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SECA NO AMAZONAS

 

     O homem é o único responsável pela seca no Rio Negro e Solimões no Amazonas; o ser humano é um animal irracional que se auto denominou de homo “sapiens” pela sua vaidade e orgulho de um superego que se acha superior a tudo e a todos.

     Estão colocando a culpa no El Niño e as vezes na La Niña e também no aquecimento global; esses efeitos tiveram uma importância no aquecimento global mas não foram os únicos, a causa principal foi o homem, com sua ganância de enriquecimento fácil e ilícito com o apoio governamental dos políticos brasileiros começaram a destruir as florestas: Amazônica, Atlântica, os Cerrados, os Manguezais...

     A floresta Amazônica ficou sendo o alvo principal dos políticos que queriam ambiciosamente os dólares na exportação da agroindústria, agronegócio e agropecuária, comprometendo a fauna e flora daquela imensa floresta em troca do papel moeda; a ganância foi tão grande que partiram para os incêndios criminosos e no desmatamento desenfreado em extensões nunca visto neste planeta.

     A seca no Amazonas é consequência da insanidade dos políticos que não tiveram a visão de que, com a devastação criminosa, a floresta perdeu muitos biomas importantes para conservação das nascentes que formam os rios atuais. Sem as nascentes os rios tendem a secarem e o povo a passar fome, sede, adoecerem e morrerem em consequência da ambição desvairada dos políticos e dos ruralistas que passam por cima de tudo e de todos. Essas terras de exportação no Amazonas vão se tornar terras áridas, desérticas sem nenhuma utilidade como aconteceu no Sul do Brasil; com o desmatamento e queimadas criminosas que botam a culpa no aquecimento global dizendo que são incêndios espontâneos por causa do clima, tentando tirar a culpa do homem “sapiens”. A floresta Amazônica outrora nunca pegou fogo só depois que o homem botou o pé naquele lugar a miséria se instalou.

     Em vez das autoridades estaduais e federais se aproveitarem da seca nos rios amazonenses para retirar os lixos que estão no leito seco e melhorar a qualidade das águas quando voltarem a subir o nível, se não fizerem a limpeza agora, quando as águas voltarem a subir os rios vão ficar uma imundície como era antes da seca. O ser humano só quer tudo na boca sem esforços, mas, para sujarem o meio ambiente são os primeiros, essa humanidade está transformando o planeta numa pocilga e como um vírus e porcos estão se expandindo vertiginosamente como uma pandemia viral e, como um vírus inconsequente, estão se proliferando e comprometendo a vida planetária ao ponto da extinção de todos os seres vivos.

     A floresta Atlântica foi o alvo dos governantes porque as terras que antes eram de exportação no Sul do país ficaram cansadas e inúteis para a plantação, e por conta desse desmatamento no Sul do país, hoje, a população dos municípios dos três Estados sulistas estão sofrendo com os ciclones extratropicais que estão destruindo tudo e alagando o comércio e residências, essas enchentes é o resultado do desmatamento ganancioso dos políticos atrás dos dólares de exportação. Sem falar nos rios caudalosos e largos que viraram canais. As florestas no Sul do país viraram pastagens para o gado de exportação e é essa falta de vegetação florestal que está havendo a mudança climática na região. O homem destrói mas não é capaz de reconstruir com o reflorestamento.

     Estamos deixando de alimentar o nosso povo para nos tornar o celeiro do mundo (commodities) e, alimentar os estrangeiros em troca de papel moeda. Trocando as nossas riquezas e pondo em risco a escassez desses produtos no futuro para o povo brasileiro, já não basta a fome e o desemprego que o povo já está passando! A causa da miséria brasileira é por causa dos políticos corruptos e entreguistas que são um bando de preguiçosos que não querem trabalhar e vivem de propinas, negociatas e vencimentos de marajás para favorecerem as grandes potências; são políticos venais que entregam as riquezas do solo e subsolo e do mercado através de leilões e privatizações de crime de Lesa a Pátria. O Brasil está perdendo a soberania para as privatizações e leilões. O Brasil está de joelhos nas mãos dos estrangeiros que estão invadindo como piratas a saquearem o país, e o povo a passar fome. Quem manda nos políticos são as multinacionais, os ruralistas que são estrangeiros, as petroleiras internacionais, e todos que compraram as riquezas do Brasil em leilões e privatizações criminosas. São essas empresas que controlam o país e o povo.

 

Ernani Serra

    

 

https://g1.globo.com/profissao-reporter/playlist/profissao-reporter-ultimos-videos.ghtml

 

https://www.youtube.com/watch?v=5RtkFYQzPdU

 

https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2023/09/25/mais-de-80-mil-pessoas-sao-afetadas-pela-seca-dos-rios-no-amazonas-aponta-defesa-civil.ghtml

 

https://www.google.com.br/search?q=Quantos+hectares+foi+destruida+do+amazonas.&sca_esv=578522338&ei=BXtCZa-wHP7Z1sQP6vOAiA0&ved=0ahUKEwjvxqDNmqOCAxX-rJUCHeo5ANEQ4dUDCBA&uact=5&oq=Quantos+hectares+foi+destruida+do+amazonas.&gs_lp=Egxnd3Mtd2l6LXNlcnAiK1F1YW50b3MgaGVjdGFyZXMgZm9pIGRlc3RydWlkYSBkbyBhbWF6b25hcy4yBRAhGKABSLPEAlAAWJG1AnAKeACQAQKYAYMCoAHUZqoBBjAuNzguM7gBA8gBAPgBAagCFMICBRAAGIAEwgIGEAAYBxgewgINEAAYBxgeGA8Y8QQYCsICCBAAGAcYHhgPwgIIEAAYFhgeGA_CAgYQABgWGB7CAh0QABiKBRjlAhjlAhjqAhi0AhiKAxi3AxjUA9gBAcICFhAAGAMYjwEY5QIY6gIYtAIYjAPYAQLCAhYQLhgDGI8BGOUCGOoCGLQCGIwD2AECwgIHEAAYigUYQ8ICCxAAGIAEGLEDGIMBwgIREC4YgAQYsQMYgwEYxwEY0QPCAgsQABiKBRixAxiDAcICCBAAGIAEGLEDwgINEAAYgAQYsQMYRhiAAsICBxAAGIAEGArCAgoQABiABBixAxgKwgIPEAAYgAQYsQMYChhGGIACwgIPEAAYDRiABBixAxhGGIACwgINEAAYigUYDRixAxiDAcICBxAAGA0YgATCAgoQABgNGIAEGLEDwgIKEAAYgAQYRhj7AcICCBAAGIoFGLEDwgIFEAAYogTCAggQIRgWGB4YHcICCBAAGIkFGKIE4gMEGAAgQYgGAboGBAgBGAe6BgYIAhABGAo&sclient=gws-wiz-serp#ip=1

 

Pensamento: A ambição é o último recurso do fracassado.

 

Oscar Wilde

 


GOVERNO EXTERMINADOR E GENOCIDA

 

 

     Queimadas e desmatamento ameaçam povos indígenas isolados.

28 Agosto 2020

    

     O Informe Trinacional Queimadas e Desmatamento em Territórios com Registros de Povos Indígenas em Situação de Isolamento, divulgado ontem (26), faz um alerta sobre a ameaça que essas ações representam à sobrevivência dos povos isolados da Bolívia, do Brasil e do Paraguai, que habitam regiões da Amazônia, do Grande Chaco Americano e do Cerrado brasileiro.

     A reportagem é de Camila Boehm, publicada por Agência Brasil, 27-08-2020.

     “A perda territorial, causada pelo desmatamento e incêndios, causa deslocamento em busca de locais mais seguros, mas traz outros perigos: abordagem involuntária às populações vizinhas e possível contágio de doenças. A situação é ainda mais complicada pela presença da covid-19, uma pandemia cujo crescimento exponencial compromete seriamente a vida desses povos, a herança viva da América e da humanidade”, concluiu o documento.

     O informe resulta de iniciativa de mais de 20 organizações indígenas e da sociedade civil que integram o Grupo de Trabalho Internacional sobre os Povos Indígenas em Situação de Isolamento e Contato Inicial (GTI PIACI) e que representam essas três regiões, diante do aumento na incidência de incêndios florestais e na taxa de desmatamento no ano passado.

     Segundo o relatório, esse cenário começa a repetir-se em 2020, na medida em que as queimadas se estendem novamente pela Amazônia e pelo Grande Chaco Americano. A conclusão é que essa situação agrava a condição de extrema vulnerabilidade dos grupos isolados, porque os incêndios e o desmatamento destroem os territórios com os quais os povos têm dependência e são base de sua sobrevivência e de sua cultura.

Riscos

     Para o especialista regional em questões de Povos Indígenas em Isolamento, consultor da organização Land Is Life e autor principal do relatório, Antenor Vaz, há ações evidentes dos Estados-Nação em uma perspectiva de exterminar esses povos, diante do que chamou de falta de providência dos governos diante de alertas antecipados. Entre os problemas que avançam sobre os territórios dos povos isolados estão a ação do garimpo e de madeireiras ilegais, grilagem de terra, narcotráfico e construção de grandes empreendimentos.

     “Existe uma ausência não só de definição de políticas e implementação de políticas, mas também existe uma presença do estado por meio de um modelo de desenvolvimento, em que promovem a construção de hidrelétricas, o agronegócio, que avança sobre os territórios, queima e invade os territórios dos isolados. E existe uma ausência total do Estado para coibir as ações ilícitas”, declarou.

     Ele alerta para o risco de genocídio dos povos indígenas isolados. Segundo ele, o que caracteriza um genocídio é o extermínio deliberado, parcial ou total, de um grupo indígena, de uma etnia, de uma seção religiosa, seja ela qual for. “O que temos observado nos três países [do relatório] e podemos dizer, de maneira geral, dos sete países [da América do Sul] com povos indígenas isolados, é que esses povos dependem fundamentalmente do seu território. Se você impacta esse território, você está criando condições para que esses povos não sobrevivam”, advertiu.

     Outro resultado apresentado é que um elemento comum na origem do aumento das queimadas é a ação humana, impulsionada por situações como as práticas expansivas do agronegócio e da indústria extrativa – como a madeireira e a garimpeira. Essa situação, aliada à falta de marcos regulatórios efetivos para a proteção dos povos indígenas isolados, faz com que a situação deles seja cada vez mais precária, conforme avaliação no documento.

Dados

     Foram analisados 99 Territórios Indígenas (TI) com registros de povos indígenas em situação de isolamento (PIA, na sigla em inglês) nos três países, constatando-se em 2019 um aumento de focos de calor na ordem de 258% na Bolívia, 259% no Brasil e 185% no Paraguai, na comparação com 2018. Os focos de calor detectados nas 32 unidades de conservação (áreas protegidas) também com presença de PIA em 2019, subiram 744% na Bolívia, 347% no Brasil e 44.150% no Paraguai, na comparação com 2018.

     Para as análises, foram usados dados de fogo ativo – conhecidos também como focos de calor ou focos de queimada – de satélite do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Com base nesses dados, foram elaborados informes locais de incêndios pela Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) no Brasil, a Iniciativa Amotocodie (IA) no Paraguai, e a Central Indígena de Comunidades Tacana II do Rio Madre de Dios (CITRMD) na Bolívia.

     Com base nos dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), foram identificados 114 registros de presença de povos indígenas em situação de isolamento (PIA), incluindo confirmados, em estudo ou em informação. Destes, 81 estão em áreas protegidas (em terras indígenas ou em unidades de conservação) e foram considerados para este informe. Um total de 33 registros não estão em áreas legalmente delimitadas e, por isso, não foram avaliados.

Recomendações

     O documento propõe recomendações para a implementação de medidas de proteção desses povos e de seus territórios. Para as Casas Legislativas dos três países, recomenda-se que legislem sobre uma proposta de Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que resulte em um plano de prevenção e combate aos desmatamentos na Amazônia, no Grande Chaco e no Cerrado.

     Para a sociedade civil e Estados-Nações, a sugestão é que apoiem as iniciativas de povos indígenas com histórico de contato e suas organizações, fortalecendo, por exemplo, a formação de brigadas indígenas de combate e prevenção a incêndios, além de apoiar a autoproteção dos territórios. Em relação aos organismos multilaterais, pede-se uma atuação mais incisiva em relação aos Estados em uma perspectiva de combate a incêndios e destruição de territórios indígenas e unidades de conservação.

     Questionada sobre o alerta de ameaça de genocídio contra os povos indígenas isolados constante no relatório, a Fundação Nacional do Índio (Funai) disse, em nota, desconhecer o teor do documento citado e informou que, em parceria como Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo-Ibama), atua na execução de atividades de Manejo Integrado do Fogo (MIF) em terras indígenas, adotando atividades de prevenção e de combate a incêndios florestais nessas áreas.

     A Agência Brasil pediu posicionamento dos Ministérios do Meio Ambiente e da Justiça, que destinaram a demanda à Funai e ao Conselho da Amazônia da Vice-Presidência. A reportagem aguarda resposta do conselho.

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     Comentário:

 

     Esse governo não tem nenhuma empatia com a floresta, nem com os animais e muito menos com os povos indígenas, é destituído de humanidade, está se portando como um bárbaro. Está destruindo a floresta Amazônica como foi destruída a floresta Atlântica, só que, os problemas vão se agravar não só nacional como internacional.

     Está querendo expulsar os índios isolados através do desmatamento e do fogo criminoso na floresta para que se tornem mendigos nos centros urbanos. Sem a floresta não haverá caças e nem água para a sobrevivência dos índios e nem dos brancos ribeirinhos.

     Esse governo vai ficar na estória da maldição como ficou Nero, Esse governo não tem sensibilidade e nem sentimento humanitário em favor das vidas que estão sendo ceifadas pelo fogo no Amazonas. Esse governo só se importa com o mercado de commodities, agronegócios, pecuárias, capitais estrangeiros, etc. O povo que se exploda.

     Esse é o tipo de governo Neoliberal que defende a liberdade absoluta do capitalismo e da intervenção mínima do Estado. É um antipatriota que prefere entregar tudo e todos nas mãos dos estrangeiros e se tornar escravo desse sistema egoísta e egocentrista que é o capitalismo neoliberal.

     Esse governo é responsável pelo extermínio da floresta Amazônica incluindo a fauna, a flora e as nações indígenas, Está cometendo um ato de genocídio indireto contra os povos indígenas e contra a fauna e a flora. Está sendo conivente com os atos de barbárie.

     O governo detonou a maior bomba nuclear (Bomba do Tzar) no Amazonas destruindo toda a floresta Amazônica.

 

Ernani Serra

 

https://www.politize.c https://outraspalavras.net/outrasmidias/como-o-governo-sabota-ibama-e-acao-contra-o-garimpo/?fbclid=IwAR1pybu2smR5ox8lX6eV-AmGSZlVTY_Iwn5X9IjkYFmkjkcxaWbGZyNP5xkom.br/genocidio-o-que-e/

https://outraspalavras.net/outrasmidias/como-o-governo-sabota-ibama-e-acao-contra-o-garimpo/?fbclid=IwAR1pybu2smR5ox8lX6eV-AmGSZlVTY_Iwn5X9IjkYFmkjkcxaWbGZyNP5xk

https://www.metropoles.com/brasil/meio-ambiente-brasil/governo-suspende-acoes-contra-desmate-e-queimadas-na-amazonia-e-no-pantanal?fbclid=IwAR2sjwIZB97R6hPpQnHx9BKVEC4bNl88HsYWEzTsz94F1CnfCxBAJXckGbc

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/602306-queimadas-e-desmatamento-ameacam-povos-indigenas-isolados?fbclid=IwAR1c_gozOcjIrHmuTiOL4ku9JoxYw3KtM9eCjf6zYQ2jtzD12oM80qsy1q4

https://www.youtube.com/watch?v=zDv-XPNOz2s&feature=share&fbclid=IwAR1ulutIK4eP8_Tdi-knwspXS6ul5TJpWfiL5egLDyrPsfeZw7SOw_8w_wg

https://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2020/08/governo-bolsonaro-bloqueia-recursos-para-combate-ao-desmatamento-e-queimadas-na-amazonio-e-pantanal/?fbclid=IwAR3pLsC-rcIJXPthRETihdUH6r2yJPW6qYz8Yv95g33nK14StKtcIV7-RZc

Pensamento: Governos genocidas são aqueles que destroem as florestas para destruir as vidas.

Ernani Serra

 

 



 AMACRO

 

     Uma arriscada fronteira do desmatamento na Amazônia.

 

     Desmatamento, violência no campo e fogo andam de mãos dadas rumo ao interior da Amazônia pela fronteira sul do desmatamento

 

     Ampliação de desmatamento na BR 319, em Canutama, Amazonas, em 11 de setembro de 2021.

 

     Até 1975, a Amazônia brasileira havia perdido apenas 1% de sua cobertura florestal. Quase cinquenta anos depois, o Brasil já perdeu quase 20% de sua porção da maior floresta tropical do mundo, segundo dados do MapBiomas. O motor para tanta destruição foi a implementação de uma ideia equivocada de que a floresta seria um empecilho, um “inferno verde” a ser vencido para dar lugar ao “desenvolvimento”. Modelo defendido até hoje e que segue fazendo vítimas, acumulando tragédias e promovendo a miséria para muitos e lucro para poucos. 

 

     O carro chefe deste modelo é a produção agropecuária, que avança sobre a floresta, apoiada no desmatamento e no uso do fogo. Hoje em dia, a ciência já provou que, na verdade, a floresta tem muito mais valor em pé, do que desmatada. Apesar disso, a visão “desenvolvimentista” do século passado ainda é defendida pelas elites econômicas e executada com apoio de políticos e empresas.

 

     O desmatamento para a produção de commodities já está consolidado em áreas onde antes existiam floresta, como o Mato Grosso e parte do Pará. Mas o arco do desmatamento segue avançando, especialmente no sudoeste e oeste do Pará, onde a escala de destruição segue alcançando proporções titânicas, e na região sul do bioma, onde se encontram os estados de Rondônia, Amazonas e Acre, área visitada pelo Greenpeace Brasil na expedição realizada em setembro de 2021, e que vem se destacando nos últimos anos, devido a velocidade e voracidade com que a floresta é consumida.

 

     A porção de floresta que existe nessa região resiste graças à criação, no passado, de Unidades de Conservação estaduais e federais e é a barreira que protege a parte mais preservada da Amazônia. Permitir que a destruição avance por essa região pode ser um caminho sem volta, com consequências desastrosas para o Brasil e para o mundo.

 

 

     Fogo reacende a fronteira adormecida

 

     Como acontece em outras fronteiras de desmatamento na Amazônia, o processo de mudança do uso da terra começa com a retirada da madeira de maior valor, seguida da derrubada das árvores menores e, consequentemente, as queimadas, que são usadas no processo de desmatamento. De 1 de janeiro a 20 de outubro deste ano, os três estados (AM, RO e AC), juntos, responderam por quase metade (49,5%) dos focos de calor identificados na Amazônia, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Amazonas, sozinho, concentrou 21% dos focos de calor (14.356) do período. 

 

     De 1 de janeiro a 7 de outubro, os alertas de desmatamento do Deter-B nesses três estados juntos chegaram a 3.208 km², segundo dados do Inpe. “De 2019 para cá houve um aumento na área de grilagem de terras em Rondônia. Algo que muitas vezes a gente tá chamando de ‘grilagem online’, que são propriedades declaradas, em áreas próximas a unidades de conservação e até mesmo dentro das unidades de conservação”, relata a pesquisadora do Programa de Geografia da Universidade Federal de Rondônia, Amanda Michalski.

 

     A grilagem, aliás, é um grande problema na Amazônia como um todo. No último ano, 31,63% dos alertas de desmatamento foram detectados em florestas públicas não destinadas. Essa situação pode se intensificar ainda mais se projetos de Lei como o 2633/2020, conhecido como PL da Grilagem, aprovado em agosto deste ano pela Câmara dos Deputados, forem aprovados. Na prática, este projeto irá anistiar invasores de terra pública e incentivará novos ciclos de grilagem. O PL aguarda agora a aprovação no Senado e pode ser votado a qualquer momento.

 

 

     Rebanho em fazenda na BR 319, em Porto Velho, Rondônia. (© Nilmar Lage / Greenpeace)

De acordo com Michalski, o gado é usado na região como “um manto, para disfarçar o crime ambiental que vem a partir da grilagem de terra”. De acordo com informações do IBGE, em 2020, Rondônia contava com um rebanho bovino de 14,8 milhões de cabeças de gado, isso equivale a oito bois para cada habitante do estado.

 

     A pecuária extensiva avança pautada na abertura constante de novas áreas. Muitas vezes a pecuária é utilizada no processo da grilagem, onde as áreas, depois de derrubadas e ocupadas com alguns bois, acabam legalizadas por vários meios. Essas terras, posteriormente, podem ser repassadas para a produção de commodities, a exemplo da produção agrícola que utiliza de mecanização e fertilização para produzir grãos, principalmente soja. A soja por sua vez tem se expandido continuamente na Amazônia, em áreas que eram previamente pastagens, deslocando a pecuária para áreas de floresta. Resumindo: o gado abre espaço para a soja entrar.

 

     “Hoje a gente já observa que essa pecuária que tá no norte de Rondônia já avança para o sul do Amazonas e parte do Acre, e a soja avança aqui em Porto Velho”, explica. De acordo com a pesquisadora, a ação dos governos estadual e federal tem sido determinante para a intensificação desse processo na região.

 

     Em maio deste ano, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (sem partido), sancionou a Lei Complementar 1.089, que extinguiu 202 mil hectares de áreas protegidas no estado, retirando a proteção de porções significativas da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e do Parque Estadual de Guajará-Mirim. A Resex Jaci-Paraná perdeu quase 90% de seu território e o Parque Estadual de Guajará-Mirim perdeu 55 mil hectares. Essa lei está sendo questionada na Justiça.

 

     “Rondônia é como um laboratório do crime ambiental. Se deu certo em Rondônia, isso vai se intensificar e a gente vê este processo a partir do que eles estão querendo montar, essa nova regionalização que é a chamada AMACRO”, alerta a pesquisadora.

 

 

     Proposta de regionalização econômica, AMACRO abrange 32 municípios dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia.

 

     AMACRO é um acrônimo formado pelas iniciais de Amazonas, Acre e Rondônia, e trata-se de uma regionalização econômica que visa incentivar a produção agropecuária na região. Apesar de a palavra “sustentabilidade” estampar todas as publicações oficiais a respeito do projeto – o nome atual do plano é Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunâ-Madeira -, sua estrutura está construída em torno da ampliação de infraestrutura e incentivos voltados à produção agropecuária.

 

     “Isso é preocupante, principalmente porque além de incentivar um modelo nada inclusivo e que se nutre de desmatamento, não conversa com a urgência climática e com a crise da biodiversidade, podendo abrir cada vez mais acesso para partes praticamente intactas da Amazônia”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

 

      O exemplo mais próximo desta iniciativa pode ser visto no Cerrado, com o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde o modelo promoveu a concentração de renda, de terras, desmatamento e esgotamento dos recursos naturais, além do acirramento da violência no campo.

 

     Para o Queops Silva de Melo, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) de Lábrea, infelizmente as políticas públicas na região são mais direcionadas para o agronegócio do que para atividades que convivem com a floresta, o que resulta nessa disparidade entre os modelos econômicos. “O que a gente precisa aqui é incentivo à produção extrativista. Essa região do Sul do Amazonas é vista como área de exploração livre, você pega a produção do indígena, do ribeirinho, e leva a preço baratíssimo. Ao mesmo tempo, vão trazendo coisas de fora que não são da nossa cultura, não é da nossa vocação, nosso sistema aqui é um sistema riquíssimo de biodiversidade. Se valorizasse isso com política pública a gente teria recursos suficientes para todo mundo viver bem”.

 

     Violência na floresta

 

     De acordo com o último relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre Violência no Campo, em 2020 foram registrados 69 conflitos no Acre, 68 no Amazonas e 72 conflitos em Rondônia. Em todo o Brasil, foram 2.054 ocorrências de conflitos no campo, o maior número da série histórica do levantamento, que começou em 1985.

 

     “Aqui atualmente o conflito por terra não é tanto pela propriedade da terra, pelo assentamento. O pessoal está brigando para ficar acima da terra. A maior parte dos conflitos é de pessoas que se vêem ameaçadas e expulsas de suas terras. E para isso muitas vezes usam o fogo, o desmatamento e a destruição como forma de expulsar as comunidades tradicionais de seus territórios e da floresta que é sua fonte de recursos e de vida”, conta Josep Iborra Plans, missionário da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Porto Velho.

 

     O missionário relata casos de ameaça, expulsão, trabalho escravo e até assassinatos, onde os culpados dificilmente são identificados ou punidos. O representante da CPT fala de uma justiça desigual, que pune o pequeno colono, enquanto inocenta grandes grileiros. “O Estado, de uma forma assim de propósito, se faz ausente, deixando os pistoleiros agirem e que impere a lei dos mais fortes, dos grandes grileiros”, afirma.

 

     São casos como o do agricultor Antônio da Silva*, que vivia em uma comunidade ribeirinha em Rondônia e foi expulso da terra que habitou por 25 anos. “Um dia chegou uma pessoa lá dizendo que era dona da minha terra e de mais 18 mil hectares. Me chamaram para entrar num acordo que eu acredito que ia custar a minha vida, né? Então eu não aceitei e hoje eu tô pagando esse preço”, relata. Depois da recusa, o agricultor passou a ser ameaçado e perseguido por pistoleiros, teve sua área cercada, seus animais de criação mortos, até que as ameaças se intensificaram de tal maneira, que ele foi forçado a sair de sua terra.

 

     O extrativista Augusto de Souza* traz um relato parecido. Depois de anos vivendo da coleta de castanhas em uma reserva extrativista no Amazonas, viu seu mundo virar de cabeça quando grileiros invadiram seu castanhal e o expulsaram da área. Hoje, as castanheiras centenárias não existem mais e a sensação é de impotência. Ambas identidades foram preservadas nesta reportagem, para segurança dos entrevistados, que seguem sob ameaça.

 

 

     “No Sul de Lábrea foi mais ou menos assim, tinha os extrativistas de castanha, os seringueiros, e aí começou a invasão. O pessoal começou a entrar, os madeireiros tirando madeira, depois vinham os pecuaristas derrubando o resto. Alguns dos extrativistas que resistiam ao preço deles, eles diziam que então custaria R$ 4, que é o preço de uma bala”, conta Adelson Arruda de Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Lábrea, que viu a economia do município, antes baseada na agricultura familiar, avançar rumo à concentração de terra e onde a pecuária responde pela maior parte da produção.

 

     Segundo Adelson, muitos dos “novos donos” da terra vem de outros estados, como o Paraná e Mato Grosso. “O que acontece com o agricultor familiar depois que ele é expulso da terra? Ele deixa a agricultura familiar e vem para a cidade basicamente para passar necessidade, passar fome”, relata.

 

     A flexibilização da legislação ambiental e a falta de fiscalização são as causas apontadas pela missionária Laura Vicunha, do CIMI de Rondônia, para o avanço das invasões e da violência que sofrem os povos indígenas no estado.

 

     “O território Karipuna, por exemplo, é um território que no passado já foi reduzido 40 mil hectares e é um povo pequeno, então fazem de tudo para pressionar esse território. Esse ano a pressão se intensificou ainda mais, sobretudo na parte sul da terra indígena, que foi impactada por aquela lei (1.089) que desafetou a Resex Jaci-Paraná e parte do Parque Estadual Guajará Mirim. Com essa pressão e com essa liberação, a legalização da grilagem, fez com que o desmatamento e os focos de queimada voltassem a subir”, afirma.

 

     Entre 2017 e 2020, foram devastados 3.646 hectares da TI Karipuna, que ocupa a posição de 9ª terra indígena mais desmatada na Amazônia. Os relatos de extração ilegal de madeira, ameaças e até de loteamentos dentro da TI são fartos, mas os problemas continuam, o que levou os Karipuna a entrarem com uma ação judicial contra a União, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo de Rondônia por inação. Na ação, os indígenas pedem que os invasores sejam expulsos, que as obras realizadas dentro da TI sejam destruídas, que as áreas desmatadas ilegalmente sejam recompostas e que a TI seja, de fato, protegida e fiscalizada.

 

     A situação das populações indígenas não é muito melhor no Amazonas, onde o avanço da agropecuária ameaça a vida dos povos de norte a sul do estado. De acordo com Queops, do CIMI, as queimadas e o desmatamento impactam a saúde e a sobrevivência dessas populações. “A fronteira agrícola vem chegando e uma das coisas que preocupa a gente é que todas essas comunidades, essas aldeias, o principal acesso é pelo rio, mas os igarapés estão sendo fortemente ameaçados, eles estão secando e essa população está sendo forçada a migrar de um local para o outro, devido a esse desmatamento nas cabeceiras dos rios vindo do sul do município”, conta.

 

 

     As constantes ameaças vindas de Brasília, como a possibilidade de aprovação do Marco Temporal, adicionam uma camada extra de pressão. A tese, defendida arduamente por ruralistas, dentro e fora do Congresso, e pelo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu “não demarcar um centímetro de terra índigena” em seu governo, argumenta que um povo indígena só pode ter sua terra demarcada se conseguir comprovar que estava sobre ela no dia 5 de outubro de 1988, data em que a Constituição foi promulgada, ignorando todo o processo colonizatório, em que muitos povos foram dizimados, escravizados, proibidos de falar seu idioma e exercer sua identidade cultural, além de expulsos de suas terras.

 

     “Não é assim, nós estamos aqui há muito tempo, nós estamos aqui muito antes de 5 de outubro de 1988. Então, nós entendemos que a demarcação dos nossos territórios precisa ser concluída. Eu tenho o meu território demarcado. Já outros parentes aqui da nossa região não tem. Então precisamos lutar por eles”, defende Antônio Enésio Tenharim, coordenador geral Organização dos povos indígenas do Alto Madeira (Opiam). De acordo com o Antônio, esta não é a única ameaça vinda de Brasília. O sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), o Projeto de Lei 191/2020, que visa permitir a mineração em TIs, também ameaçam a integridade dos povos indígenas não só do Amazonas, mas de todo o Brasil.

 

“Vivemos um momento em que a floresta e seus povos estão seriamente ameaçados pelo enfraquecimento de órgãos públicos de controle, por uma série de propostas no âmbito legislativo, que objetivam entregar as florestas públicas para o desmatamento, e por uma visão de desenvolvimento que já se mostrou equivocada para a Amazônia”, afirma Cristiane Mazzetti. “A região do sul do Amazonas, norte de Rondônia e Acre é mais uma expressão desse modelo que precisa ser revisto imediatamente, dada a emergência climática e a vulnerabilidade social presente no Brasil. É preciso viabilizar uma economia capaz de conviver com a floresta e promover real desenvolvimento na região”, defende.

 

     Faltando poucos dias para a 26ª Cúpula Climática da ONU, também conhecida como COP26, brasileiros e o resto do mundo voltam suas atenções para ouvir o que os governos apresentarão como contribuições para solucionar a crise climática. O Brasil, que poderia ser uma liderança neste debate, infelizmente, segue na direção oposta.

    

     Greenpeace Brasil•7 de julho de 2023•

 

     Comentário:

     Querem acabar com as florestas: da Amazônia, dos Cerrados e da floresta Atlântica.

     Não há interesse político para zerar o desmatamento dessas florestas. O presidente Lula pretende zerar o desmatamento do Amazonas em 2030, mas do jeito que vai, em 2030 não haverá uma árvore em pé. Se houvesse interesse em zerar o desmatamento deveriam começar agora, ou ontem, o tempo está acabando e à Fervura Global está começando e a humanidade estão prestes a ser extintas, tudo por causa da ganância e ignorância de grupos poderosos que querem o lucro não importa a que preço, se amanhã todos estejam mortos.

     Os incêndios em toda parte do mundo são criminosos não tem a ver com o Aquecimento Global, se o aquecimento tocasse fogo não seria em determinados locais e sim em toda a floresta ou mata, nunca houve incêndios espontâneos no passado. O incêndio na floresta do Canadá foi criminoso porque as chamas começaram simultaneamente no Leste e no Oeste do Canadá. Estão querendo áreas para expandir os centros urbanos por causa da explosão demográfica mundial. No Amazonas é para virar pastos para engorda do gado que vai se transformar em commodities para exportar e matar a fome de países estrangeiros, enquanto no Brasil, o povo passa fome e vive na miséria social. O presidente Lula é o presidente do faz de conta que governa, no país do faz de conta.

 

Ernani Serra

 

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Pensamento: Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.

 

Maquiavel

 

 

 

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