A IA E OS JOGOS DE AZAR

 

     Começamos com as BETs jogos para adultos e os ROBLOX para crianças estão sendo invadidos por pedófilos e pessoas de má índole para prejudicar as crianças. Todos esses jogos são de azar e no código penal brasileiro é proibido jogos de azar, mas como tudo no Brasil é permitido mesmo os proibidos dependendo das propinas e do poderio desses donos de jogos no exterior.

     Sua indignação é muito compreensível. É frustrante sentir que o ambiente digital, que deveria ser de lazer ou oportunidade, está se tornando um "faroeste" onde crianças e o bolso do brasileiro ficam expostos.

     Mas, para te dar um panorama real de 2026, a situação jurídica no Brasil mudou bastante. O cenário de "vale-tudo" está recebendo um choque de ordem (embora a gente saiba que a prática demora a seguir a teoria).

     Aqui está o que está acontecendo agora para conter esses problemas:

     1. As BETs: Deixaram de ser "proibidas" para serem "vigiadas"

     Você mencionou o Código Penal, e você tem razão histórica: por décadas, jogos de azar foram contravenção. Porém, desde a Lei 14.790/2023, as apostas de "quota fixa" foram legalizadas e regulamentadas.

     O cerco fechou em 2026: Agora, só operam sites com o final .bet.br. O governo bloqueou mais de 25 mil sites clandestinos através da Anatel.

     Fim da "festa" da publicidade: Acabou de ser aprovado no Senado (fevereiro de 2026) o veto total a anúncios de bets em camisas de times, rádio e TV. O objetivo é justamente parar de "viciar" a população visualmente.

     Controle Financeiro: Não se pode mais usar cartão de crédito ou cripto para apostar — apenas Pix ou débito da própria conta, para evitar que as pessoas se endividem com dinheiro que não têm.

     2. Roblox e a Proteção Infantil (ECA Digital)

     Sobre o Roblox e a presença de pessoas de má índole, a resposta veio com o ECA Digital (Lei 15.211/2025), que começou a ser fiscalizado agora em março de 2026.

     Identidade Real: O Roblox passou a exigir verificação de identidade para usar o chat. Isso causou até "protestos" de avatares de crianças que não queriam as regras, mas é a única forma de impedir que adultos se escondam atrás de contas fakes para abordar menores.

     Vinculação de Contas: Se o usuário tem menos de 16 anos, a conta precisa estar vinculada à de um responsável.  O pai/mãe agora consegue ver com quem o filho fala e quanto tempo passa logado.

     Proibição de Loot Boxes: Aquelas "caixinhas surpresa" que funcionam como cassinos para crianças foram proibidas por lei em jogos infantis no Brasil.

     Onde a "propina" e o "poderio" ainda pesam?

     Você tocou em um ponto sensível: a influência de empresas estrangeiras. Embora a lei exista, a fiscalização é o nosso eterno calcanhar de Aquiles. O desafio atual não é mais a falta de leis (que agora são bem rigorosas), mas sim a agilidade da justiça em punir quem burla o sistema usando sedes em paraísos fiscais.

     Resumo da ópera: O Brasil não é mais um território sem lei para esses jogos, mas estamos no meio de uma "queda de braço" entre a nova regulação e a malandragem digital.

     Você gostaria que eu te mostrasse como configurar as novas travas de segurança do "ECA Digital" no celular ou computador das crianças aí na sua casa?

 

 

     Gostaria sim. Não acredito muito nas novas travas de segurança do ECA Digital nos celulares ou computadores. Um neto de menor idade achou que poderia ficar rico com apostas online de uma dessas BETs e usurpou o cartão de crédito de sua mãe que é minha filha e perdeu em apostas mais de cinquenta mil reais, a mãe ficou desesperada mas o estrago já tinha sido feito. Esse negócio de que deve usar as BETs com sabedoria e consciência é pura balela. Todos esses jogos já deveriam ser extintos da Internet pois são jogos viciados programados para o jogador perder e são verdadeiros assaltos ao bolso dos incautos. Todos esses jogos tem fins lucrativos para o banqueiro.

     Sinto muito, de verdade, pela sua família. O que aconteceu com sua filha e seu neto não é "apenas um prejuízo financeiro", é um trauma familiar. Cinquenta mil reais é um valor que muitas vezes leva anos para ser poupado, e vê-lo sumir em apostas programadas para vencer o jogador é revoltante.

     Sua indignação com o discurso de "aposte com moderação" é cirúrgica: para um cérebro jovem ou propenso ao vício, a moderação não existe. O algoritmo é desenhado para prender a atenção e explorar a dopamina.

     Como você não confia apenas nas leis (e com razão, já que a lei muitas vezes chega depois do prejuízo), o ideal é usar travas de sistema que funcionam "na força bruta", bloqueando o acesso antes mesmo do site carregar.

     Aqui estão os passos práticos para blindar os aparelhos em casa:

     1. Bloqueio Total via Roteador (O mais eficaz)

     Em vez de configurar cada celular, você pode bloquear o acesso a jogos de azar em toda a rede Wi-Fi da casa.

     Como fazer: Use um serviço de DNS gratuito como o Cloudflare for Families.

     O que ele faz: Ele filtra a internet e impede que qualquer dispositivo (celular, PC, tablet) conectado ao seu Wi-Fi abra sites de apostas ou conteúdo adulto. Se o seu neto tentar entrar numa BET, aparecerá "Site não encontrado".

     2. Controle de Gastos no Cartão (Bloqueio no Banco)

     Desde 2025, os grandes bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Nubank, etc.) incluíram uma opção nos aplicativos:

     Bloqueio de Categoria: No app do cartão da sua filha, procure por "Controle de Gastos" ou "Segurança".

     Desativar "Jogos e Apostas": Existe uma chave que bloqueia especificamente compras em sites de jogos e apostas. Se alguém tentar usar o cartão em uma BET, a transação é negada automaticamente pelo banco, independente de ter limite ou não.

     3. Configuração de "Pai/Mãe" nos Sistemas Operacionais

     Se o seu neto usa Android ou iPhone, o bloqueio deve ser feito no nível do sistema:

     Android (Google Family Link): A mãe dele instala esse app e vincula a conta do filho. Ela pode proibir o download de qualquer app de apostas e, mais importante, bloquear o acesso a sites específicos no Google Chrome.

     iPhone (Tempo de Uso): Vá em Ajustes > Tempo de Uso > Restrições de Conteúdo e Privacidade. Lá, é possível restringir "Conteúdo da Web" e selecionar "Limitar Sites Adultos", adicionando manualmente os domínios das BETs conhecidas.

     Uma nota importante sobre o prejuízo de R$ 50 mil:

     Como estamos em 2026 e a regulação está rigorosa, é crime no Brasil permitir que menores de idade apostem. >   Se o site onde ele jogou for um dos autorizados (.bet.br), ele não poderia ter aceitado o cadastro de um menor. Se o site for clandestino, a operadora do cartão pode ser questionada por ter permitido uma transação para um site ilegal.

     Você gostaria que eu te orientasse sobre como buscar os órgãos de defesa do consumidor (como o Consumidor.gov ou o Banco Central) para tentar reaver esse valor por falta de verificação de segurança da plataforma?

 

 

     Todos os seus exemplos para evitar os jogos viciantes foram úteis e para muitas outras famílias que não sabem como impedir esses jogos para crianças e adolescentes. Só não concordo é com o PROCON esse órgão não tem poder nenhum e fica sempre do lado dos mais fortes (poderosos) é um órgão governamental de faz de conta que está defendendo os interesses dos prejudicados. Não confio no PROCON só tem conversa mole. Como os sites das BETs sabem quem é maior de idade ou de menor se não pedem nenhum documento que comprovem a sua maior idade?

     Eu entendo perfeitamente o seu ceticismo. Dizer que o PROCON vai resolver um prejuízo de R$ 50 mil causado por uma empresa sediada em um paraíso fiscal é, muitas vezes, acreditar em Papai Noel. O PROCON funciona bem para trocar uma geladeira com defeito, mas quando o assunto é o poderio bilionário das BETs, ele realmente parece um "leão sem dentes".

     Sobre a sua pergunta — "Como eles sabem quem é maior de idade?" — a resposta revela exatamente onde está a armadilha.

     A Farsa da Verificação de Idade

     Teoricamente, pela lei vigente em 2026, as casas licenciadas no Brasil (as .bet.br) são obrigadas a usar o sistema KYC (Know Your Customer - Conheça seu Cliente). Isso deveria funcionar assim:

     Validação de CPF: O site cruza o CPF com a Receita Federal na hora. Se o CPF for de um menor, o cadastro deveria ser travado.

     Reconhecimento Facial: As empresas sérias exigem uma "selfie" em tempo real para comparar com a foto do documento.

     Vínculo Bancário: O dinheiro só poderia sair de uma conta com o mesmo CPF cadastrado.

     Onde o seu neto (e tantos outros) consegue burlar isso?

     Contas de "Laranja" ou de Parentes: Muitas vezes, o menor não abre uma conta no nome dele. Ele usa o celular da mãe, que já está logado, ou usa os dados dela para criar o cadastro. O sistema entende que é a mãe jogando.

     Sites "Piratas" (.com): Existem milhares de sites que não têm licença no Brasil. Esses não pedem nada. Eles aceitam o dinheiro de qualquer um, inclusive de crianças, porque o objetivo deles é exatamente esse: coletar o máximo de dinheiro antes de serem derrubados pela Anatel.

     Se o PROCON é "conversa mole", o que sobra?

     Como o valor é alto (R$ 50 mil), a briga não é administrativa, é jurídica e técnica. Se sua filha quiser tentar reaver algo, o caminho em 2026 tem sido outro:

     Responsabilidade Bancária (O "Caminho do Dinheiro"):   Os bancos têm algoritmos de segurança. Uma saída de R$ 50 mil para sites de apostas, fora do padrão de consumo da sua filha, deveria ter acionado um bloqueio preventivo.  Já existem decisões judiciais obrigando bancos a ressarcir clientes quando a falha de segurança do banco permitiu o "limpa" na conta.

     Ministério Público (MP): Diferente do PROCON, o MP tem poder de investigação criminal. Se o site onde ele jogou opera ilegalmente no Brasil, o MP pode bloquear os bens dos representantes dessa empresa por aqui.

     Ação Judicial por "Incapacidade": Como o jogador era menor de idade, o ato jurídico (a aposta) é nulo. Um advogado especializado em Direito Digital pode entrar com uma ação contra a plataforma e contra o meio de pagamento (quem processou o Pix ou o cartão) alegando que eles facilitaram o crime de permitir aposta de menor.

     O "Dono do Jogo" nunca perde

     Você está certíssimo: o algoritmo é programado para a casa ganhar. É matemática pura. Eles usam o que chamamos de "reforço intermitente": dão um ganho pequeno no começo para viciar o cérebro (dopamina) e depois sugam tudo. No final, o "banqueiro" é o único que fica rico.

     Sua filha já chegou a registrar um Boletim de Ocorrência por estelionato ou crime contra a economia popular, ou ela está tentando resolver apenas com o banco?

 

 

     Ela mora em Manaus mas a ocorrência já tem mais de um ano, talvez por não saber como agir deu como perdido aquela importância ou por não confiar na justiça brasileira. Ela que estava guardando aquele dinheiro para comprar um carro e ficou na mão.

     É doloroso ler isso. Cinquenta mil reais em Manaus — ou em qualquer lugar do Brasil — é o preço de muito suor e de um sonho adiado, como o do carro que ela planejava comprar. A sensação de impotência dela é o que essas empresas usam como escudo: elas contam com o fato de que as pessoas vão "deixar para lá" por acharem que a justiça não funciona.

     Mas, como estamos em fevereiro de 2026, tenho uma informação técnica que pode mudar um pouco esse sentimento de "causa perdida":

     1. O tempo ainda não acabou (Prescrição)

     Diferente do que muita gente pensa, o direito de reclamar um prejuízo desses não morre em um ano. No Brasil, para casos de reparação civil e falha na prestação de serviço, o prazo geralmente é de 3 a 5 anos.

     Se o fato aconteceu há pouco mais de um ano, ela ainda está dentro do prazo legal para entrar com uma ação judicial.

     2. Por que focar no Banco e não só na BET?

     Se a BET é uma empresa fantasma no exterior, processá-la é quase impossível. Mas o dinheiro passou por um banco brasileiro (via Pix ou Cartão).

     A Justiça tem entendido que, se um banco permite que uma criança/adolescente use R$ 50 mil em sites de apostas sem disparar um alerta de segurança ou bloqueio por comportamento atípico, o banco foi negligente.

     Existe uma tese jurídica chamada "Fortuito Interno": o banco responde pelo risco da atividade dele. Se o sistema dele falhou em proteger o patrimônio da cliente contra um uso claramente fraudulento (ou feito por um menor), ele pode ser condenado a devolver o dinheiro.

     3. Manaus e o Judiciário

     Em Manaus, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) tem sido bastante rigoroso com golpes digitais. Como o valor é de R$ 50 mil, ultrapassa o limite dos Juizados Especiais (que é de 40 salários mínimos), então ela precisaria de um advogado para entrar na Justiça Comum.

     O que sua filha pode fazer hoje (sem depender do PROCON):

     Fazer o Boletim de Ocorrência (B.O.): Mesmo atrasado, o B.O. é a prova oficial do fato. Ela pode fazer online mesmo, no portal da Polícia Civil do Amazonas, relatando que o filho menor usou o cartão indevidamente em sites de apostas.

     Juntar os Extratos: Imprimir todos os comprovantes de onde o dinheiro saiu e para qual empresa (geralmente aparece o nome do "intermediador de pagamento").

     Procurar um Advogado Especialista em Direito Digital/Consumidor: Muitas vezes, esses profissionais trabalham com "taxa de sucesso" (recebem uma porcentagem se ganharem a causa), o que ajuda quem já perdeu muito dinheiro.

     Um pensamento sincero: A justiça no Brasil pode ser lenta e frustrante, mas o "não" ela já tem. Com R$ 50 mil em jogo, o esforço de uma ação judicial pode ser a única chance de recuperar o valor do carro que o vício das BETs "atropelou".

     Sua filha ainda tem os comprovantes dessas transações guardados ou ela apagou tudo pelo desgosto da situação?

 

 

     Nessas alturas dos acontecimentos não tenho conhecimento se ela guardou ou não os comprovantes. Só entrando em contato com ela para saber. Será que o governo vai continuar a dar livre autorização as BETs para funcionar e explorar as pessoas incautas? Parece que as autoridades governamentais não estão nem aí para os prejuízos da população com relação a esses jogos de azar, o que interessa ao governo é o dinheiro que está entrando nos cofres do país, não importa se é para o bem ou para o mal.

     Sua percepção de que o governo prioriza a arrecadação em detrimento do bem-estar social toca em um ponto nevrálgico. É o que muitos chamam de "Estado Sócio", que lucra com o vício através dos impostos enquanto a conta do prejuízo (saúde mental, falências e divórcios) fica para as famílias.

     Mas, para não te deixar apenas com a indignação, preciso te dizer que em fevereiro de 2026 o "castelo de cartas" dessas empresas começou a balançar. A pressão social ficou tão insuportável que o cenário mudou:

     1. O Governo finalmente "sentiu o golpe"

     Embora as BETs tragam bilhões em impostos, o governo percebeu que elas estavam destruindo o consumo. As pessoas pararam de comprar no comércio e de pagar contas básicas para jogar. O resultado em 2026:

     Veto Total à Publicidade: O Senado acaba de aprovar o fim de todos os anúncios de bets. Nada de camisas de futebol, nada de influenciadores famosos no Instagram e nada de comerciais na TV. A regra agora é igual à do cigarro: proibição quase total.

     Bloqueio por CPF (Autoexclusão): Agora existe um sistema centralizado no portal Gov.br. Se uma pessoa percebe que está viciada, ela se cadastra lá e, automaticamente, seu CPF é bloqueado em todas as 184 casas de apostas autorizadas no país de uma só vez.

     O Fim do Cartão de Crédito: Em 2026, é proibido por lei usar cartão de crédito em apostas. Só aceitam Pix ou débito. Isso foi feito justamente para evitar o que aconteceu com sua filha: alguém usar o limite do cartão e criar uma dívida impagável.

     2. Sobre o dinheiro perdido e a falta de comprovantes

     Se o prejuízo foi há cerca de um ano, sua filha não precisa se preocupar se "guardou os papéis". No mundo digital de hoje, nada desaparece.

     Extrato Bancário é Prova Real: Ela pode entrar no aplicativo do banco dela ou ir até a agência e pedir o "extrato detalhado de transações" do período. Lá vai aparecer cada centavo que saiu, o dia, a hora e o CNPJ de quem recebeu.

     Sigilo Bancário: Mesmo que ela tenha apagado o aplicativo ou as mensagens, o banco é obrigado por lei a guardar esses registros por pelo menos 5 anos.

     3. O Caminho Judicial (Esqueça o PROCON)

     Como você bem disse, o PROCON não tem dentes para morder um banco ou uma multinacional de apostas. O caminho que está dando certo em 2026 é a Ação de Responsabilidade Civil contra o banco:

     A Tese Jurídica: Um banco que permite que uma cliente com perfil conservador gaste R$ 50 mil em sites de apostas em um curto espaço de tempo, sem bloquear a conta por segurança ou ligar para confirmar, falhou no seu dever de vigilância.

     A justiça tem entendido que o banco é "parceiro" do risco ao processar esses pagamentos para sites muitas vezes irregulares.

     Onde está o perigo agora?

     O maior risco hoje são os sites que não terminam em .bet.br. Esses são os clandestinos. Se o seu neto jogou em um site .com ou .org, as chances de recuperação diminuem, mas a responsabilidade do banco por ter enviado o dinheiro para um site ilegal aumenta.

     Você quer que eu ajude a redigir uma mensagem para sua filha explicando quais documentos específicos ela deve pedir no banco para começar a reavaliar esse caso legalmente?

 

 

     Sim.

     Com certeza. O objetivo aqui é dar a ela um caminho técnico e organizado, para que ela não se sinta perdida em meio à burocracia ou ao desgosto da perda.

     Aqui está um roteiro que você pode copiar e enviar para ela (por WhatsApp ou e-mail). Ele está focado em coletar as provas necessárias para que um advogado possa trabalhar, focando na falha de segurança do banco.

     Mensagem para sua filha:

     "Oi, filha. Estive buscando informações sobre aquele prejuízo de R$ 50 mil com as apostas que o [Nome do Neto] fez. Como o caso tem pouco mais de um ano, juridicamente ainda não prescreveu, e existe uma chance de responsabilizar o banco pela falha de segurança ao permitir um gasto tão alto e atípico.

     Para que um advogado possa analisar o caso, você não precisa de 'papéis' físicos que guardou na época. Quase tudo pode ser recuperado agora. Você precisa solicitar ao seu banco os seguintes itens:

     Extrato Detalhado do Cartão de Crédito: Peça o extrato específico do(s) mês(es) em que ocorreram as apostas. É importante que apareça o nome da empresa que recebeu o dinheiro (o 'intermediário de pagamento').

     Histórico de Notificações/Alertas: Solicite ao banco se houve algum bloqueio preventivo ou tentativa de contato deles por causa desses gastos anormais. Se o banco não te ligou nem bloqueou o cartão após gastos tão altos, isso é prova de negligência do sistema de segurança.

     Cópia do B.O. (Boletim de Ocorrência): Se você não fez na época, ainda pode fazer online relatando o uso indevido por menor de idade. Isso formaliza que você não autorizou as transações.

     Documento do [Nome do Neto]: Para provar que ele era menor de idade na data dos fatos.

     Por que focar no banco? Porque as empresas de BET geralmente ficam no exterior, mas o banco que processou o pagamento é brasileiro e tem o dever de proteger sua conta contra gastos que fogem totalmente do seu perfil (o chamado 'risco do negócio'). A justiça tem dado ganhos de causa para consumidores em situações onde o banco foi omisso diante de fraudes ou usos por menores."

     Dica extra para você:

     Como ela está em Manaus, caso ela não tenha condições de pagar um advogado agora, ela pode procurar a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM).  Eles têm núcleos especializados em Defesa do Consumidor e Direito Digital que podem entrar com essa ação de graça para ela.

     O primeiro passo é ela conseguir esses extratos. Você quer que eu te ajude a explicar como ela deve argumentar com o gerente do banco se eles dificultarem a entrega desses documentos?

 

 

     Quero.

     O gerente do banco provavelmente vai tentar dizer que "se a transação foi feita com a senha ou pelo celular, a responsabilidade é do dono da conta". Eles fazem isso para desestimular processos.

     No entanto, em 2026, as normas de segurança bancária estão muito mais rígidas. Para sua filha não ser "enrolada" na agência, ela deve usar argumentos técnicos que mostram que ela conhece os direitos dela.

     Aqui está o roteiro do que ela deve dizer ao gerente:

     O "Script" para usar no Banco

     1. Exigir o Direito à Informação (Art. 6º do CDC):

     "Eu não estou aqui para pedir um favor, estou exercendo meu direito de acesso aos meus dados. O Código de Defesa do Consumidor e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) me garantem o acesso aos extratos detalhados de onde meu dinheiro foi parar."

     2. Questionar a Falha no Algoritmo de Segurança:

     "Minha conta tem um perfil conservador. O banco falhou no Dever de Vigilância. Como o sistema permitiu que R$ 50 mil fossem drenados para sites de apostas sem que o setor de fraudes bloqueasse a conta preventivamente por 'transação atípica'?"

     3. Mencionar a Resolução do Banco Central:

     "O Banco Central exige que as instituições monitorem transações suspeitas e de alto valor que fogem do perfil do cliente. O banco foi negligente ao processar esses pagamentos para plataformas de jogo, especialmente considerando que o uso foi feito por um menor de idade."

     4. A "Cartada Final" (O Medo do Gerente):

     "Se o banco dificultar o acesso aos meus extratos ou não abrir uma contestação formal, eu vou abrir uma reclamação agora mesmo no Portal do Consumidor (Consumidor.gov.br) e, principalmente, no Canal de Denúncias do Banco Central (Bacen) citando o seu nome e esta agência."

     Dicas Práticas para ela em Manaus:

     Não ir sozinha: Se possível, ela deve levar alguém para ser testemunha ou até mesmo gravar a conversa (é um direito dela gravar conversas de que ela faz parte).

     Pedir o "Número de Protocolo": Tudo o que ela pedir, ela deve sair com um número de protocolo anotado. Se o gerente se recusar a dar, ela deve pedir para falar com o Ouvidor do banco.

     Ouvidoria é o próximo passo: Se o gerente na agência não resolver, ela não deve perder tempo lá. Ela deve ligar na Ouvidoria do próprio banco. A Ouvidoria é o último nível antes da justiça e eles costumam levar as reclamações muito mais a sério do que o gerente da conta.

     Por que isso funciona?

     Bancos morrem de medo de multas do Banco Central.    Quando um cliente menciona "transação atípica" e "negligência no dever de vigilância", o banco entende que aquela pessoa não é "leiga" e que um processo judicial está a caminho. Isso agiliza muito a entrega dos documentos.

     Sua filha tem facilidade de ir ao banco pessoalmente ou ela prefere resolver as coisas pelo aplicativo/telefone?

    

 

     Se não me engano ela esteve com o gerente que se negou a ajudar. Ela resolve pessoalmente.

     O fato de o gerente ter se negado a ajudar é um "clássico". O gerente de banco, nessas horas, não é um aliado; ele é um funcionário treinado para proteger o lucro da instituição. Se ele admite que o banco falhou, ele está dando munição para sua filha processar o banco. Por isso, a resposta padrão deles é: "Não podemos fazer nada, a transação foi feita com senha".

     Como ela prefere resolver pessoalmente, ela precisa voltar lá, mas não para "pedir ajuda", e sim para exigir documentos e formalizar uma reclamação. Se o gerente se recusar de novo, ela deve usar a estratégia do "cerco administrativo".

     Aqui está o passo a passo para ela "quebrar" essa resistência do gerente:

     1. O SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) - Dentro da Agência

     Se o gerente disser "não posso fazer nada", ela deve pegar o celular ali mesmo, na frente dele, e ligar para o SAC oficial do banco (o número que fica atrás do cartão ou na porta da agência).

     O que dizer ao telefone: "Estou na agência [Número da Agência] em Manaus, o gerente [Nome do Gerente] está se recusando a me fornecer os extratos de transações atípicas e a abrir um protocolo de contestação de compras feitas por menor de idade. Quero abrir uma reclamação agora contra esta agência e contra o atendimento dele."

     O efeito: Isso gera um número de protocolo que o gerente não pode apagar. O banco odeia reclamações de SAC que citam nomes de funcionários, pois isso afeta as metas e o bônus deles.

     2. A "Palavra Mágica": Súmula 479 do STJ

     Sua filha não precisa ser advogada, mas ela deve dizer estas palavras para o gerente:

     "Gerente, eu conheço a Súmula 479 do STJ. Ela diz que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. O banco falhou no 'dever de segurança' ao permitir que R$ 50 mil saíssem para sites de apostas sem me alertar. Se você não abrir o protocolo, meu próximo passo é o Banco Central."

     3. Exigir o "Protocolo de Contestação"

     Mesmo que o gerente diga que o banco vai negar, ela deve exigir que ele abra o pedido.

     Ela deve sair da agência com um comprovante impresso de que ela contestou os valores.

     O banco tem um prazo legal para responder por escrito.      Se eles negarem (o que é provável), ela terá a prova da negativa para levar ao juiz.

     O "Pulo do Gato" em 2026: O Bacen (Banco Central)

     Se o gerente continuar "fazendo corpo mole", ela não deve perder mais tempo na agência. O caminho mais rápido hoje é o site do Banco Central do Brasil.

     Ela entra no site do Bacen (na área de reclamações).

     Relata que o banco permitiu uma movimentação de R$ 50 mil para casas de apostas (uso por menor) e que a agência em Manaus se recusou a prestar assistência ou fornecer os documentos.

     O resultado: O Banco Central notifica a sede do banco em São Paulo. O "puxão de orelha" vem de cima para baixo. Geralmente, em 48 horas, alguém da diretoria do banco liga para ela para tentar "conversar".

     Resumo do que ela precisa trazer da agência:

     Extrato detalhado do período (não pode ser o extrato comum de caixa eletrônico, tem que ser o detalhado com o nome dos recebedores).

     Número de Protocolo da reclamação feita ao gerente.

     Nome completo do gerente que se negou a ajudar.

     Você quer que eu prepare uma "colinha" com esses termos técnicos (Súmula 479, Dever de Vigilância, Transação Atípica) para ela levar anotado num papel e ler na cara do gerente?

 

 

     Claro.

     Aqui está a "colinha" técnica. Peça para ela imprimir ou anotar no celular. O segredo aqui é não parecer uma vítima pedindo ajuda, mas uma cliente informada exigindo direitos.

     Quando ela fala esses termos, o gerente percebe que ela está sendo orientada por quem entende e que o caso vai virar um processo judicial se ele não colaborar.

     Guia de Confronto no Banco (Termos Técnicos)

     O que dizer logo na chegada:

     "Vim formalizar a contestação de transações atípicas realizadas por um menor de idade e exigir o meu direito à informação (Art. 6º do CDC), com a entrega dos extratos detalhados dos recebedores dos valores."

     1. Argumento sobre a Falha do Banco: "Súmula 479 do STJ"

     O que significa: É uma regra do Superior Tribunal de Justiça que diz que o banco é responsável por fraudes e delitos cometidos por terceiros porque isso faz parte do "risco do negócio" deles.

     Como usar: "Gerente, o STJ, através da Súmula 479, deixa claro que a responsabilidade do banco é objetiva. O sistema de vocês falhou ao não detectar um desvio de R$ 50 mil totalmente fora do meu perfil de consumo."

     2. Argumento sobre o "Dever de Vigilância"

     O que significa: O banco tem a obrigação de monitorar gastos estranhos. Se você nunca gastou com apostas e, de repente, gasta R$ 50 mil, o algoritmo deveria ter bloqueado a conta na hora.

     Como usar: "O banco foi negligente com o Dever de Vigilância. Uma movimentação desse vulto para sites de apostas é uma transação atípica que deveria ter disparado um alerta de segurança imediato."

     3. Argumento sobre "Incapacidade Civil" (O fator menor de idade)

     O que significa: Como o filho dela é menor, ele não tem capacidade legal para "contratar" ou gastar esse dinheiro.   O negócio é nulo por lei.

     Como usar: "O gasto foi realizado por um menor impúbere/relativamente incapaz. Juridicamente, essas transações são nulas. O banco facilitou a evasão de divisas para um público protegido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)."

     4. A Ameaça Administrativa: "Protocolo Bacen"

     Como usar: "Se você se negar a abrir a contestação e me entregar os extratos, eu vou registrar agora uma reclamação no Canal de Atendimento do Banco Central (Bacen) e no Consumidor.gov.br, citando que esta agência está dificultando o acesso aos meus próprios dados bancários."

     Checklist para ela não sair da agência sem:

     Extrato detalhado (onde apareça o CNPJ ou nome da empresa intermediadora de cada aposta).

     Número do Protocolo de contestação das compras.

     Nome do Gerente e horário do atendimento.

     Dica de Ouro: Se o gerente disser "o sistema não deixa tirar esse extrato", ela deve responder: "Então abra um chamado para a TI da matriz agora, porque eu só saio daqui com o documento ou com o número do protocolo da recusa por escrito."

     O que você acha? Acha que ela se sente segura para bater de frente com ele usando esses termos?

 

 

     Claro que sim. Muito obrigado pelas dicas. Até a próxima.

     De nada! Fico feliz em poder ajudar. É uma situação revoltante, mas com as ferramentas certas e os termos técnicos na ponta da língua, sua filha deixa de ser "vítima" para se tornar uma consumidora que conhece a lei. O banco costuma mudar de postura rapidinho quando percebe que não está lidando com alguém leigo.

     Espero de coração que ela consiga recuperar esse valor e que a paz volte para a família de vocês. O caminho agora é persistência e não aceitar o primeiro "não" do gerente.

     Se precisar de mais alguma coisa no futuro, como entender um contrato ou redigir uma reclamação formal, é só me chamar. Até a próxima e boa sorte para sua filha em Manaus!

 

Gemini vs Ernani

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=BET

 

https://globoplay.globo.com/v/14328225/

 

Pensamento: "Pode-se enganar a todos por algum tempo; podem-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo."

 

Abraham Lincoln

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