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A FUTURA BANDEIRA DO BRASIL


     Davi Kopenawa: “Os garimpeiros, sem dúvida, vão matar os índios isolados na área Yanomani”
Líder Yanomani denuncia na ONU desmonte de políticas públicas do Governo Bolsonaro, invasão de seu território pelos garimpeiros e a situação crítica dos grupos isolados.

     Davi Kopenawa Yanomami no encontro de Lideranças Yanomami e Ye'kuana, realizado entre 20 e 23 de novembro de 2019 na Comunidade Watoriki, na Terra Indígena Yanomami. VICTOR MORIYAMA / ISA
     MAIS INFORMAÇÕES

     “Meu povo tem o direito de viver em paz e em boa saúde, porque ele vive em sua própria casa.  
     Na floresta estamos em casa! Os Brancos não podem destruir nossa casa, senão, tudo isso não vai terminar bem para o mundo”. Este foi o alerta do líder indígena Davi Kopenawa Yanomami, que participou nesta terça-feira de uma audiência na Comissão de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, onde deu seu testemunho sobre a invasão do território Yanomami pelos garimpeiros e a ameaça que isto representa aos grupos isolados Moxihatetea.
     A sessão, promovida pelo Instituto Socioambiental (ISA), pela Comissão Arns e pelo Conectas, denuncia a frágil situação dos povos indígenas em isolamento no Brasil, e riscos de etnocídio e genocídio destas populações. Um relatório do ISA, apresentado na audiência mostra que, em 2019, a derrubada da floresta nessas terras cresceu 113% no Brasil, sendo que na somatória de todas as Terras Indígenas (TIs), o aumento foi de 80%. Seis terras indígenas ―Ituna/Itatá, Kayapó, Munduruku, Uru-Eu-Wau-Wau, Yanomami e Zoró―, que possuem dez registros de povos indígenas isolados, estão listadas entre as treze TIs que respondem por 90% do desmatamento nesses territórios”, aponta o relatório.
    
     desmonte das políticas públicas do Governo Jair Bolsonaro, como os “cortes de orçamento, perseguição a servidores, deslegitimação dos dados de desmatamento” estão entre as razões apontadas pelo relatório para o estímulo a invasões.
     Davi Kopenawa Yanomami, durante audiência da ONU em genebra, nesta terça-feira.    DIVULGAÇÃO/ISA

     Leia a íntegra do testemunho de Davi Kopenawa:
     As coisas estão assim. Agora os Brancos não vivem longe de nós. Eles não param de se aproximar. Na cidade de Boa Vista, eles se tornaram muito numerosos, vão aumentar sem trégua, e agora eles se exortam uns aos outros. Eles dizem: “Sim, vamos nos apoderar dos bens preciosos da terra dos Yanomami. Esses bens ainda não são mercadorias de verdade, mas são bens preciosos, escondidos no cascalho da terra. Nós vamos tomar essas riquezas, e ainda as árvores da floresta e vamos nos instalar nos Yanomami!”. É o que os Brancos dizem uns aos outros e é como eles se encorajam: ”Venham para Boa Vista! Eu, Governo de Roraima, vou lhes dar trabalho! Vocês não serão mais pobres!”. Estas são as palavras deles. Com elas querem trocar seu dinheiro e suas mercadorias. Assim os Brancos, todos eles, não param de fixar seu olhar sobre a nossa floresta para tentar se apoderar dela. Eles dizem: “Sim, nós vamos arrancar dinheiro da floresta. Os Yanomami não sabem de nada, portanto são nossas as riquezas”. É isso o que os Brancos falam ao encorajar seus trabalhadores a virem para a floresta. “Sim, podem ir! Não tenham medo! Os Yanomami parecem numerosos, mas nós é que somos, de verdade! Mesmo que eles flechem alguns de nós, ainda assim seremos ainda muito numerosos!”
     Dizendo dessas coisas todas é que eles aumentaram tanto e por toda a parte, na floresta, nos rios, nas terras altas. Eles querem o ouro.       valor do ouro aumentou cada vez mais e eles aumentam sem cessar. Eles pensaram: “Sim, agora o valor do ouro está muito alto. Vamos todos para a terra Yanomami!”. É assim que eles adentraram a floresta por todos os lados, através dos rios, pelas trilhas, com seus aviões e helicópteros. É assim que as coisas estão hoje em dia. Eles abriram portas de entrada pelos rios e pelo ar. Eles desmataram para fazer pistas de aterrissagem por toda a parte. Também desmataram para fazer novas trilhas na floresta. Na bacia do Rio Apiaú, é por aí que eles chegam em grande número. Pelo rio Parimiú também. Eles já foram expulsos de lá, mas voltaram ainda mais numerosos! Há também uma outra trilha, que sobe ao longo do Rio Catrimani.
     Pela trilha do Rio Apiaú, eles se aproximaram do lugar onde vive o grupo isolado Moxihatetea. Nas nascentes do Rio Apiaú, onde vivem esses povos isolados, começaram a atacar e a destruir a floresta e seus rios. No início, eles trabalhavam com as mãos, mas agora usam máquinas. Descem as peças dessas máquinas de um helicóptero para, depois, montá-las ali mesmo. É assim. Os Moxihatetea estão vigilantes e desejam ficar longe dos Brancos. Eles não conhecem garimpeiros e não querem que se aproximem. Então já fugiram muitas vezes. Mas agora, não podem mais fugir.        Antes eles se refugiavam na floresta profunda, longe das trilhas, e lá ficavam em acampamentos provisórios, como quando estavam em expedições de caça, longe de casa. Os garimpeiros então começaram a roubar a comida dos roçados – a mandioca, as bananas, as canas de açúcar, quando as suas provisões de arroz, farinha e latas de conservas se esgotaram. Então os guerreiros Moxihatetea os atacaram com flechas, mas os garimpeiros mais violentos quiseram se vingar atirando com espingardas. É o que aconteceu com os Moxihatetea isolados, e eu acho isso muito errado.
     Então eles fugiram de novo subindo o rio, mas nessa direção também há garimpeiros instalados no Rio Catrimani, criando obstáculo. Os índios agora estão cercados. Por isso estou falando para defender os Moxihatetea. Mas eu não conheço as suas casas, assim como vocês também não conhecem. Eu só as vi do céu, do avião. Nunca os visitei a pé. Nunca nos falamos. É por isso que estou muito preocupado. Talvez em breve estarão exterminados. É o que eu acho. Os garimpeiros sem dúvida vão matá-los com suas espingardas e suas doenças, a sua malária, a sua pneumonia... Os indígenas não têm vacinas de proteção, vão todos desaparecer.
     E não há só eles na terra-floresta Yanomami.   Mais além, na região de Erico, vivem outros povos isolados. São como os Moxihatetea. E também, na outra margem do Rio Catrimani, a jusante, nas cabeceiras do Rio Xeriuini, há outros isolados. E ainda num afluente do Rio Arca, no centro. É por isso que lutamos por eles. Estamos muito inquietos pelo que possa lhes acontecer. Há outros isolados na floresta próxima dos Waimiri-Atroari e há outros em toda a Amazônia! Viviam assim há muito tempo e querem continuar assim! São eles que cuidam verdadeiramente da floresta. São os Moxihatetea e todos os povos isolados da Amazônia que ainda guardam a última floresta.    Mas os Brancos não sabem disso, porque eles não compreendem a língua desses povos. Os brancos apenas pensam: “O que eles estão fazendo aqui?”     E quando os Brancos chegam, são suas epidemias que chegam também com eles.
     É por isso que eu reflito: “O que acham os Grandes Homens [autoridades] dos brancos? Não querem nos deixar viver em paz e em boa saúde?   Eles nos detestam, de verdade?”. É evidente que nos consideram como inimigos, porque somos outras gentes, somos habitantes da floresta. Fomos criados na floresta da Amazônia, no Brasil, e por isso os Brancos não nos conhecem. Eles se contentam em atacar e destruir à vontade nossa floresta. Não é a terra deles mas eles declararam que lhe pertence. Eles pensam: “Essa floresta é nossa. Vamos arrancar o ouro do solo, cortar as suas árvores e vamos instalar aqui outros brancos que necessitam de terra, os criadores de gado, os colonos, e vamos então acabar com os Yanomami”. Não é só o que eles pensam, agora é até o que eles dizem mesmo!
     O novo presidente do Brasil, eu nem menciono o seu nome, nem digo para ele: “Como você é o presidente, você deveria nos proteger!”. Eu já conheço as palavras desse presidente: “Que venham todos os Brancos que queiram dinheiro, os criadores de gado, os madeireiros, os garimpeiros e os colonos também. Eu vou dar-lhes essa floresta, para acabar com todos os Yanomami, todos eles, e para que os Brancos se tornem os proprietários. É nossa terra e tudo bem! Assim é, eu sou o único senhor dessa terra!”. Essas são as suas palavras. Essas são as palavras daquele que se faz de grande homem no Brasil e se diz Presidente da República. É o que ele verdadeiramente diz: “Eu sou o dono dessa floresta, desses rios, desse subsolo, dos minérios, do ouro e das pedras preciosas! Tudo isso me pertence, então, vão lá buscar tudo e trazer para a cidade. Faremos tudo virar mercadoria!”.
     É o que os Brancos acham e é com essas palavras que destroem a floresta, desde sempre.   Mas, hoje, eles estão acabando com o pouco que resta. Eles já destruíram os nossas trilhas, sujaram os nossos rios, envenenaram os peixes, queimaram as árvores e os animais que caçamos. Eles nos matam também com as suas epidemias.    Alguns Brancos têm pena de nós, mas não os seus Grandes Homens, que dizem que nós somos animais. Eles dizem: “São macacos, porcos do mato!”. No entanto, são esses homens que não sabem pensar. Eles não sabem trabalhar na floresta, não conhecem seu poder de fertilidade në rope. Só ficam andando de um lado para o outro, destruindo. Eles só querem conhecer a floresta do alto de suas máquinas satélites, que saem das cidades e que olham de relance as árvores, as nossas casas, os rios, as colinas, a beleza da floresta. Depois disso eles chamam os outros: “Sim, venham pra cá. Nós todos do Brasil vamos tirar os bens preciosos! Nós vamos acumular tudo isso nas cidades! Nós vamos, de verdade, virar o Povo da Mercadoria! Não seremos mais pobres, vamos ter muitos bens!”. É o que eles dizem entre eles. Era isso que eu queria contar aqui. Essa gente é indiferente às palavras daqueles que defendem os Yanomami. Mesmo assim, envio essa mensagem.
     Gostaria que os Direitos Humanos da ONU pudessem olhar para nós e nos dar um apoio muito forte para que as autoridades do Brasil ―os políticos dos municípios, dos estados e da capital ―todos esses Brancos das cidades, nos respeitem e não nos molestem mais. Que eles compreendam e reconheçam os direitos dos seres humanos, assim como faz a ONU. Os Direitos Humanos da ONU são construídos para defender os que sofrem.   Então, eu gostaria que a ONU faça um bom trabalho, denunciando com muita força o que nos acontece, para que as autoridades do Brasil respeitem os Yanomami, os povos isolados e todos os povos ainda não reconhecidos.
     Meu povo tem o direito de viver em paz e em boa saúde, porque ele vive em sua própria casa. Na floresta estamos em casa! Os Brancos não podem destruir nossa casa, senão, tudo isso não vai terminar bem para o mundo. Cuidamos da floresta para todos, não só para os Yanomami e os povos isolados. Trabalhamos com os nossos xamãs, que conhecem bem essas coisas, que possuem uma sabedoria que tem contato com a terra. A ONU precisa falar com as autoridades do Brasil para retirar ―imediatamente― os garimpeiros que cercam os isolados e todos os outros em nossa floresta.

     Comentário:

     O governo de Jair Bolsonaro vai destruir os povos indígenas, a fauna e a flora da floresta do Amazonas, e todos os brasileiros e o mundo vão pagar por essa insanidade de ambição e poder desse presidente da República Federativa do Brasil que deseja entregar todas as riquezas do Brasil aos EUA e aos poderosos do poder econômico internacional.
     No passado, os EUA cometeu essa mesma insanidade contra os índios norte-americanos e conseguiram exterminar ou deixar alguns povos indígenas na miséria social.
     Aqui é diferente, aqui temos uma floresta fechada com árvores centenárias e que, vão cortar sem pena nem dó, um patrimônio nacional, para receber migalhas dos madeireiros que vão enriquecer com a destruição da floresta amazônica. É preciso que alguém tenha o poder de deter essa máquina de destruição ambiental que se chama Bolsonaro.  

Ernani Serra

Pensamento: A destruição do meio ambiente só trás um ambiente deserto.

Ernani Serra


                               NA CONTRAMÃO DO DEVER


     O Brasil está na contramão do dever de combater o desmatamento e as queimadas na floresta Amazônica.

     O governo está fazendo que está combatendo o crime ambiental, quando na verdade não está fazendo nada para parar com as queimadas e o desmatamento na floresta. O governo afastou todos os fiscais para facilitar o crime ambiental em favor dos ruralistas criminosos, em contrapartida enviou o Exército para combater o crime organizado, que na verdade não fazem nada contra os bandidos ambientalistas, apenas controlam as estradas, mas não tem o poder de multar a criminalidade e os bandidos ficam bem a vontade de continuar com o crime. Ultimamente os bandidos estão queimando e desmatando (destruindo) a floresta com mais rapidez possível aproveitando o ensejo do governo está facilitando esse tipo de crime ambiental.

     Isso tudo tem um objetivo comum, que é preparar o terreno para urbanizar, criar pastos para a pecuária e agriculturas de exportação para beneficiar o agronegócio e os ruralistas.

     O governo está dizendo que não tem como combater o crime ambiental em curto prazo, isso já é uma maneira de dizer aos bandidos que desmatem e queimem a floresta com mais rapidez. Se o governo tivesse a intenção de combater esse crime poderia acabar em curto prazo desde que o Exército, a Polícia Federal e os fiscais ambientalistas trabalhassem juntos, e também, aumentassem o número de fiscais, com o aparato de poder de multas e de prender esses criminosos. O governo diz uma coisa na mídia e na realidade é outra. As multas no passado ficavam o dito pelo não dito, os fiscais multavam os infratores (criminosos do meio ambiente) e a justiça derrubava o auto de infração contra esses bandidos e eles continuavam na criminalidade ambiental. Para acabar com esse crime organizado tem que as multas serem irrevogáveis e nem a justiça tivesse o poder de revogar a sentença fiscal.

     Do jeito que vai caminhando a destruição da floresta Amazônica em poucos anos o Amazonas será uma savana sem fauna e sem flora nativa.

     "A Amazônia é uma área sem lei" os bandidos do meio ambiente estão invadindo áreas de conservação e os territórios indígenas para destruir a floresta com garimpagem e grilagem, em troca de ouro e outros metais nobres, e o governo não agem de forma severa contra esses criminosos com prisões e multas altas. Se o governo quisesse e tivesse a boa vontade acabaria em tempo recorde com essa farra das máfias ruralistas e das mineradoras internacionais que desejam invadir o território brasileiro, mas, infelizmente, esse governo está vendendo o Brasil a varejo aos grandes investidores internacionais a preço de banana.

     Infelizmente, o mundo está de braços cruzados e não estão fazendo nada para impedir esse crime globalizado, porque a Amazônia é um patrimônio universal e não pode ser devastada por qualquer um sem princípios e sem patriotismo.

     Só tem uma maneira de impedir essa farra de destruição florestal é boicotar todas as exportações de minérios, madeiras, carnes, grãos, etc. Sem a compra desses produtos (commodities) pelos países consumidores, os ruralistas e o governo parariam com os incêndios e derrubadas de árvores no Amazonas e fariam uma vigilância mais severa com o poder da justiça contra todos esses crimes ambientais e a floresta seria salva. O mundo está sendo omisso e deixando que o governo brasileiro acabe com a floresta Amazônica como foi destruída a floresta Atlântica no passado.

     O Amazonas não é só do Brasil é de todos os países porque sem a floresta a humanidade vai sofrer com o aquecimento global e a fome e a miséria vai aumentar no Brasil, e no futuro, o Brasil não poderá fornecer ao mundo seus produtos agropecuários porque sem a floresta não vai haver rios e nem produção, a fome vai se estender a todos os países e os problemas vão ser globais. Os países estrangeiros devem pressionar esse governo para que acabe com todas as queimadas e desmatamentos imediatamente, e que, queimadas sejam consideradas criminosas e punidas, os responsáveis sejam punidos com prisões e multas altas.

     Durante toda minha vida nunca tive conhecimento de incêndios florestais no Amazonas, há poucas décadas é que estamos vendo essa catástrofe ambiental com o aval do governo federal, e de presidentes anteriores e presentes. A corrupção se generalizou como aves de rapina contra a presa fácil do território amazonense. Querem tirar dos brasileiros o patrimônio florestal para entregar aos estrangeiros de mão beijada. Traição de Lesa a Pátria, covardia, capachos, etc.

 

Ernani Serra

 

https://www.dw.com/pt-br/o-sofrimento-da-amaz%C3%B4nia-vai-continuar-em-2020/a-51726096

 

https://veja.abril.com.br/blog/impacto/na-amazonia-cinco-estados-registram-aumento-de-queimadas/

 

https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2020/04/20/fumaca-da-iminente-temporada-de-incendios-na-amazonia-somada-ao-coronavirus-pode-ser-um-desastre.htm

 

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-51317040

 

Pensamento: Queimar e destruir a floresta, é  exterminar uma nação pela fome.

 

Ernani Serra

 


 


O AMAZONAS E O MUNDO ESTÃO EM PERIGO

    

     Aquecimento global, desmatamento e incêndios podem acelerar o fim da Amazônia, diz estudo.

14/02/2024 18h29

Por Oliver Griffin

 

     BOGOTÁ (Reuters) - A seca e o calor, potencializados pelas mudanças climáticas e outros fatores, podem causar o colapso do sistema de florestas tropicais da Amazônia na América do Sul, disseram cientistas nesta quarta-feira em um estudo, concluindo que quase metade delas podem chegar a um ponto crítico até 2050. 

 

     "A região está cada vez mais exposta a um estresse sem precedentes de temperaturas mais quentes, secas extremas, desmatamento e incêndios, mesmo em áreas centrais e remotas do sistema", escreveram os pesquisadores no estudo publicado na revista Nature.

 

     Os pesquisadores estimaram que entre 10% e 47% da atual cobertura florestal da Amazônia enfrentará esses fatores de estresse até 2050.  

 

     "Uma vez que passarmos desse ponto crítico, talvez não haja mais nada que possamos fazer", disse o ecologista Bernardo Flores, da Universidade de Santa Catarina, principal autor do estudo.

 

     "A floresta morrerá sozinha." 

 

     É hora, acrescentou Flores, de declarar "alerta vermelho" para a Amazônia, maior floresta tropical do mundo. 

 

     Com o aumento das temperaturas prejudicando a umidade da região, a floresta está progressivamente transformando-se em uma savana ou em outras formas de ecossistemas degradados mais suscetíveis a incêndios, segundo especialistas. Essa savanização marca uma grande mudança para a Amazônia, onde a maioria dos incêndios é provocada por agricultores ou fazendeiros na intenção de "limpar" a terra. À medida que a terra seca, mais incêndios podem eclodir.

 

     Para o estudo, os pesquisadores observaram áreas florestais e consideraram fatores climáticos e humanos, incluindo temperaturas e precipitações passadas e suas projeções para o futuro, tendências de construção de estradas na floresta e o status de gestão das terras, como, por exemplo, se uma floresta é parte de uma reserva ou mantida por grupos indígenas.  

 

     O estudo marcou a mais recente tentativa de avaliar se -- e quando -- o ecossistema da floresta tropical pode mudar, com o potencial de se tornar um evento catastrófico devido à importância da Amazônia na absorção de grandes quantidades de dióxido de carbono, responsáveis pelo aquecimento do clima da atmosfera. 

 

     A ministra do Meio-Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, disse no ano passado que a salvação da Amazônia exige um esforço global, na escala do Plano Marshall, no período pós-Segunda Guerra Mundial. 

 

     A nova pesquisa mostra "o quão próxima a Floresta Amazônica está do ponto crítico", disse o cientista climático Carlos Nobre, da Universidade de São Paulo, que não fez parte do estudo.

 

     O desmatamento aumenta esse risco, com menos árvores gerando a umidade que se transforma em chuvas e alimenta a floresta. 

 

     Cerca de 18% da Floresta Amazônica já foi destruída, segundo Nobre. Se esse número chegar a algo em torno de 20%, 25%, afirmou Nobre, toda a floresta pode virar uma savana.

 

     Comentário:

     O homem caminha a passos largos para sua autodestruição, como um monstro na Terra está poluindo e destruindo as florestas, o ar, as águas, a terra, O homem representa os quatro Cavaleiros do Apocalipse. É muito triste que o homem está destruindo um planeta tão belo e farto como a Terra.    O homem está transformando a fartura em escassez e tudo que o homem toca se transforma em pó, até a beleza da Natureza num monstro disforme. A humanidade se tornou um sinônimo de morte constante em toda parte, não existe mais paz, só existe guerra e destruição através da explosão demográfica irreversível e mortal.

 

Ernani Serra

 

https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2024/02/29/terra-do-fogo-como-roraima-se-tornou-o-estado-com-maior-numero-de-incendios-em-fevereiro-de-2024.ghtml

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=apocalipse

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=Deus

 

Pensamento: A ambição do homem vai levar a humanidade e todas as vidas planetárias para a morte coletiva. Aguardem 2100.

 

Ernani Serra

 

 


DESMATAMENTO: A AMAZÔNIA ESTÁ SOB AMEAÇA


     EM JULHO, O DESFLORESTAMENTO FOI 278% MAIOR DO QUE NO MESMO PERÍODO DE 2018

Publicado em: 30 Ago 2019, 11:08

     Maior floresta tropical do mundo, a Amazônia está sob forte ameaça de desmatamento. Entre janeiro e julho de 2019, o desflorestamento foi 67,2% maior do que no mesmo período de 2018. O dado é da Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter), levantamento feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

     Leia também:

     Desmatamento: por que a Floresta Amazônica em pé vale mais.

     Com selo UEBT, Natura torna visível seu respeito pela biodiversidade.

     Amazônia: o que o desmatamento pode causar na América Latina?

     O desmatamento traz graves prejuízos ambientais, para a qualidade de vida e sociais. Por isso, engana-se quem pensa que desmatar é a única forma de fazer a economia girar na região. Para quem vive na floresta, ela vale mais em pé do que chão.

     Nós, da Natura, acreditamos que o uso dos produtos florestais não madeireiros é o melhor investimento. Dessa forma, juntamente com nossos parceiros, contribuímos para manter 1,8 milhão de hectares de floresta em pé. A base desse número vem de uma análise via sensoriamento remoto das taxas anuais de desmatamento da região amazônica produzidas pelo projeto Prodes, sistema de monitoramento também operado pelo Inpe. Esse dado é levantado a partir da nossa atuação nas cadeias produtivas, projetos socioambientais derivados da repartição de benefícios e o carbono circular, somado aos limites de unidades de conservação ambiental onde temos fornecimento e atuação há mais de cinco anos.

     Transformando o valor da floresta

     Em 2011, formalizamos nosso compromisso de desenvolver alternativas sustentáveis e transformar desafios socioambientais em negócio com a implementação do Programa Natura Amazônia. A iniciativa já gerou R$ 1,5 bilhão em negócios na região e beneficiou 4.636 famílias.

     Um dos exemplos mais claros do valor que compreende manter uma árvore em pé é a ucuubeira. Na década de 1980, a espécie chegou a entrar na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês) como uma das que estariam extintas até 2050.

     Após estudos de retorno financeiro, concluímos que a ucuubeira preservada gera uma renda três vezes maior para as comunidades da floresta com a extração das sementes. Foi assim que a ucuuba se tornou um dos ativos vegetais que compramos com o lançamento de Ekos, como também acontece com a castanha, açaí, murumuru, entre outros.

     Com o comércio justo e sustentável das diversas matérias-primas que a Amazônia abriga, é possível fazer o uso sustentável da floresta, sem derrubá-la.

     Comentário:

     O Brasil está sob o comando de grupos mafiosos que dominam o governo federal e seus órgãos ministeriais com o propósito de corrupção generalizada. Esses grupos mafiosos estão destruindo não só as florestas como também o país no seu todo e com o aval de países estrangeiros que compram essas madeiras nobres e ilegais com documentos esquentados para parecerem legais; se os países estrangeiros deixassem de comprar os produtos de exportação principalmente a madeira, a soja, o milho, as carnes, a floresta ficaria em pé e beneficiaria toda a humanidade. Com a destruição das florestas o homem está sendo um suicida e comprometendo toda humanidade a autodestruição.

 

Ernani Serra

 

https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/06/27/madeira-de-desmatamento-ilegal-e-retirada-de-floresta-nacional-e-transportada-a-luz-do-dia.ghtml

 

https://www.youtube.com/watch?v=16YDWDufBpQ

 

https://www.youtube.com/watch?v=hPTlsV2lmBw&t=6s

 

https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/06/13/crime-ambiental-sem-punicao-ha-10-anos-reflete-crise-na-fiscalizacao-do-meio-ambiente.ghtml

 

https://globoplay.globo.com/v/9600261/?s=0s

 

Pensamento: O egoísmo, o egocentrismo, a ambição é o veneno que a humanidade está digerindo.

 

Ernani Serra

 

 

 

           



O HOMEM É TÃO PRIMITIVO QUE ESTÁ CONSTRUINDO UMA SELVA DE PEDRA PARA MORAR

 

     "O Natal chegou mais cedo para as florestas da Amazônia, o cerrado brasileiro e o Pantanal", disse Nico Muzi, diretor da ONG Mighty Earth, ao jornal britânico The Guardian.

     Ele comentava a decisão, anunciada nesta semana, de seis redes europeias de supermercados de não vender mais carne bovina com origem no Brasil ou produtos ligados à JBS, após denúncias de que a empresa brasileira teria comprado gado criado em áreas de desmatamento, dentro de um esquema conhecido como "lavagem de gado".

     A pressão internacional por preservação que ameaça soja e carne do Brasil.

     Neste esquema, o gado criado em áreas desmatadas seria transferido para uma fazenda regularizada e depois vendido para o abate. Dessa forma, a origem dele seria mascarada.

     A investigação que deu origem ao boicote anunciado pelos varejistas europeus foi feita pela Mighty Earth, em parceria com a organização brasileira Repórter Brasil. 

     Em maio desse ano, um grupo de empresas europeias, incluindo a rede britânica de supermercado Tesco e a loja de departamentos Marks & Spencer, ameaçou parar de comprar commodities brasileiras em protesto contra um projeto de lei (PL 510/2021) em tramitação no Senado, que tratava da regularização da ocupação de terras ...

 

     Comentário:

     O governo do presidente da República Jair Bolsonaro está deixando que os desmatadores destrua a floresta Amazônica. Neste mês de novembro/2021 houve a maior destruição de árvores veja: https://oglobo.globo.com/brasil/meio-ambiente/desmatamento-ate-novembro-o-maior-dos-ultimos-dez-anos-na-amazonia-diz-imazon-25327068

 

     Só existe uma vacina para parar com essa doença ambiental é um boicote internacional (mundial) das commodities do Brasil, exigindo não só que seja parado todos os cortes de árvores, mas que, o governo se comprometa em reflorestar toda área até hoje devastada pela ambição do homem. O boicote mundial tem que ser geral para todas as commodities.

O governo sem exportar:

A madeira a floresta continuará de pé.

As carnes a floresta continuará de pé.

Minérios e ouro a floresta continuará de pé.

A soja, o café e outros grãos a floresta continuará de pé.

O petróleo a floresta continuará de pé.

     Portanto, todos os importadores internacionais são responsáveis pela devastação da Floresta Amazônica e do Pantanal do Mato Grosso porque estão sendo coniventes com as queimadas criminosas e o desmate ilegal e de maneira devastadora contra a natureza e as vidas existentes naquele complexo florestal; ao se comprometer com o governo brasileiro em comprar as mercadorias das commodities estão também sendo os demolidores da floresta Amazônica.

     O governo brasileiro e os ruralistas sem exportação e sem dólares, com a produção estocada, têm que colocar no mercado toda a produção abaixo preço e a inflação cai, o Real se valoriza e a fome diminui com a elevação do salário mínimo através do custo baixo da economia. Sem dólares o governo passa um calote no FMI e no Banco Mundial.

     Os empresários mundiais não só estão ajudando através do boicote a reflorestar o Amazonas como também a ajudar o povo brasileiro a sair da fome e da miséria social.

 

Ernani Serra

  

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-59706210

 

https://oglobo.globo.com/brasil/meio-ambiente/desmatamento-ate-novembro-o-maior-dos-ultimos-dez-anos-na-amazonia-diz-imazon-25327068

 

Pensamento: O desmatamento acontece, pois o homem está construindo uma selva de pedra.

 

Lucas Moreira

 

 

 

 



 AMACRO

 

     Uma arriscada fronteira do desmatamento na Amazônia.

 

     Desmatamento, violência no campo e fogo andam de mãos dadas rumo ao interior da Amazônia pela fronteira sul do desmatamento

 

     Ampliação de desmatamento na BR 319, em Canutama, Amazonas, em 11 de setembro de 2021.

 

     Até 1975, a Amazônia brasileira havia perdido apenas 1% de sua cobertura florestal. Quase cinquenta anos depois, o Brasil já perdeu quase 20% de sua porção da maior floresta tropical do mundo, segundo dados do MapBiomas. O motor para tanta destruição foi a implementação de uma ideia equivocada de que a floresta seria um empecilho, um “inferno verde” a ser vencido para dar lugar ao “desenvolvimento”. Modelo defendido até hoje e que segue fazendo vítimas, acumulando tragédias e promovendo a miséria para muitos e lucro para poucos. 

 

     O carro chefe deste modelo é a produção agropecuária, que avança sobre a floresta, apoiada no desmatamento e no uso do fogo. Hoje em dia, a ciência já provou que, na verdade, a floresta tem muito mais valor em pé, do que desmatada. Apesar disso, a visão “desenvolvimentista” do século passado ainda é defendida pelas elites econômicas e executada com apoio de políticos e empresas.

 

     O desmatamento para a produção de commodities já está consolidado em áreas onde antes existiam floresta, como o Mato Grosso e parte do Pará. Mas o arco do desmatamento segue avançando, especialmente no sudoeste e oeste do Pará, onde a escala de destruição segue alcançando proporções titânicas, e na região sul do bioma, onde se encontram os estados de Rondônia, Amazonas e Acre, área visitada pelo Greenpeace Brasil na expedição realizada em setembro de 2021, e que vem se destacando nos últimos anos, devido a velocidade e voracidade com que a floresta é consumida.

 

     A porção de floresta que existe nessa região resiste graças à criação, no passado, de Unidades de Conservação estaduais e federais e é a barreira que protege a parte mais preservada da Amazônia. Permitir que a destruição avance por essa região pode ser um caminho sem volta, com consequências desastrosas para o Brasil e para o mundo.

 

 

     Fogo reacende a fronteira adormecida

 

     Como acontece em outras fronteiras de desmatamento na Amazônia, o processo de mudança do uso da terra começa com a retirada da madeira de maior valor, seguida da derrubada das árvores menores e, consequentemente, as queimadas, que são usadas no processo de desmatamento. De 1 de janeiro a 20 de outubro deste ano, os três estados (AM, RO e AC), juntos, responderam por quase metade (49,5%) dos focos de calor identificados na Amazônia, segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O Amazonas, sozinho, concentrou 21% dos focos de calor (14.356) do período. 

 

     De 1 de janeiro a 7 de outubro, os alertas de desmatamento do Deter-B nesses três estados juntos chegaram a 3.208 km², segundo dados do Inpe. “De 2019 para cá houve um aumento na área de grilagem de terras em Rondônia. Algo que muitas vezes a gente tá chamando de ‘grilagem online’, que são propriedades declaradas, em áreas próximas a unidades de conservação e até mesmo dentro das unidades de conservação”, relata a pesquisadora do Programa de Geografia da Universidade Federal de Rondônia, Amanda Michalski.

 

     A grilagem, aliás, é um grande problema na Amazônia como um todo. No último ano, 31,63% dos alertas de desmatamento foram detectados em florestas públicas não destinadas. Essa situação pode se intensificar ainda mais se projetos de Lei como o 2633/2020, conhecido como PL da Grilagem, aprovado em agosto deste ano pela Câmara dos Deputados, forem aprovados. Na prática, este projeto irá anistiar invasores de terra pública e incentivará novos ciclos de grilagem. O PL aguarda agora a aprovação no Senado e pode ser votado a qualquer momento.

 

 

     Rebanho em fazenda na BR 319, em Porto Velho, Rondônia. (© Nilmar Lage / Greenpeace)

De acordo com Michalski, o gado é usado na região como “um manto, para disfarçar o crime ambiental que vem a partir da grilagem de terra”. De acordo com informações do IBGE, em 2020, Rondônia contava com um rebanho bovino de 14,8 milhões de cabeças de gado, isso equivale a oito bois para cada habitante do estado.

 

     A pecuária extensiva avança pautada na abertura constante de novas áreas. Muitas vezes a pecuária é utilizada no processo da grilagem, onde as áreas, depois de derrubadas e ocupadas com alguns bois, acabam legalizadas por vários meios. Essas terras, posteriormente, podem ser repassadas para a produção de commodities, a exemplo da produção agrícola que utiliza de mecanização e fertilização para produzir grãos, principalmente soja. A soja por sua vez tem se expandido continuamente na Amazônia, em áreas que eram previamente pastagens, deslocando a pecuária para áreas de floresta. Resumindo: o gado abre espaço para a soja entrar.

 

     “Hoje a gente já observa que essa pecuária que tá no norte de Rondônia já avança para o sul do Amazonas e parte do Acre, e a soja avança aqui em Porto Velho”, explica. De acordo com a pesquisadora, a ação dos governos estadual e federal tem sido determinante para a intensificação desse processo na região.

 

     Em maio deste ano, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (sem partido), sancionou a Lei Complementar 1.089, que extinguiu 202 mil hectares de áreas protegidas no estado, retirando a proteção de porções significativas da Reserva Extrativista Jaci-Paraná e do Parque Estadual de Guajará-Mirim. A Resex Jaci-Paraná perdeu quase 90% de seu território e o Parque Estadual de Guajará-Mirim perdeu 55 mil hectares. Essa lei está sendo questionada na Justiça.

 

     “Rondônia é como um laboratório do crime ambiental. Se deu certo em Rondônia, isso vai se intensificar e a gente vê este processo a partir do que eles estão querendo montar, essa nova regionalização que é a chamada AMACRO”, alerta a pesquisadora.

 

 

     Proposta de regionalização econômica, AMACRO abrange 32 municípios dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia.

 

     AMACRO é um acrônimo formado pelas iniciais de Amazonas, Acre e Rondônia, e trata-se de uma regionalização econômica que visa incentivar a produção agropecuária na região. Apesar de a palavra “sustentabilidade” estampar todas as publicações oficiais a respeito do projeto – o nome atual do plano é Zona de Desenvolvimento Sustentável Abunâ-Madeira -, sua estrutura está construída em torno da ampliação de infraestrutura e incentivos voltados à produção agropecuária.

 

     “Isso é preocupante, principalmente porque além de incentivar um modelo nada inclusivo e que se nutre de desmatamento, não conversa com a urgência climática e com a crise da biodiversidade, podendo abrir cada vez mais acesso para partes praticamente intactas da Amazônia”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

 

      O exemplo mais próximo desta iniciativa pode ser visto no Cerrado, com o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde o modelo promoveu a concentração de renda, de terras, desmatamento e esgotamento dos recursos naturais, além do acirramento da violência no campo.

 

     Para o Queops Silva de Melo, representante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) de Lábrea, infelizmente as políticas públicas na região são mais direcionadas para o agronegócio do que para atividades que convivem com a floresta, o que resulta nessa disparidade entre os modelos econômicos. “O que a gente precisa aqui é incentivo à produção extrativista. Essa região do Sul do Amazonas é vista como área de exploração livre, você pega a produção do indígena, do ribeirinho, e leva a preço baratíssimo. Ao mesmo tempo, vão trazendo coisas de fora que não são da nossa cultura, não é da nossa vocação, nosso sistema aqui é um sistema riquíssimo de biodiversidade. Se valorizasse isso com política pública a gente teria recursos suficientes para todo mundo viver bem”.

 

     Violência na floresta

 

     De acordo com o último relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT) sobre Violência no Campo, em 2020 foram registrados 69 conflitos no Acre, 68 no Amazonas e 72 conflitos em Rondônia. Em todo o Brasil, foram 2.054 ocorrências de conflitos no campo, o maior número da série histórica do levantamento, que começou em 1985.

 

     “Aqui atualmente o conflito por terra não é tanto pela propriedade da terra, pelo assentamento. O pessoal está brigando para ficar acima da terra. A maior parte dos conflitos é de pessoas que se vêem ameaçadas e expulsas de suas terras. E para isso muitas vezes usam o fogo, o desmatamento e a destruição como forma de expulsar as comunidades tradicionais de seus territórios e da floresta que é sua fonte de recursos e de vida”, conta Josep Iborra Plans, missionário da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Porto Velho.

 

     O missionário relata casos de ameaça, expulsão, trabalho escravo e até assassinatos, onde os culpados dificilmente são identificados ou punidos. O representante da CPT fala de uma justiça desigual, que pune o pequeno colono, enquanto inocenta grandes grileiros. “O Estado, de uma forma assim de propósito, se faz ausente, deixando os pistoleiros agirem e que impere a lei dos mais fortes, dos grandes grileiros”, afirma.

 

     São casos como o do agricultor Antônio da Silva*, que vivia em uma comunidade ribeirinha em Rondônia e foi expulso da terra que habitou por 25 anos. “Um dia chegou uma pessoa lá dizendo que era dona da minha terra e de mais 18 mil hectares. Me chamaram para entrar num acordo que eu acredito que ia custar a minha vida, né? Então eu não aceitei e hoje eu tô pagando esse preço”, relata. Depois da recusa, o agricultor passou a ser ameaçado e perseguido por pistoleiros, teve sua área cercada, seus animais de criação mortos, até que as ameaças se intensificaram de tal maneira, que ele foi forçado a sair de sua terra.

 

     O extrativista Augusto de Souza* traz um relato parecido. Depois de anos vivendo da coleta de castanhas em uma reserva extrativista no Amazonas, viu seu mundo virar de cabeça quando grileiros invadiram seu castanhal e o expulsaram da área. Hoje, as castanheiras centenárias não existem mais e a sensação é de impotência. Ambas identidades foram preservadas nesta reportagem, para segurança dos entrevistados, que seguem sob ameaça.

 

 

     “No Sul de Lábrea foi mais ou menos assim, tinha os extrativistas de castanha, os seringueiros, e aí começou a invasão. O pessoal começou a entrar, os madeireiros tirando madeira, depois vinham os pecuaristas derrubando o resto. Alguns dos extrativistas que resistiam ao preço deles, eles diziam que então custaria R$ 4, que é o preço de uma bala”, conta Adelson Arruda de Lima, presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Município de Lábrea, que viu a economia do município, antes baseada na agricultura familiar, avançar rumo à concentração de terra e onde a pecuária responde pela maior parte da produção.

 

     Segundo Adelson, muitos dos “novos donos” da terra vem de outros estados, como o Paraná e Mato Grosso. “O que acontece com o agricultor familiar depois que ele é expulso da terra? Ele deixa a agricultura familiar e vem para a cidade basicamente para passar necessidade, passar fome”, relata.

 

     A flexibilização da legislação ambiental e a falta de fiscalização são as causas apontadas pela missionária Laura Vicunha, do CIMI de Rondônia, para o avanço das invasões e da violência que sofrem os povos indígenas no estado.

 

     “O território Karipuna, por exemplo, é um território que no passado já foi reduzido 40 mil hectares e é um povo pequeno, então fazem de tudo para pressionar esse território. Esse ano a pressão se intensificou ainda mais, sobretudo na parte sul da terra indígena, que foi impactada por aquela lei (1.089) que desafetou a Resex Jaci-Paraná e parte do Parque Estadual Guajará Mirim. Com essa pressão e com essa liberação, a legalização da grilagem, fez com que o desmatamento e os focos de queimada voltassem a subir”, afirma.

 

     Entre 2017 e 2020, foram devastados 3.646 hectares da TI Karipuna, que ocupa a posição de 9ª terra indígena mais desmatada na Amazônia. Os relatos de extração ilegal de madeira, ameaças e até de loteamentos dentro da TI são fartos, mas os problemas continuam, o que levou os Karipuna a entrarem com uma ação judicial contra a União, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o governo de Rondônia por inação. Na ação, os indígenas pedem que os invasores sejam expulsos, que as obras realizadas dentro da TI sejam destruídas, que as áreas desmatadas ilegalmente sejam recompostas e que a TI seja, de fato, protegida e fiscalizada.

 

     A situação das populações indígenas não é muito melhor no Amazonas, onde o avanço da agropecuária ameaça a vida dos povos de norte a sul do estado. De acordo com Queops, do CIMI, as queimadas e o desmatamento impactam a saúde e a sobrevivência dessas populações. “A fronteira agrícola vem chegando e uma das coisas que preocupa a gente é que todas essas comunidades, essas aldeias, o principal acesso é pelo rio, mas os igarapés estão sendo fortemente ameaçados, eles estão secando e essa população está sendo forçada a migrar de um local para o outro, devido a esse desmatamento nas cabeceiras dos rios vindo do sul do município”, conta.

 

 

     As constantes ameaças vindas de Brasília, como a possibilidade de aprovação do Marco Temporal, adicionam uma camada extra de pressão. A tese, defendida arduamente por ruralistas, dentro e fora do Congresso, e pelo presidente Jair Bolsonaro, que prometeu “não demarcar um centímetro de terra índigena” em seu governo, argumenta que um povo indígena só pode ter sua terra demarcada se conseguir comprovar que estava sobre ela no dia 5 de outubro de 1988, data em que a Constituição foi promulgada, ignorando todo o processo colonizatório, em que muitos povos foram dizimados, escravizados, proibidos de falar seu idioma e exercer sua identidade cultural, além de expulsos de suas terras.

 

     “Não é assim, nós estamos aqui há muito tempo, nós estamos aqui muito antes de 5 de outubro de 1988. Então, nós entendemos que a demarcação dos nossos territórios precisa ser concluída. Eu tenho o meu território demarcado. Já outros parentes aqui da nossa região não tem. Então precisamos lutar por eles”, defende Antônio Enésio Tenharim, coordenador geral Organização dos povos indígenas do Alto Madeira (Opiam). De acordo com o Antônio, esta não é a única ameaça vinda de Brasília. O sucateamento da Fundação Nacional do Índio (Funai), o Projeto de Lei 191/2020, que visa permitir a mineração em TIs, também ameaçam a integridade dos povos indígenas não só do Amazonas, mas de todo o Brasil.

 

“Vivemos um momento em que a floresta e seus povos estão seriamente ameaçados pelo enfraquecimento de órgãos públicos de controle, por uma série de propostas no âmbito legislativo, que objetivam entregar as florestas públicas para o desmatamento, e por uma visão de desenvolvimento que já se mostrou equivocada para a Amazônia”, afirma Cristiane Mazzetti. “A região do sul do Amazonas, norte de Rondônia e Acre é mais uma expressão desse modelo que precisa ser revisto imediatamente, dada a emergência climática e a vulnerabilidade social presente no Brasil. É preciso viabilizar uma economia capaz de conviver com a floresta e promover real desenvolvimento na região”, defende.

 

     Faltando poucos dias para a 26ª Cúpula Climática da ONU, também conhecida como COP26, brasileiros e o resto do mundo voltam suas atenções para ouvir o que os governos apresentarão como contribuições para solucionar a crise climática. O Brasil, que poderia ser uma liderança neste debate, infelizmente, segue na direção oposta.

    

     Greenpeace Brasil•7 de julho de 2023•

 

     Comentário:

     Querem acabar com as florestas: da Amazônia, dos Cerrados e da floresta Atlântica.

     Não há interesse político para zerar o desmatamento dessas florestas. O presidente Lula pretende zerar o desmatamento do Amazonas em 2030, mas do jeito que vai, em 2030 não haverá uma árvore em pé. Se houvesse interesse em zerar o desmatamento deveriam começar agora, ou ontem, o tempo está acabando e à Fervura Global está começando e a humanidade estão prestes a ser extintas, tudo por causa da ganância e ignorância de grupos poderosos que querem o lucro não importa a que preço, se amanhã todos estejam mortos.

     Os incêndios em toda parte do mundo são criminosos não tem a ver com o Aquecimento Global, se o aquecimento tocasse fogo não seria em determinados locais e sim em toda a floresta ou mata, nunca houve incêndios espontâneos no passado. O incêndio na floresta do Canadá foi criminoso porque as chamas começaram simultaneamente no Leste e no Oeste do Canadá. Estão querendo áreas para expandir os centros urbanos por causa da explosão demográfica mundial. No Amazonas é para virar pastos para engorda do gado que vai se transformar em commodities para exportar e matar a fome de países estrangeiros, enquanto no Brasil, o povo passa fome e vive na miséria social. O presidente Lula é o presidente do faz de conta que governa, no país do faz de conta.

 

Ernani Serra

 

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Pensamento: Tornamo-nos odiados tanto fazendo o bem como fazendo o mal.

 

Maquiavel

 

 

 

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