro, Praça da República,
Cais da Alfândega) para promover eventos semanais e fixos de alto apelo, como
feiras gastronômicas, shows gratuitos, festivais de cultura, ou até mesmo um
Mercado de Pulgas temático aos domingos. Isso atrai o público dos subúrbios e
da Região Metropolitana que, ao vir para o lazer, acaba consumindo no comércio
local.
Para resumir: O Recentro já estabeleceu a estrutura (o
"papel"), mas o que falta é a velocidade da execução e a coragem
política para usar as ferramentas mais drásticas, como forçar a
desapapropriação de grandes imóveis abandonados (como o JK), e um investimento
de choque em segurança e limpeza para que os comerciantes se sintam seguros
para reabrir as portas, mesmo com um lucro menor no início.
Gemini vs Ernani
Pensamento: O que mata um jardim não é o abandono. O que mata um jardim é esse olhar de quem por ele passa indiferente… E assim é com a vida, você mata os sonhos que finge não ver.
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