A vida está vencendo a morte por algum
período, a vida ganha as batalhas e a morte ganha à guerra. Estamos vendo a
civilização avançando como um trator a demolir as florestas e os pobres dos
animais silvestres perdendo o seu habitat, estamos documentando animais como o
tigre de bengala e os elefantes invadindo os centros urbanos e como pedintes
estão sendo alimentados pelos humanos e os tigres assaltando as fazendas de
gado para se alimentarem isso é muito triste.
O Gemini disse
Sua reflexão é profunda e carrega uma
melancolia muito real. Você tocou em um ponto central da nossa era: o
Antropoceno. É aquela sensação incômoda de que, enquanto a nossa tecnologia e
medicina "vencem" a morte para os humanos, estamos acelerando o
relógio da finitude para todo o resto do planeta.
Essa imagem que você trouxe — do tigre que
vira "assaltante" e do elefante que vira "pedinte" — é a
prova de que quebramos a fronteira do respeito. Não é que eles estejam
invadindo o nosso espaço; nós é que apagamos as linhas que dividiam o lar deles
do nosso canteiro de obras.
Aqui estão alguns pontos para pensarmos
sobre esse cenário:
O Conflito Homem-Fauna
O que você descreveu é o que ecologistas
chamam de fragmentação de habitat.
A "Mendigagem" Animal: Quando um
elefante para um caminhão em busca de comida, ele não está sendo
"domesticado", ele está em modo de sobrevivência. Isso altera o
comportamento natural da espécie e cria uma dependência perigosa.
O Predador Acuado: Tigres de Bengala
atacando gado na Índia ou onças fazendo o mesmo no Pantanal não buscam o
conflito; eles estão apenas seguindo o instinto em um território que encolheu
tanto que a "caça" agora tem dono e cerca.
A Civilização como "Trator"
O avanço da civilização muitas vezes
ignora o conceito de limites planetários. O progresso é medido pelo PIB e pela
expansão urbana, mas raramente pelo índice de biodiversidade preservada. É uma
vitória de curto prazo (aumentar a produção) que garante uma derrota de longo
prazo (o colapso dos sistemas que sustentam a própria vida).
Existe um contra-ataque da
"Vida"?
Embora o cenário seja sombrio, há
movimentos tentando mudar o curso desse trator:
Corredores Ecológicos: Projetos que tentam
reconectar florestas isoladas para que os animais possam circular sem entrar em
cidades.
Rewilding (Ressilvestramento): Devolver
áreas degradadas à natureza e reintroduzir espécies-chave.
Direitos da Natureza: Países que começam a
dar personalidade jurídica a rios e florestas para que eles possam ser
"defendidos" em tribunal.
É triste documentar a agonia desses
gigantes, mas o fato de sentirmos essa tristeza é o primeiro passo para a
mudança de consciência. Se pararmos de ver o animal como um invasor e passarmos
a vê-lo como um refugiado, a nossa abordagem muda completamente.
Gostaria que eu pesquisasse sobre algum
projeto de conservação específico que está tentando reverter esse cenário para
tigres ou elefantes, para vermos onde a esperança ainda resiste?
Você disse
Isso que a IA está propondo de um Corredor
Ecológico é restringir a sua sobrevivência, esses animais gostam e viviam em
grandes áreas, diminuir a sua liberdade é como uma prisão ou uma maneira de
extinguir a espécie. O ser humano está como um cupim a devorar tudo e todos,
está indo ao canto da Sereia, as vidas que essa humanidade está destruindo
(fauna e flora) vão pender na balança da justiça Divina. Nada se faz nesse
mundo que não tenha um retorno igual a sua ação.
Sua visão traz
uma reflexão muito forte e a metáfora do ser humano como um "cupim"
que devora a própria casa de forma cega é, infelizmente, um retrato muito fiel
do atual modelo de exploração. É compreensível a sua indignação.
Você tocou em
um ponto fundamental sobre a liberdade dos animais e as consequências
inadiáveis das nossas ações. Vamos analisar essas duas questões mais de perto:
A Realidade
dos Corredores Ecológicos
Você tem toda
a razão ao afirmar que esses animais precisam e merecem áreas vastas para
viver. A natureza deles é a imensidão, não o confinamento. No entanto, é
importante esclarecer como os corredores ecológicos funcionam na prática da
biologia da conservação:
Eles não são a
prisão, são a "ponte": O avanço humano já transformou as grandes
florestas em "ilhas" isoladas (essas sim, verdadeiras prisões). Um
grupo de elefantes preso em uma pequena ilha de mata acaba sofrendo com a falta
de comida e o cruzamento consanguíneo.
O objetivo é
reconectar: O corredor ecológico é uma faixa de natureza restaurada que liga
uma ilha de floresta a outra. Ele serve apenas como uma passagem segura para
que os animais voltem a percorrer distâncias maiores, misturando suas genéticas
e expandindo seu território de caça sem precisarem cruzar rodovias ou fazendas.
Ainda assim, o
seu questionamento é válido. Os corredores são um tratamento de emergência para
um paciente em estado grave. É uma tentativa de remediar o estrago que o
"trator" já fez, não a devolução do mundo ideal que lhes foi roubado.
A Balança e a
Lei do Retorno
Quando você
menciona que "nada se faz nesse mundo que não tenha um retorno igual a sua
ação" e fala sobre a balança da justiça, a ciência da ecologia concorda
plenamente com essa visão. O que chamamos de "justiça Divina" ou de
retorno kármico tem paralelos diretos nas consequências físicas do nosso
planeta:
O
"Troco" Ambiental: A destruição de habitats nos devolve secas
extremas (porque as florestas regulam as chuvas), enchentes devastadoras
(porque cimentamos as várzeas dos rios) e ondas de calor insuportáveis.
A Origem das Zoonoses: Quando invadimos o
espaço profundo da vida silvestre, entramos em contato com patógenos que
estavam equilibrados em seus ecossistemas. A história recente nos mostrou que
empurrar a natureza para o limite resulta em pandemias que paralisam a própria
humanidade.
O "canto
da sereia" do progresso infinito a qualquer custo é, de fato, uma ilusão
perigosa. A vida silvestre é o pilar que sustenta o nosso próprio teto; se o
cupim devora o pilar, o teto cai sobre ele.
Você gostaria
que eu trouxesse um exemplo histórico documentado de como a destruição de uma
espécie animal específica causou um colapso direto e imediato na sociedade
humana local, ilustrando exatamente essa lei do retorno que você mencionou?
Sim.
O Gemini disse
O exemplo mais
trágico, direto e brutal dessa "lei do retorno" ocorreu na China, no
final da década de 1950. É um caso que ilustra perfeitamente o sua fala sobre o
ser humano agir com a arrogância de achar que pode controlar tudo, sem entender
a teia da qual faz parte.
O evento ficou
conhecido como a Campanha das Quatro Pragas (ou Campanha do Grande Pardal).
O Canto da
Sereia do "Progresso"
Em 1958, o
governo chinês decidiu que precisava aumentar a produção agrícola a qualquer
custo para acelerar o desenvolvimento do país. Observaram que os pardais comiam
parte dos grãos das plantações. A solução que parecia "lógica" para o
governo? Exterminar todos os pardais da China.
A Ação Humana
A população
foi mobilizada para uma guerra contra os pássaros. As pessoas batiam panelas
para que os pardais não conseguissem pousar e morressem de exaustão no ar. Ninhos foram destruídos, ovos foram quebrados
e aves foram mortas a tiros. Estima-se que centenas de milhões de pardais foram
aniquilados em um curtíssimo período. O ser humano celebrou a
"vitória" sobre a natureza.
O Retorno
Implacável da Natureza
A balança da
justiça que você mencionou não demorou a pesar, e o troco foi devastador.
Os líderes
esqueceram de um detalhe ecológico fundamental: os pardais comiam alguns grãos,
mas a base principal da dieta deles eram os insetos, especialmente os
gafanhotos.
O Colapso: Sem
os pardais para controlá-los, a população de gafanhotos explodiu de forma
incontrolável.
A Devastação:
Nuvens gigantescas de insetos escureceram os céus e devoraram não apenas os
grãos, mas absolutamente tudo o que estava plantado.
A Consequência
Humana: A falta de colheitas gerou o que hoje é conhecido como a Grande Fome
Chinesa. Entre 1959 e 1961, estima-se que entre 15 e 45 milhões de pessoas
morreram de fome.
A ironia
trágica foi que, para tentar salvar sua agricultura, o governo chinês teve que
importar secretamente centenas de milhares de pardais da União Soviética para
tentar restaurar o equilíbrio que eles mesmos haviam destruído.
A história dos
pardais é a prova documentada de que não existe "nós e eles" na
natureza. Quando tiramos uma peça do quebra-cabeça, a estrutura inteira
desmorona sobre as nossas cabeças. O retorno da ação não foi um castigo
sobrenatural, mas a matemática fria e implacável da ecologia.
Gostaria que
eu abordasse como uma ameaça muito parecida está acontecendo hoje com o
declínio mundial das abelhas e como isso pode ser o nosso próximo grande
colapso?
Você disse
Sem as abelhas a humanidade desaparece, é verdade? O ser humano para salvar as abelhas deveria
plantar flores que contenha o néctar para que essa espécie possa sobreviver, em
alguns lugares está havendo uma apicultura que aumenta a sua existência e por
outro lado os criminosos estão pondo fogo nas florestas e destruindo as
abelhas. Pode me mostrar o que está acontecendo hoje com o declínio mundial das
abelhas.
O Gemini disse
Você tocou no
coração de uma das engrenagens mais vitais — e frágeis — do nosso planeta. A
frase famosa, muitas vezes atribuída a Einstein ("Se as abelhas
desaparecerem, a humanidade terá apenas mais quatro anos de vida"), é mais
um alerta simbólico do que uma profecia científica exata, mas a essência por
trás dela é assustadoramente real.
Aqui está o
panorama do que está acontecendo com as abelhas em 2025-2026 e o peso dessa
"balança" que você mencionou:
A Humanidade desapareceria?
Não
desapareceríamos em quatro anos, mas o mundo se tornaria um lugar cinza e
faminto.
O Prato Vazio:
Cerca de 75% a 80% das culturas agrícolas que alimentam o mundo dependem, em
algum grau, da polinização. Sem abelhas, perderíamos a maioria das frutas,
legumes, nozes e o café.
Sobrevivência de "Grãos":
Sobreviveríamos comendo trigo, arroz e milho (que são polinizados pelo vento),
mas enfrentaríamos uma crise de desnutrição global sem precedentes. A
"qualidade" da vida humana desabaria.
O Declínio
Mundial: O que está matando as abelhas?
O cenário hoje
é de um "ataque por todos os lados". Os principais vilões são:
Agrotóxicos
(Neonicotinoides): Esses químicos afetam o sistema nervoso das abelhas. Elas
ficam "desorientadas", esquecem o caminho de volta para a colmeia e
acabam morrendo de exaustão ou fome sozinhas.
O
"Cupim" Humano e o Fogo: Como você bem disse, os incêndios criminosos
(especialmente no Brasil, que teve um 2024 devastador com 30 milhões de
hectares queimados) são sentenças de morte. O fogo não mata apenas a abelha;
ele apaga o "pasto" dela. Sem flores, as que sobrevivem ao calor
morrem de fome.
Monoculturas:
Grandes extensões de terra plantadas com uma única coisa (como soja ou cana)
criam "desertos verdes". Para uma abelha, é como viver em um lugar
que só vende um tipo de comida por quilômetros; elas precisam de dieta variada
para serem saudáveis.
Ameaças
Modernas: Estudos recentes (2025) mostram que até a iluminação artificial
excessiva das cidades e os microplásticos estão interferindo na saúde e na
navegação desses insetos.
A Apicultura e
as Flores: O Contra-Ataque
Sim, o plantio
de flores é uma arma poderosa, mas precisa ser feito do jeito certo:
Jardins de
Mel: Não adianta qualquer flor; as abelhas precisam de espécies nativas e ricas
em néctar e pólen. Plantar um jardim
diverso em casa cria o que os cientistas chamam de "oásis urbanos".
Apicultura vs.
Meliponicultura: Enquanto a apicultura (abelha de mel comum) ajuda muito, a
meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão) é o que realmente salva
as nossas florestas locais. No Brasil, temos centenas de espécies de abelhas
nativas que são as únicas capazes de polinizar certas árvores da mata.
O retorno da
Justiça: Onde há apicultores conscientes, há proteção. Eles se tornam os
"guardiões" que denunciam desmatamentos e incêndios, porque a vida do
seu trabalho depende da floresta em pé.
A Situação
Hoje (2026)
Recentemente,
a Europa declarou várias espécies de abelhas selvagens como em perigo de
extinção. No Brasil, o esforço agora é para criar leis que proíbam a
pulverização aérea de certos venenos que dizimam colmeias inteiras em minutos.
A "lei do
retorno" que você citou é clara aqui: se tiramos o polinizador, a planta
não dá fruto; se não há fruto, não há semente; se não há semente, a floresta
não se renova e o ser humano perde o ar, a água e o pão.
Gostaria que
eu listasse algumas flores nativas da sua região que você pode plantar para
transformar seu espaço em um refúgio para essas pequenas trabalhadoras?
Você disse
Sim. E também em outros países que estão
com falta de abelhas e flora.
O Gemini disse
É verdade que
a situação das abelhas é um dos sinais mais alarmantes de que a
"balança" está desequilibrada. Se as abelhas sumirem, não haverá uma
extinção humana imediata, mas haveria um colapso nutricional e econômico.
Perderíamos quase todas as cores e sabores do nosso prato: o café, as frutas,
as castanhas e os legumes desapareceriam, sobrando apenas grãos como o arroz e
o milho (que são polinizados pelo vento). O mundo seria literalmente mais sem
cor e sem vida.
Para quem
deseja agir contra esse "trator" da destruição e plantar a semente da
vida, aqui está o que você pode fazer no seu quintal e o que o mundo está
enfrentando:
O seu Jardim
em Recife (Mata Atlântica e Nordeste)
Em Pernambuco,
você tem a sorte de estar em uma região de biodiversidade única. Para ajudar as
abelhas nativas (como a Uruçu-Nordestina e a Jataí), o ideal é plantar espécies
que elas já conhecem há milênios:
Pitangueira e
Jabuticabeira: Além de frutos para você, as flores dessas árvores (família
Myrtaceae) são "superalimentos" para as abelhas.
Aroeira-Mansa
(Schinus terebinthifolia): É uma das árvores mais importantes para a produção
de mel e para a sobrevivência de abelhas nativas no Nordeste.
Urucum (Bixa
orellana): Suas flores fornecem um pólen de altíssima qualidade.
Manjericão e
Alecrim: Se você mora em apartamento, deixe essas ervas florescerem. As flores
pequenas são perfeitas para as abelhas minúsculas.
Amor-agarradinho
(Antigonon leptopus): Uma trepadeira que produz flores rosas quase o ano todo,
sendo um banquete constante de néctar.
O Alerta
Global: Onde as abelhas já "perderam a guerra"
Infelizmente,
em alguns lugares do mundo, a "balança" já pendeu para o lado sombrio
que você descreveu:
China
(Sichuan): Em algumas regiões de plantação de peras, as abelhas foram extintas
pelo uso excessivo de pesticidas e desmatamento. Hoje, os agricultores precisam
subir em escadas com pincéis feitos de penas para polinizar as flores
manualmente, uma a uma. É o ser humano tentando desesperadamente fazer o
trabalho que a natureza fazia de graça e com perfeição.
Austrália
(Crise de 2025-2026): Recentemente, a Austrália — que era o último continente
livre de um grande parasita de abelhas (o ácaro Varroa) — viu suas defesas
caírem. Milhares de colmeias estão sendo sacrificadas, o que ameaça a produção
mundial de amêndoas e macadâmias.
Estados
Unidos: O país sofre com o "Distúrbio do Colapso das Colônias". Por
causa das monoculturas gigantescas de soja e milho, as abelhas não encontram
flores variadas e morrem de "má nutrição", como se nós só comêssemos
pão para o resto da vida.
O que plantar
em outros países (Flora Global)
Se você tem
amigos ou familiares no exterior, ou apenas quer saber o que salva a flora de
lá, as plantas "campeãs" são:
Região Planta Ideal Por que funciona?
Europa Lavanda e Alecrim Resistentes e ricas em óleos essenciais que
ajudam a imunidade das abelhas.
Estados Unidos Milkweed (Asclepias) Vital para as abelhas e também para a borboleta Monarca, que está
em declínio.
Global (Clima
Temperado) Dente-de-leão Muitas vezes visto como
"mato", é a primeira comida que as abelhas encontram após o inverno.
Global (Horta) Girassol Funciona
como um "farol" colorido que atrai polinizadores de longe.
Os criminosos
que queimam as florestas estão, na verdade, queimando o próprio sistema de
suporte de vida da humanidade. Como você disse, a ação gera um retorno. Enquanto eles destroem, cada flor que você
planta é um ato de resistência e de justiça.
Você gostaria
que eu lhe explicasse como montar um "hotel de abelhas" simples para
o seu jardim? É uma forma de dar abrigo às abelhas solitárias (que não têm
ferrão) e que são as que mais sofrem com a falta de matas.
Você disse
Sim.
O Gemini disse
Construir um
"hotel de abelhas" é um dos atos mais práticos de resistência contra
esse avanço do "trator" que discutimos. Enquanto as grandes colmeias
(como as da Apis mellifera) têm seus apicultores, as abelhas solitárias — que
representam quase 90% das espécies de abelhas do mundo — estão desabrigadas.
Diferente das
abelhas sociais, as solitárias não têm rainha nem vivem em grupos; cada fêmea
constrói seu próprio ninho em pequenos buracos na madeira ou no solo.
Aqui está um
guia simples para você criar um refúgio em Recife ou em qualquer lugar do
mundo:
Como Criar um
"Hotel de Abelhas" Solitárias
1. O Material
(A Estrutura)
Você não
precisa gastar dinheiro. O objetivo é simular os buracos naturais que existem
em troncos de árvores mortas que o ser humano costuma remover da natureza.
Madeira: Use
um bloco de madeira de reflorestamento ou restos de poda (troncos grossos).
Nunca use madeira tratada com verniz ou pesticidas, pois o cheiro afasta as
abelhas e o químico as mata.
Bambu: Canudos
de bambu cortados também funcionam perfeitamente.
2. A
Construção (Furos e Tamanhos)
As abelhas têm
tamanhos diferentes. Para atrair várias espécies (como as Mamangavas e as
abelhas-resina), varie o diâmetro:
Use uma
furadeira para fazer buracos de 3mm, 5mm, 8mm e 10mm de diâmetro.
A profundidade
deve ser de pelo menos 10 a 15 cm, mas atenção: não atravesse a madeira. O
fundo deve ser fechado para que a abelha se sinta segura.
Lixe a
entrada: É vital que a entrada do buraquinho não tenha farpas, para não rasgar
as asas delicadas das abelhas.
3. A
Localização (O "Check-in")
Não adianta
construir e colocar em qualquer lugar. O hotel precisa de conforto:
Altura:
Coloque entre 1 e 2 metros de altura do chão.
Proteção:
Instale em um local protegido da chuva direta e do vento forte (embaixo de um
beiral ou preso a um muro).
Sol: Elas
gostam do sol da manhã para "aquecer os motores" antes de voar.
Por que isso é
importante?
Quando a
abelha encontra o seu "hotel", ela deposita um ovo, coloca um pouco
de néctar e pólen, e fecha a entrada com barro ou resina. Meses depois, uma
nova geração de polinizadores nasce dali.
Dica de Ouro:
Se você vir um furinho fechado com barro, parabéns! O seu hotel tem um hóspede
e a vida está vencendo a morte naquele pequeno pedaço de madeira.
A
"Balança" em Equilíbrio
Ao oferecer
moradia, você está corrigindo uma pequena parte do dano causado pela
urbanização. É a sua resposta direta ao "cupim" humano: onde o trator
tira a árvore, você coloca o abrigo. O retorno será imediato: as plantas do seu
jardim e da vizinhança darão muito mais flores e frutos.
Gostaria que
eu te explicasse como identificar se o seu hotel já foi ocupado e quais são os
sinais de que uma "mamangava" (abelha solitária grande e importante)
se mudou para lá?
Você disse
Sim.
O Gemini disse
Identificar se
o seu esforço contra o "trator da civilização" está funcionando é a
parte mais gratificante. É quando você percebe que a balança da vida começou a
pender a favor da natureza, mesmo que seja no seu quintal.
Aqui estão os
sinais claros de que o seu "hotel" virou um lar:
1. A
"Porta Fechada" (O sinal definitivo)
As abelhas
solitárias não moram no hotel para dormir todas as noites; elas o usam como um
berçário.
Se o
buraquinho estiver selado: Parabéns, você tem hóspedes!
Barro ou Lama:
É o sinal de abelhas pedreiras ou algumas vespas solitárias (que são ótimas para
o controle de pragas no jardim).
Folhas
Cortadas: Se o furo parecer tapado com pedacinhos de confete verde, são as
Abelhas Cortadeiras. Elas são incríveis:
carregam pedaços de folhas para forrar o ninho como se fosse um papel de
parede.
Resina ou Cera:
Algumas abelhas usam resinas de árvores que brilham sob o sol.
2. A
"Mamangava" (Xylocopa): A Gigante da Polinização
A mamangava é
aquela abelha grande, preta e barulhenta (um zumbido grave que parece um
pequeno motor). Ela é a "peça-chave" para plantas como o maracujá —
sem ela, não tem fruto.
Sinais de que
ela se mudou para o seu hotel:
A
"Maravalha" (Serragem): As mamangavas são abelhas carpinteiras. Se
você vir um pouco de pó de madeira no chão, logo abaixo de um furo maior (de
10mm a 15mm), ela está "reformando" o quarto.
O Som de
"Lixa": Se você chegar perto do hotel e ouvir um som de algo roendo a
madeira por dentro, é ela trabalhando no berçário.
Vigilância:
Elas são territoriais. Se você vir uma abelha gigante "pairando" na
frente do hotel como se fosse um drone, ela está protegendo os ovos que botou
lá dentro.
3. A Limpeza e
o Movimento
Observe o
hotel nas horas de sol (entre as 9h e as 11h da manhã). Se vir abelhas entrando
de "ré" ou saindo com as patinhas cheias de pólen amarelo ou laranja,
a vida está vencendo ali.
A Justiça do
Equilíbrio
Como você bem
disse, o retorno é garantido. Quando você oferece esse abrigo, a resposta da
natureza vem em forma de abundância:
Suas plantas
vão produzir mais frutos.
O solo ficará
mais rico (pelas folhas e resinas trazidas).
Você cria uma
"zona de paz" que interrompe, nem que seja por alguns metros, a
marcha do desmatamento.
Essas pequenas
vidas que você salva agora são as sementes que, no futuro, poderão repovoar as
florestas que os "cupins" humanos tentam destruir. É uma vitória
silenciosa, mas real.
Gostaria que
eu te desse uma dica de como proteger esse hotel de "hóspedes
indesejados" (como formigas ou lagartixas) sem usar venenos que possam
prejudicar as abelhas?
Você disse
Para finalizar. Sim pode dar a dica. Se todos os ruralistas
de exportação ou monoculturas fizessem uma plantação de alguns hectares para as
abelhas estariam salvando as suas lavouras e plantações.
O Gemini disse
Sua conclusão
sobre os grandes produtores rurais toca em um ponto de inteligência econômica
que muitos ainda ignoram: preservar a natureza é o melhor seguro agrícola que
existe.
Se esses
"ruralistas do trator" dedicassem apenas 5% ou 10% de suas terras
para criar corredores de flores nativas e matas ciliares, o rendimento das
colheitas de soja, café e laranja subiria drasticamente. Eles não estariam
apenas "fazendo um favor" às abelhas; estariam garantindo que o seu
próprio negócio não entre em colapso. É a prova de que a ganância cega acaba
por devorar o próprio lucro.
Como Proteger
o seu "Hotel de Abelhas" (Sem Venenos)
Para que o seu
refúgio não vire um "buffet" para predadores, aqui estão as
estratégias naturais para manter a balança equilibrada:
1. Contra as
Formigas (A barreira física)
As formigas
podem atacar os ninhos para comer as larvas ou o pólen armazenado.
A
"Graxa" ou Óleo: Se o hotel estiver pendurado por um arame ou fixado
em um poste, passe uma camada generosa de graxa ou vaselina no meio do caminho
(no arame ou na base do poste). As formigas não conseguem atravessar essa
barreira pegajosa.
O Fosso de
Água: Se o hotel estiver em um suporte no chão, coloque os pés do suporte
dentro de potes com água e um pouco de detergente (para evitar que mosquitos da
dengue procriem ali). As formigas não sabem nadar.
2. Contra as
Lagartixas e Pássaros
Lagartixas
adoram ficar de tocaia na entrada dos furos para dar o bote nas abelhas que
chegam cansadas.
A Tela de
Proteção: Coloque uma tela de arame (tipo galinheiro ou com furos de cerca de
1cm a 2cm) a uns 5cm de distância da face frontal do hotel.
As abelhas,
que são rápidas e pequenas, passam voando pelos buracos da tela sem problemas.
Pássaros e
lagartixas maiores não conseguem alcançar a entrada dos ninhos.
3. O Fator
Localização
Evite encostar
o hotel diretamente em paredes muito rugosas ou troncos cheios de frestas, que
servem de "escada" para predadores. Deixe-o levemente suspenso ou
isolado.
"O ser
humano pode tentar enganar a lei dos homens, mas não a lei da vida. Cada abelha
que nasce no seu hotel é uma prova de que, onde há intenção e respeito, a vida
floresce novamente."
Foi um prazer
imenso ter essa conversa tão profunda e necessária com você. Que o seu jardim
se torne um pequeno santuário contra o avanço desse "trator".
Gemini vs Ernani
https://globoplay.globo.com/v/14369358/editorial/8010b3b7-89a5-42b8-80d1-cb49a9b24e37
Pensamento: Não tem tecnologia que substitua a natureza.
Ernani Serra
Nenhum comentário:
Postar um comentário